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Instituto de Pesquisa Econômica 18.09.2021 | 08h36

Renda do trabalhador autônomo sobe 19% no segundo trimestre

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Pixabay

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Os trabalhadores que atuam por conta própria registraram um crescimento de 19,5% na sua renda efetiva no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo trimestre de 2020.

 

Isso significa que a categoria vem recebendo mais renda fixa, um salário, por exemplo, e menos rendas habituais, valores adquiridos por fontes extras.

 

Os dados são de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado nesta sexta-feira (17).

 

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O levantamento mostra que houve queda de 6,6% na renda habitual e um aumento de 0,9% na renda efetiva do trabalhador brasileiro no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, considerado o pior momento do mercado de trabalho durante a pandemia.

 

A parcial recuperação da população ocupada reduziu o impacto negativo na massa salarial real habitual no segundo trimestre.

 

Isso por que a queda da massa de rendimentos habituais foi de 1,7% (somando R$ 215,5 bilhões) e o aumento da massa efetiva foi de 6,1% na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 215,1 bilhões.

 

Ainda no segundo trimestre, os trabalhadores autônomos receberam 76% do habitual, enquanto que os com carteira do setor privado tiveram aumento de 2% na renda efetiva e os sem carteira, de 6,9%.

 

 

Nordeste foi a região com renda mais afetada pela segunda onda da pandemia, com queda de 2,6% na renda efetiva no segundo trimestre de 2021.

 

No corte por gênero, o crescimento da renda efetiva das mulheres (+1,40%) foi superior ao dos homens (+0,48%), no mesmo período.

 

Parte do comportamento da renda do trabalho em 2020 e 2021 foi gerada por um efeito composição.

 

A elevação da renda habitual média se deve aos seguintes fatores:

• A perda de ocupações se concentrou naquelas com menor remuneração (nos setores de construção, comércio, alojamento e alimentação); e
• Empregados sem carteira assinada e, principalmente, trabalhadores por conta própria, permaneceram ocupados com renda relativamente mais alta.

 

"Com o retorno dos trabalhadores informais e por conta própria ao trabalho, o rendimento habitual médio foi se reduzindo. O arrefecimento do aumento da renda habitual e da renda efetiva indica o início de retorno à normalidade no mercado de trabalho". 

 

Apesar de o grande número de domicílios sem renda do trabalho, no segundo trimestre de 2021, houve pequena redução neste percentual, em relação ao primeiro trimestre deste ano: de 29,3% para 28,5%.

 

O movimento demonstra uma lenta recuperação no nível de ocupação aos patamares anteriores à pandemia para as famílias de renda mais baixa.

 

Neste trimestre, houve também um aumento na proporção de domicílios na faixa de renda mais baixa e uma diminuição da proporção nas demais faixas.

 

Pandemia afetou mais jovens

 

A renda dos jovens adultos (de 25 a 39 anos) foi a mais afetada pela pandemia, com queda de 3,2% nos rendimentos efetivos reais médios, no segundo trimestre deste ano.

 

Em contrapartida, os rendimentos dos ocupados com mais de 60 anos cresceram 1,3% no período, influenciados pela alta proporção de trabalhadores por conta própria nessa faixa etária.

 

"As horas efetivamente trabalhadas e a proporção de afastados do trabalho não foram afetados pela segunda onda da pandemia de covid-19. A análise mostra que, apesar da melhora nos rendimentos no segundo trimestre deste ano, a recuperação ainda é lenta. O afastamento da ocupação atinge 16,26% dos trabalhadores, afetando mais de 13,5 milhões." Sandro Sacchet, pesquisador do IPEA e autor do estudo.

 

A análise apontou forte queda nas horas efetivamente trabalhadas que alcançaram apenas 78% das horas habituais, o que representa uma jornada semanal média efetiva de 30,7 horas.

 

O impacto foi maior entre os trabalhadores por conta própria (73%) e entre trabalhadores do setor público informais (72%).

 

Quanto ao grau de escolaridade, as recuperações da renda efetiva foram generalizadas, sendo mais intensa para os trabalhadores com menor escolaridade.

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