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terceira geração na família 25.05.2026 | 14h00

Pantaneiro destaca como o conhecimento da natureza é essencial para produzir no bioma

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O trabalho rural no Pantanal vai além da produção pecuária. Exige conhecer os ciclos da natureza, adaptar-se às cheias e secas e conciliar a atividade no campo com a conservação do bioma. No Dia do Trabalhador Rural, o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) destaca a trajetória do pecuarista pantaneiro Juquinha Arruda, de Poconé, e mostra como tradição, manejo sustentável e amor pela terra fazem parte da rotina no campo.

 

José Benedito de Arruda e Silva, conhecido por Juquinha, cresceu no bioma e é a terceira geração de produtores da sua família. Desde cedo, aprendeu que o trabalho com o gado em áreas alagadas não é simples, mas é gratificante.

 

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“Eu aqui, eu não sou dono da fazenda, eu sou fazendeiro. Eu vou para o campo, eu curo bezerro, vacino todo meu gado, dou vacina no curral, vermífugo, separo as vacas solteiras das vacas paridas, aplico remédio em todo o gado. Esse trabalho eu que faço; eu vou com os peões no campo e tudo na administração passa por mim aqui na fazenda. Eu que sou o dono e administrador”, relata o produtor.

 

Ele conta que o manejo do gado no Pantanal mudou muito ao longo dos anos. Segundo ele, antigamente o trabalho era mais bruto, com gritos e pressão sobre os animais, realidade diferente da que vive hoje na fazenda. Atualmente, ele utiliza técnicas de manejo racional, com o uso de bandeiras e condução mais calma do rebanho, buscando reduzir o estresse dos animais durante os trabalhos no curral e no campo.

 

Para ele, o conhecimento tradicional continua sendo fundamental. Produzir gado no Pantanal apresenta desafios únicos que exigem um profundo conhecimento do bioma, além de resiliência diante de obstáculos logísticos e regulatórios. Mas as novas técnicas trouxeram melhorias importantes para a rotina no campo, tornando o manejo mais eficiente e equilibrado tanto para os trabalhadores quanto para os animais.

 

Participante do programa Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS) há cerca de sete anos, Juquinha afirma que a iniciativa ajudou a ampliar a visão sobre produção sustentável dentro do bioma. O programa atua com base em três pilares: responsabilidade social, viabilidade econômica e conservação ambiental.

 

“O pantaneiro sabe fazer isso com tranquilidade, pois nós convivemos com a natureza há gerações. Tem que tirar o gado na época certa e colocar na época certa. Agora a água começou a baixar e eu já estou trazendo o gado da parte firme para o Pantanal, porque o pasto está bonito e sobrando. Quem não entende o manejo da cheia e da seca aqui corre o risco de perder gado. É juntar aquilo que aprendeu tradicionalmente e com as técnicas novas para tocar a fazenda”, destaca.

 

Além de valorizar os saberes tradicionais do homem pantaneiro, o programa também leva assistência técnica e novas tecnologias para dentro das propriedades. Entre as orientações recebidas por Seu Juquinha estão o inventário do rebanho, melhorias no manejo e a adoção da inseminação artificial em tempo fixo (Iatf) para aumentar a produtividade. Para ele, o diferencial está justamente na união entre experiência prática e conhecimento técnico.

 

Apesar das dificuldades de produzir no Pantanal, o produtor afirma sentir orgulho da vida no campo e da tradição pantaneira que carrega há gerações. Para ele, trabalhar na região exige amor pela atividade, conhecimento da natureza e respeito pelos ciclos do bioma. Também destaca que a convivência entre o gado e a fauna silvestre faz parte da rotina da fazenda e reforça o sentimento de pertencimento ao Pantanal.

 

“Tenho orgulho de viver e produzir no Pantanal. Aqui a gente aprende a respeitar a natureza, a entender o tempo da água, da seca e do campo. Não é só criar gado, é conviver com o bioma todos os dias. O gado divide espaço com jacaré, capivara, cervo, e isso faz parte da nossa vida. Quem fica no Pantanal é porque gosta, porque tem amor por isso aqui. É uma tradição que vem de geração para geração, e eu tenho muito orgulho de continuar essa história”, diz Juquinha.

 

Fazenda Pantaneira Sustentável 

O Programa Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS) é uma realização do Sistema Famato, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar MT) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Pantanal). A iniciativa se consolidou como um modelo que une ciência, inovação e prática para gerar resultados concretos. O FPS vem contribuindo de forma decisiva para a conservação do Pantanal e para a valorização da pecuária sustentável no bioma, mostrando que é possível produzir com responsabilidade e, ao mesmo tempo, preservar esse patrimônio natural.

 

Segundo a Embrapa Pantanal, atualmente, o bioma conta com 93% de sua área em propriedades privadas e 84% conservada, o que faz do Pantanal uma vitrine de alto valor ambiental e produtivo.

 

O objetivo final é permitir que o pecuarista pantaneiro continue exercendo sua atividade com orgulho e rentabilidade, respeitando as leis ambientais e as particularidades do ecossistema, sem precisar copiar o modelo produtivo do planalto.

 

Atualmente, o projeto conta com 10 técnicos de campo, 83 fazendas, 400 mil hectares e 230 mil cabeças de animais nos municípios de Poconé, Barão de Melgaço, Santo Antônio do Leverger, Cáceres e Itiquira.

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