DEU EM A GAZETA 29.03.2026 | 08h00

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Pedidos de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) à Justiça, feitos pela Defensoria Pública de Mato Grosso, saltaram de 794, em 2024, para 1.323 em 2025, um aumento de 66,6%, intensificando a pressão sobre a rede pública. Em 2026, a demanda segue elevada. Até 15 de março, já são 233 processos, o equivalente a três pedidos por dia e parte deles não se concretiza, mesmo com decisão liminar.
Em Cuiabá, foram 1.280 demandas apenas entre 2024 e 2025, o que corresponde a cerca de 54% de todos os pedidos registrados no período, concentrando mais da metade da judicialização na capital, que acaba absorvendo casos de diferentes regiões do estado.
A maior parte dessas ações está ligada à busca por leitos de UTI adulto, que somam 2.096 solicitações e representam cerca de 89% do total. Já os pedidos por UTI neonatal foram 132 casos (5,6%), indicando que a principal sobrecarga do sistema está na falta de vagas para pacientes adultos em estado grave. Na prática, a Justiça determina a vaga em até 48h, mas a decisão esbarra na limitação estrutural da rede, que não consegue abrir leitos na mesma velocidade da demanda.
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Foi o que aconteceu com Zenaide Koifman. Ela conseguiu uma liminar para a transferência do marido para a UTI, mas a vaga só foi autorizada quando a família já se preparava para o enterro. Ele morreu aos 55 anos, em janeiro deste ano, após aguardar mais de 22 dias por uma transferência. Eu estava de frente com o caixão dele quando me ligaram para dizer que a vaga tinha saído, relata, emocionada.
Documentos do sistema de regulação que Zenaide guarda mostram que o paciente teve indicação para transferência ainda em dezembro, com quadro de cirrose hepática descompensada e necessidade de atendimento especializado. Ao longo dos dias, houve sucessivas atualizações do quadro clínico e pedidos de encaminhamento, mas sem efetivação da vaga em tempo hábil.
Tinha decisão judicial e, ainda assim, não houve transferência. Se nem a Justiça é suficiente, o que mais pode ser feito?.
O caso não é isolado. A família de Carlos Araújo, 69, morador de Confresa (1.160 km a nordeste de Cuiabá), também precisou esperar mais de sete dias após a decisão judicial para transferência para a UTI. Chegamos a pedir ajuda a deputados para que a decisão fosse cumprida, afirma a filha, Vânia Araújo.
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