ESCÂNDALO DOS CONSIGNADOS 10.07.2026 | 11h08

pablo@gazetadigital.com.br
Fred Moraes/ GD
A Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (FESSP-MT) convocou em caráter de urgência os presidentes de sindicatos e associações do Movimento Sindical Unificado para uma reunião nesta sexta-feira (10). A pauta é a análise de uma proposta de "reestruturação financeira" apresentada pela Eagle Sociedade de Crédito Direto (Eagle SCD), operadora responsável por cartões de crédito consignado voltados ao funcionalismo público estadual.
A Eagle é uma das empresas suspeitas de fraudes no chamado “escândalo dos consignados” em Mato Grosso, denunciado pelo Sindicato dos Servidores da Área Meio do Poder Executivo (Sinpaig-MT). A Eagle SCD também é alvo de uma investigação profunda do Ministério Público Federal (MPF) por supostas fraudes em descontos não autorizados.
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O encontro foi coordenado pela presidente da federação, Carmem Machado, que surge como segunda suplente ao Senado na chapa do ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD). De acordo com o comunicado oficial distribuído pela diretoria da FESSP-MT, o canal de diálogo foi aberto após um pedido feito pela assessoria jurídica da instituição financeira, representada pelo escritório Bezerra & Curado Advogados Associados.
"A realização da presente reunião não representa manifestação de concordância, apoio, recomendação ou validação da proposta por parte da FESSP ou das entidades integrantes do Movimento Sindical Unificado, tratando-se exclusivamente de um espaço institucional destinado à apresentação técnica”, diz trecho da convocação enviada aos representantes dos servidores.
O encontro ocorre em um momento em que os sindicatos estão mobilizados pela realização da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Consignados, que possui cinco das oito assinaturas necessárias para abertura do procedimento. Até o momento, assinaram o requerimento de CPI a deputada Janaina Riva (MDB), Wilson Santos (PSD), Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT) e Faissal Calil (PL).
Conforme investigações conduzidas pela Procuradoria da República e detalhadas em denúncias na revista Veja, a Eagle Sociedade de Crédito enfrenta acusações de efetuar descontos fraudulentos e abusivos em proventos de natureza alimentar em aposentados. Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS atestou que a Eagle chegou a solicitar permissão governamental para operar empréstimos e cartões consignados para beneficiários da previdência, mas teve o pedido formalmente negado.
O INSS informou ao Ministério Público Federal que acompanha pelo menos 32 processos judiciais que exigem a suspensão imediata de cobranças atreladas à operadora, o que as autoridades classificaram como "atuação reiterada em desfavor de beneficiários".
O Procon de Rondônia reportou o recebimento de 196 reclamações formais contra as práticas da instituição entre os anos de 2024 e 2025, a maioria esmagadora de consumidores idosos.
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