EMPREENDEDORISMO 29.09.2026 | 13h20

redacao@gazetadigital.com.br
Divulgação
Um produto que viraliza nas redes sociais pode desaparecer tão rápido quanto surgiu. Para pequenos negócios de alimentação, a tendência pode ser uma oportunidade de atrair clientes e testar novidades. Antes de incluí-la no cardápio, é preciso avaliar a demanda, calcular os custos e verificar se a produção cabe na rotina da empresa.
A empreendedora Ana Paula, de Sinop, conhece este desafio. Mãe atípica, ela deixou a profissão de contadora há cerca de um ano para se dedicar aos cuidados com o filho e encontrou na produção de alimentos uma fonte de renda. Hoje, vende bolos, tortas, doces de festa, sanduíches naturais e outros produtos, principalmente para clientes que conheceu no cotidiano.
Leia também - Onda de calor provoca falhas na rede elétrica em Cuiabá e VG
Ana Paula acompanhou a febre do Morango do Amor e, mais recentemente, começou a testar o Morango Cravejado. A experiência mostrou que a popularidade de uma receita na internet não garante que ela funcionará em seu negócio. “Você vê uma coisa na internet, não é totalmente aquilo que eles falam. O marketing é bonito, é tudo lindo, mas vai testando para ver”, conta Ana Paula.
Para chegar ao produto que comercializa, ela adaptou receitas e avaliou os resultados. Com o X-bolo, por exemplo, a resposta foi diferente; o produto não teve a mesma aceitação. Segundo Ana Paula, o custo de produção ficou mais alto e o clientes não demonstraram disposição para pagar o preço necessário.
Para a gestora estadual de Bebidas e Alimentos do Sebrae/MT, Beatriz Jardim, a criatividade ajuda a identificar oportunidades, mas é o planejamento que permite transformar essa ideia em um produto que o negócio consegue entregar e vender bem. “Isso envolve testar a receita, calcular o preço, preparar a equipe e definir os canais de venda”.
Da rede social para a planilha
A repercussão na internet não significa que um produto será rentável para todos os negócios. Antes de lança-lo, o empreendedor precisa considerar gastos com ingredientes, embalagens, mão de obra e taxas dos canais de venda. Também deve avaliar quanto o público aceita pagar e quanto resta de cada venda para cobrir as despesas e gerar lucro.
Por isso, Beatriz recomenda testes em pequena escala. “Assim é possível verificar a aceitação do produto, sua qualidade, o preço de venda e o impacto na rotina de produção”.
No caso do Morango Cravejado, Ana Paula sentiu o efeito da alta no preço da fruta. Conforme ela, uma caixa com quatro bandejas chegou a custar R$ 80. Antes, em uma promoção, havia comprado duas caixas por R$ 50.
Nem toda moda precisa virar produto
A gestora Beatriz também ressalta que observar pedidos dos clientes, fazer buscas nas redes sociais e aplicativos de entrega ajuda a identificar tendências. A decisão de lançar uma novidade, no entanto, deve levar em conta o perfil do público, a possiblidade de manter a qualidade e a margem de lucro. “Deixar uma moda passar também é uma decisão estratégica”, destaca.
A empresária Ana Paula chegou a uma conclusão semelhante. “Não pode perder o timing, mas não adianta pegar tudo, você tem que analisar e evoluir”, afirma.
Diversificar reduz a dependência de um viral
Um produto em alta pode aumentar as vendas por um período. Beatriz recomenda testar opções que aproveitem, sempre que possível, ingredientes, equipamentos e conhecimentos que o empreendedor já possui. Ana Paula segue esse caminho ao oferecer diferentes tipos de bolos, doces, tortas e sanduíches.
Para avaliar uma nova tendência, a orientação da especialista é conversar com os clientes, produzir um lote reduzido, calcular os custos e definir um preço que preserve a margem. Depois, vale acompanhar quantas pessoas demonstram interesse, quantas efetivamente compram, como avaliam o produto e se a empresa consegue atender à demanda.
“Quem transforma a tendência em oportunidade entende o interesse do seu público, adapta o produto à identidade do negócio, entrega qualidade, acompanha os números e sabe a hora de mudar”, resume Beatriz.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.