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RETROSPECTIVA 2023 11.01.2024 | 12h10

Unimed Cuiabá, da descoberta do rombo de R$ 400 milhões à recuperação financeira

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Reprodução

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O ano de 2023 revelou um grande esquema e irregularidades na área da saúde privada de Mato Grosso. A Unimed Cuiabá – que é a operadora de saúde suplementar de maior abrangência do Estado, com 220 mil usuários, possuindo 60% de market share e tendo 1.381 médicos cooperados – descobriu um prejuízo contábil de R$ 400 milhões.

 

Em março de 2023, após uma disputa eleitoral histórica na qual os cooperados elegeram o médico urologista Carlos Bouret para presidir a Unimed Cuiabá, deu-se início à descoberta de uma série de anormalidades que estavam sendo cometidas pela gestão anterior, que tinha como presidente o médico Rubens de Oliveira. Além de Rubens, a ex-gestão era composta pelo ex-CEO, Eroaldo Oliveira, e o ex-presidente do Conselho de Administração, João Bosco Duarte.

 

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A atual diretoria é formada majoritariamente por ex-conselheiros fiscais do período de 2021-2022: além do presidente Bouret, conta com os médicos Junior Ratto (Diretor Administrativo-Financeiro); Erleno Aquino (Diretor de Recursos Próprios); Mohamed Kassen Omais (Diretor de Provimento à Saúde); e Victor Sano (Diretor de Mercado).

 

De imediato, a nova diretoria promoveu uma auditoria do balanço 2022, que já havia sido reprovado em Assembleia Geral Ordinária (AGO). Entre março e junho de 2023, a nova diretoria também promoveu o redimensionamento da rede de prestadores e atuou na redução do quadro de funcionários em 25%; na redução de despesas com empresas terceirizadas em 24,5%; e o percentual de economia com contratos de publicidade chegou a 68,3%. À época, as medidas de austeridade significaram uma economia anual de R$ 35,2 milhões/ano.

 

De 317 mil positivos para 400 milhões negativos 

Em 27 de junho, os cooperados reunidos em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) tiveram conhecimento dos resultados apresentados pela auditoria, PP&C Auditores Independentes, quanto ao balanço revisado. Conforme relatório, existia uma perda de aproximadamente R$ 400 milhões no balanço fiscal de 2022, contrapondo os R$ 371,8 mil positivos que haviam sido apresentados pela gestão anterior.

 

As irregularidades apontadas pela auditoria contratada evidenciaram uma administração incorreta, que comprometeu a saúde financeira da Unimed Cuiabá. Dentre pontos críticos estavam a construção de dois empreendimentos - a sede do hospital próprio e um espaço de cuidados terapêuticos - que custaram R$ 95 milhões e não foram entregues em sua totalidade.

 

Afronta à ANS
Além das evidências de um rombo de R$ 400 milhões na Unimed Cuiabá, foi exposto na AGE que a gestão de Rubens de Oliveira havia ignorado as notificações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regulamenta as operadoras de planos de saúde.

 

De 2018 a 2022, a ANS fez oito notificações à ex-diretoria da Unimed Cuiabá sobre as desconformidades fiscais que já estavam sendo identificadas. Mesmo assim, Rubens, Eroaldo e João Bosco teriam permanecido inertes à situação, colocando a Cooperativa em risco.

 

Plano de recuperação
Na contramão da ex-diretoria, os novos gestores apresentaram as respostas à ANS e o plano para sanar as irregularidades. Na mesma AGE, em 27 de junho de 2023, apresentaram um Plano de Ação Emergencial de Recuperação Financeira da Cooperativa.

 

Para recomposição do Patrimônio Líquido e das perdas apuradas – e após reunião com ANS – o Plano de Ação foi apresentado pelo consultor executivo da Unimed Cuiabá, Paulo Brustolin.

 

Dentre as medidas do Plano de Ação estavam: orçamento rígido das despesas administrativas, máximo de 10%; deflator de 10% a 20% com todos os prestadores pessoa jurídica, por período mínimo de 12 meses; não distribuição de sobras nos próximos três anos e incorporação anual das mesmas ao Patrimônio Líquido da Cooperativa; capitalização imediata de R$ 150 milhões via operação de crédito junto ao sistema financeiro estando condicionado à obrigatoriedade da ANS.

