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Deu em A Gazeta 27.02.2020 | 07h51

População teme chegada do coronavírus ao Estado

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

Mato Grosso já sente os reflexos da confirmação do primeiro caso de coronavírus (Covid-19) no Brasil. População se divide entre os que têm medo da rápida circulação da doença e os que acreditam que dificilmente o vírus chegue ao estado.

 

Enquanto isso, estoques de máscaras cirúrgicas e álcool gel estão zerados nas farmácias e em empresas de distribuição de produtos médicos locais. Apesar disso, especialistas afirmam que ainda não é necessário o uso do equipamento e observam que cuidados simples como a higienização do aparelho celular e manter distância de um metro de pessoas que estejam tossindo ou espirrando, são fundamentais na prevenção contra o Covid-19.

 

O movimento na tarde de ontem (26) era grande no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, sendo o fluxo maior no desembarque. A estudante Sonayra Vaina Santos, 31, chegou de Criciúma (SC) com a filha de 3 anos e conta que fez uma conexão de 4 horas no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, estado onde foi confirmado o primeiro caso de Covid-19.

 

Questionada se já adotou alguma medida de prevenção, ela disse que não, mas que a partir de agora deve cuidar mais da higienização dela e da filha. “Para ser sincera, achei que a doença não chegaria ao Brasil mas, com a confirmação, tomarei mais cuidado, especialmente com a minha filha, porque criança pega em tudo e sempre leva a mão à boca”.

 

No Terminal Rodoviário de Cuiabá o movimento também era intenso neste final de feriado de Carnaval. Os estudantes Willian Luis, 16, João Gabriel, 16, e Otávio Silva, 16, que aguardavam o ônibus para seguir para a Serra de São Vicente, onde estudam, revelam que não acompanham as informações sobre a doença e muito menos têm hábitos de higienização corriqueiramente. “Nunca usei álcool gel na minha vida e lavar as mãos é algo que faço apenas antes das refeições”, disse Willian.

 

Otávio afirmou que, ao espirrar, tem o costume de virar o rosto ou usar o antebraço para que as gotículas não atinjam outras pessoas. “É mais por educação do que por prevenção”. João Gabriel, por sua vez, diz que desconhece as instruções de prevenção para evitar a contaminação pelo coronavírus.

 

Natural do Paraná, o encarregado de construção civil, Irineu Martinho Roecker, 54, vive há 15 anos nos Estados Unidos e está no Brasil visitando amigos e familiares. Ele já passou por São Paulo, Rondônia, Roraima, Santarém, Guiana Inglesa, Campo Novo do Parecis e estava de passagem por Cuiabá de onde partiria para sua terra natal. Ele frisa que desde que chegou ao país aderiu às recomendações do Ministério da Saúde (MS) com relação ao Covid-19. “Nos EUA a gente não se preocupa com isso porque não temos nenhum caso sequer suspeito. Mas aqui vi a necessidade. Todo cuidado é pouco”.

 

Chegada previsível
A infectologista Soraya Rezende Rossi diz que já se esperava que o coronavírus chegaria no Brasil por conta da grande circulação de pessoas entrando e saindo do país. Segundo ela, a preocupação inicial era com relação aos países onde há a transmissão sustentada, ou seja, quando o vírus já circula livremente, sendo transmitido de pessoa para pessoa sem que uma delas tenha viajado para países onde há casos confirmados ou tenha convivido com indivíduos contaminados. “Essa não é a nossa realidade. O caso confirmado se trata de um brasileiro que esteve em um dos países onde há um grande número de casos confirmados e até mortes registradas. A população não precisa se desesperar”.

 

Rossi salienta que o mais importante no momento é adotar as medidas preventivas já que não há vacina e um tratamento propriamente direcionado à doença. Ações elencadas na chamada etiqueta respiratória são tidas como as mais importantes nesse caso. “Lavar sempre as mãos, cobrir a boca com o antebraço quando for tossir ou espirrar, ter sempre o álcool gel por perto, pois ele pode ser usado na falta de um local para lavar as mãos”.

 

A especialista lembra que o próprio MS sugeriu que viagens para o exterior, principalmente para os países classificados como epicentros do Covid-19, devem ser evitadas.

 

Objeto que está nas mãos da maioria das pessoas, de todas as idades e classes sociais, o celular é um potencial transmissor do coronavírus (Covid-19). Higienizar o aparelho, portanto, é uma das medidas preventivas para evitar a contaminação pela doença. “Usar sempre lenço descartável, nunca de pano e manter distância de pelo menos um metro de pessoas que estejam espirrando ou tossindo são medidas preventivas importantes”, explica a também infectologista Zamara Brandão.

 

Segundo ela, mesmo a confirmação do caso de Covid-19 tendo ocorrido em São Paulo, a população mato-grossense deve se manter alerta para a doença. “É um vírus circulante e, assim como a H1N1, pode chegar aqui. Por isso, devemos nos prevenir sim”.

 

Estoques zerados
Farmácias, lojas de equipamentos de proteção individual (EPI) e distribuidores de produtos médicos estão com os estoques de máscaras cirúrgicas zerados. Segundo os empresários dos ramos, o deficit é geral e ocorre em todo o Brasil. Dificuldade de aquisição do equipamento é constatada desde o final do ano passado, quando foi confirmado o primeiro caso do Covid-19, na China.

 

Proprietária de uma loja de EPI localizada no bairro Praeiro, em Cuiabá, Esther Araújo diz que a previsão de chegada dos lotes de máscara é de uma semana a 15 dias. De acordo com ela, o preço dos pacotes subiu mais de 100%. “Tem gente que comprou muitas unidades para levar até para outros países. A alta procura fez com que as fabricantes aproveitassem o momento para inflacionar os preços”.

 

As infectologistas afirmam que não há necessidade de correr até a farmácia e comprar máscaras, até porque elas diminuem a probabilidade de contaminação, mas não a impedem. “Pessoa usa máscara não lava as mãos, então de nada adianta”, frisa Soraya.

 

Segundo Zamara, o uso do objeto é recomendado apenas em locais onde o vírus circula em grande escala, como na China, Coreia do Sul e Itália.

 

Confira reportagem completa na edição do Jornal A Gazeta

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