CONTER VOLATILIDADE 18.03.2026 | 08h49
FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO
O Tesouro Nacional realizou novas recompras de títulos públicos nesta terça-feira (17), em uma tentativa de conter a escalada dos juros futuros diante do aumento das incertezas globais e domésticas.
Com as operações mais recentes, a atuação do Tesouro alcançou R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias, configurando a maior intervenção no mercado em mais de uma década. O volume supera, em termos nominais, as ações adotadas durante a pandemia de covid-19, quando foram recomprados R$ 35,56 bilhões ao longo de 15 dias.
Pela manhã, foram recomprados R$ 9,05 bilhões em títulos prefixados. À tarde, novas operações com papéis atrelados à inflação movimentaram R$ 7,07 bilhões. Na véspera, o volume já havia atingido R$ 27,5 bilhões.
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Levantamentos de mercado indicam que a magnitude atual também supera episódios de estresse como as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros de 2018.
As recompras buscam reduzir a volatilidade na curva de juros, referência para expectativas sobre a Taxa Selic (juros básicos da economia). A alta recente das taxas foi impulsionada pelo avanço do conflito no Irã e pela elevação dos preços do petróleo, fatores que aumentam o risco inflacionário.
O movimento também ocorre em meio a incertezas internas, incluindo a possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros.
Semana decisiva
A atuação chama atenção por ocorrer na semana da decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). Tradicionalmente, o Tesouro evita intervenções nesse período para não gerar interpretações de influência sobre a política monetária.
A curva de juros futuros é um dos principais termômetros para as decisões do Banco Central, especialmente na definição da trajetória da taxa Selic.
A última edição do boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, aponta divisão nas projeções para a reunião desta quarta-feira. A maioria prevê corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas parte do mercado ainda aposta em redução maior. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.
Estratégia antecipada
A avaliação técnica é de que o Tesouro adotou uma postura mais agressiva para evitar disfunções maiores no mercado no futuro. Em dezembro de 2024, por exemplo, a reação foi mais tardia em meio a turbulências políticas e fiscais.
A continuidade das intervenções ainda é incerta e dependerá das condições de mercado. Historicamente, o Tesouro atua por alguns dias consecutivos em momentos de estresse, mas a decisão fica a critério do órgão.
Risco doméstico
Apesar da atuação, o mercado seguiu pressionado no fim do dia. A possibilidade de greve de caminhoneiros, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, elevou a percepção de risco, relembrando impactos econômicos observados em 2018, como alta da inflação e pressão fiscal.
A taxa de juros para janeiro de 2027 subiu para 14,13% ao ano, enquanto os vencimentos mais longos ficaram estáveis. No câmbio, o dólar diminuiu o recuo, e a bolsa reduziu a alta.
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Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
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