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INTIMIDAÇÕES 04.03.2023 | 13h10

Psicóloga explica conduta insegura por traz dos 'red pills'

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Vanessa Araujo - Especial para o GD

redacao@gazetadigital.com.br

Reprodução/Redes Sociais

Reprodução/Redes Sociais

Na última semana uma polêmica tomou conta da internet envolvendo dois influncers e ameaça de morte a atriz. Caso extremo de misoginia, violência doméstica, supremacia masculina e os "red pill" dão a tônica do conteúdo que se tornou registro policial. Mas de onde vem a ideologia da superioridade do macho e ódio extremo ao feminino? 

 

Os personagens desse enredo criminoso são a atriz e roteirista Lívia La Gatto, 37, e o coach, escritor e palestrante, Thiago Schutz, 34, mas situações semelhantes são registradas diariamente nas delegacias e vistas nos noticiários, geralmente com  fim trágico para a mulher.

  

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Para esclarecer a origem desse comportamento masculino e alertar o público sobre os riscos dessa conduta, o conversou com a psicóloga Pollyanna Tavares, 37, que explicou o porquê de personagens como Thiago Schutz viralizarem na internet, apesar de avanços contra o machismo.

 

Para Pollyana, a teoria do apego consegue explicar comportamentos de homens e de Schutz. “A teoria do apego justifica nosso comportamento dentro das relações e ela diz que o que manda são as primeiras relações, a maneira como nós fomos ensinados, como interagimos com nossa família de origem. Essas relações são o nosso Norte. Dentro da teoria, se fala sobre apego inseguro e apego seguro, normalmente todos nós estamos dentro do apego inseguro e vamos aprendemos a nos relacionar na fase adulta”, explicou.

 

A psicóloga relacionou o 'boom' de cursos que ensinam homens a terem uma masculinidade “forte” com os primeiros relacionamentos da infância.

 

"'Os homens sofrem de desilusão amorosa e eles não conseguem mais se relacionar’. Não. Não é assim. A primeira desilusão dele foi lá quando ele era criança, lá na primeira relação dele, por ‘N’ motivos. O impacto gerado é grande. Por exemplo, pais que deixam filhos chorando na escola no primeiro dia de aula, ou chega atrasado, deixa o filho esperando, já é uma ansiedade e uma insegurança nessa criança. Outras situações vão acontecendo e isso só alimentar uma insegurança", exemplificou a profissional.

 

Essas situações tornam a criança um adulto com dificuldade de relacionamentos, que não consegue confiar e gerar relações saudáveis ao longo da vida. 

 

"A gente precisa mostrar nossa vulnerabilidade. E aí ele não foi ensinado isso, foi ensinado desde criança que é algo ruim. A nossa sociedade machista e patriarcal só confirma. Não é só a mulher que sofre com o machismo, na nossa sociedade, os homens também, só que não assumem, preferem sustentar do que fazer um movimento para romper com esse padrão”, apontou.

 

Filhos de pais separados que são os que mais sofrem após o rompimento dos laços, pela ausência de uma figura masculina afetiva, alguém para se espelhar.

 

No caso específico do coach, Pollyanna também ressaltou a insegura nitída de Thiago Schutz em seus vídeos, em que fala sobre suas ações com mulheres e os cursos que comercializa.

 

“Ele vende algo, com toda sua persuasão, maneira eloquente de falar e vende algo nas redes sociais que ele diz saber fazer, mas é muito claro que ele não sabe. É um homem que você começa a ver os vídeos dele e é muito nítido a insegurança do sujeito. Ele tem que usar desses termos, dessa maneira raivosa para falar de mulheres, de objetificar para poder se autoafirmar. Ele vende isso e muitos compram”, ressaltou.

 

Entenda o caso

 

Lívia publicou, em 13 de fevereiro, um vídeo no Instagram em que satirizava coachs de desenvolvimento masculino com discurso misógino. Ela não cita nomes, mas todo o contexto do vídeo sugere que se trata de Schutz, ou "calvo do Campari" como também ficou conhecido. Em um podcast ele fala sobre encontro que teve com uma mulher e a necessidade de se manter autentico e preferir beber Campari à cerveja que estava sendo oferecida pela compahia.  A atriz é conhecida na internet por suas sátiras.

 

No vídeo em questão, Lívia zomba de ideias de Schutz com relação a mulheres que vão para baladas, curtem o Carnaval e as consideradas “velhas” pelo coach, além de ironizar os cursos vendidos para ajudar na masculinidade.

 

 

O vídeo ficou famoso e chegou até o coach que não levou na brincadeira. Ele mandou uma mensagem direta (DM) via rede social para Lívia na qual dizia: “Você tem 24 horas para retirar seu conteúdo sobre mim. Depois disso é processo ou bala. Você escolhe”.

 

Reprodução/Instagram

processo ou bala

 

 

A atriz imediatamente publicou em suas redes sociais uma captura de tela da conversa e registrou um boletim de ocorrência contra Schutz. Outras mulheres também afirmaram na internet já terem sido ameaçadas pelo influenciador.

 

Alguns homens também viralizaram nas redes sociais com sátiras ao trabalho do coach, mas não receberam nenhuma uma ameaça. O caso tomou conta da internet e Lívia recebeu apoio de políticos, amigos e principalmente de mulheres. 

 

Em vídeo publicado nas redes sociais, o coach se pronunciou sobre o ocorrido: "Tenho 34 anos. Nenhuma passagem criminal, não tenho porte de arma, nem frequento clube de tiros. O meu intuito é sempre de ajudar. Quando eu falei 'bala' na frase 'Você tem 24 horas para retirar seu conteúdo sobre mim. Depois disso é processo ou bala. Você escolhe', não foi no sentido literal. Não foi uma ameaça. Jamais", explicou.

 

Thiago Schutz deve ser interrogado pela Polícia de SP na próxima semana.

 

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