prioridades 22.06.2026 | 13h00

laisa@gazetadigital
João Vieira
Durante a inauguração de uma nova ala no Hospital do Câncer de Mato Grosso (HCanMT), a deputada federal Coronel Fernanda (PL) criticou o ex-governador Mauro Mendes (União), alinhando de forma direta o seu discurso ao colega de partido, o senador e pré-candidato ao governo, Wellington Fagundes (PL). A parlamentar condenou as prioridades orçamentárias do Executivo com investimentos bilionários no Parque Novo Mato Grosso e na compra de uma roda-gigante estimada em R$ 70 milhões.
“Pessoas sabem o que é ficar disputando vaga na fila da vida, porque o Estado só tem cinco ou 10 vagas de exames, se não me engano, por mês. O câncer não espera. O câncer tem pressa para acabar com a vida do ser humano”, desabafou em discurso na semana passada.
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O ponto central do posicionamento da Coronel Fernanda foi o contraste entre os recursos aplicados em grandes obras de lazer e as demandas urgentes da saúde pública. Sem citar nominalmente o ex-governador Mauro Mendes (União), idealizador do parque, a deputada cobrou publicamente a sensibilidade do governo do Estado, agora sob gestão do vice de Mauro, Otaviano Pivetta (Republicanos).
“Rodas-gigantes de 70 milhões, ele não esperou para comprar. Parque bilionário, ele também não esperou para comprar. Ele está fazendo porque acha que lá vai crescer Mato Grosso. Mas o que cresce em Mato Grosso são pessoas saudáveis, pessoas recebendo atendimentos adequados. Não dá para admitir. Eu não quero rodas-gigantes, eu quero vida”, criticou a parlamentar.
Na ocasião, ela relembrou que o Hospital do Câncer necessita de R$ 20 milhões para a construção de 40 novos leitos, e o senador Jayme Campos (União) se prontificou a destinar emendas para o projeto.
Disputa entre políticos
A manifestação da Coronel Fernanda encorpa a tese defendida por Wellington Fagundes, que propôs a interrupção das obras do Parque Novo Mato Grosso para redirecionar o montante a setores essenciais como habitação popular e saneamento. Posteriormente, ele recuou da declaração e disse que irá manter a execução do projeto.
As declarações de Fagundes haviam sido rebatidas com agressividade por Mauro Mendes nas redes sociais, que classificou o plano do senador como “estupidez” e argumentou que o megacomplexo já passou de 70% de execução, gerando empregos e turismo. Mendes e seus aliados, como Pivetta, sustentam que o investimento em outras áreas não exige a paralisação de obras em andamento.
Com o discurso da Coronel Fernanda, o PL consolida uma narrativa unificada para a corrida eleitoral, intensificando que os investimentos de lazer da atual gestão ocorrem em detrimento do sofrimento da população que depende da saúde pública.
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