DEU EM A GAZETA 28.11.2021 | 09h28

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Otmar de Oliveira
Mato Grosso, apenas 9 realizam o tratamento com soro antiofídico em casos de acidentes com cobras peçonhentas (venenosas). O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) centraliza as demandas da região metropolitana e dá suporte ao estado todo. Os hospitais regionais de Colíder, Cáceres, Alta Floresta, Sorriso, Rondonópolis, Sinop, Água Boa e Peixoto de Azevedo são as demais referências que centralizam o soro por polos regionais.
A estratégia de distribuição dos antídotos feita pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT) prejudica a população que mora nas cidades distantes de onde o soro está disponível, conforme alerta o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems/MT).
“Há municípios que precisam procurar o soro no estado inteiro para tratar um paciente. Tem municípios que ficam a 300 quilômetros do hospital. Por exemplo, se uma pessoa é picada por uma cobra que tem um veneno potente, tipo uma jararaca, em Santa Rita do Trivelato, que fica a 300 km de Sinop, onde é referência e tem o soro, são no mínimo 3 horas de estrada, não tem como, a pessoa vai ficar com o veneno no corpo esse tempo todo até receber o primeiro atendimento”, alerta o presidente do conselho, Marco Antônio Norberto Felipe.
O desabastecimento de soro antiofídico é um problema permanente em Mato Grosso desde 2017, aponta o secretário, e a solução havia sido garantida em junho de 2020 pelo Ministério da Saúde. No entanto, com a pandemia, o problema se agravou ainda mais, pois apenas o Instituto Butantan produz o soro no Brasil e essa produção diminuiu devido ao foco nas vacinas para a covid-19.
“Temos dificuldade de abastecimento. A quantidade não é suficiente para atender o estado. É triste, em pleno 2021, temos a matéria-prima, temos o laboratório, é inadmissível ter desabastecimento de soro. Não dá para admitir”, enfatiza o presidente do Cosems.
Em 2020, o estoque de soro antiofídico em Mato Grosso chegou ao patamar de 70% abaixo do necessário, de acordo com levantamento feito pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, em um projeto de lei que prevê a disponibilização do soro em cidades mato-grossenses de potencial turístico.
O ano de 2020 registrou 1.065 casos de acidentes com serpentes em Mato Grosso, sendo que 6 pessoas perderam a vida. De janeiro a outubro de 2021, aconteceram 758 acidentes com serpentes em Mato Grosso, nos quais 8 pessoas vieram a óbito.
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