 

Médicos pagaram pelo erro da gestão anterior
Das 5 principais medidas do plano, o rateio parcial do rombo de R$ 400 milhões foi o mais emblemático e contestado. Após uma série de discussões e contestações, a atual diretoria provou que a medida era legal e foi a melhor opção para restabelecer parcialmente o Patrimônio Líquido e as perdas. Os médicos aderiram ao pagamento do valor parcial de R$ 150 milhões.

 

Direção fiscal
Em meio à corrida para salvar a Cooperativa, a atual diretoria recebeu a notícia da ANS sobre a nomeação de um diretor fiscal, medida interventiva que resultou de uma série de desmandos praticados pela gestão de Rubens de Oliveira.
O diretor fiscal da ANS foi nomeado em 1º de setembro de 2023, com o prazo de 24 meses de atuação, podendo ser prorrogada. O propósito é que a ANS acompanhe de perto tanto a qualidade e continuidade da prestação dos serviços aos beneficiários como o plano de ação desenvolvido pela atual diretoria, que visa reequilibrar as contas da Cooperativa.

 

Extravagâncias com bacalhau e vinho
No dia 29 de agosto, a Unimed Cuiabá realizou nova AGE para apresentar a auditoria de conformidade. Outra série de irregularidades foram apresentadas em AGE fechada. Os dados foram recebidos pelos cooperados em clima de indignação.

A situação do ex-presidente da Unimed Cuiabá, Rubens Carlos de Oliveira Júnior, ficou ainda mais complicada após a auditoria contratada ter descoberto notas fiscais de compras de produtos de luxo pagas com o dinheiro da Unimed, ou seja, do cooperado. Dentre os produtos estão vinhos caríssimos, chocolates, sorvetes finos e até bacalhau.

 

Na AGE também foram apresentados contratos milionários com o ex-marqueteiro de Rubens e contratos superfaturados com clínicas e hospitais. Tudo passou a ser revisado pela nova gestão e muitos contratos desequilibrados foram revistos.

Responsabilização e notícia-crime
Paralelo às medidas administrativas, a Unimed Cuiabá deu início à uma série de ações judiciais em busca da responsabilização pelas irregularidades. O ajuizamento de ações contra os ex-gestores foi aprovado, por unanimidade, entre os médicos que participaram da AGE realizada em 29 de agosto.

 

Desde então, todas as medidas civis e criminais passaram a ser adotadas, sendo protocoladas denúncias contra os supostos envolvidos, tanto de forma administrativa na Unimed Cuiabá quanto no Poder Judiciário. Além disso, os ex-gestores são alvo de uma notícia-crime junto ao Ministério Público Federal.

 

Apontado como principal responsável pelo prejuízo de R$ 400 milhões no balanço contábil de 2022 da Unimed Cuiabá, o médico Rubens de Oliveira foi afastado por tempo indeterminado do cargo de diretor-presidente da Federação Unimed Mato Grosso. Também foi afastado do cargo de diretor de mercado da Unimed Brasil.

 

Outro lado
Procurada para falar sobre a situação financeira da Unimed Cuiabá, a atual diretoria respondeu por meio de assessoria que está focada em sanar a saúde financeira da Cooperativa e em manter a qualidade no atendimento que é a marca da Unimed Cuiabá.


Esclareceu também que mesmo com a descoberta do rombo de R$ 400 milhões, em nenhum momento de 2023 os usuários do plano foram prejudicados.

 

A atual diretoria também reforçou que dentre as ações de recuperação constam o rateio de R$ 150 milhões realizado pelos cooperados, a revisão de contratos, a renegociação com rede prestadora e que uma nova fase do plano de ação que está sendo apresentado à ANS neste mês de janeiro.

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Comentários

Niely - 13/01/2024

Após essa notícia de rombo , vi meu plano dobrar coparticipação acima de 90 dias cobradas , infelizmente vou buscar outro plano de saúde.

Bruna - 11/01/2024

Como assim Os urinários dos planos não foram Prejudicado ???? Praticamente 90 % dos médico, Tanto quanto obstetra e pediatria não aceitam Mais o plano!!!! Agora só serve pra internação e exame!!! Só verificar quais associados ainda estão atendendo no plano e vê a real situação

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