APÓS ÁUDIOS VAZADOS 24.09.2026 | 09h20

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
Os áudios vazados de uma conversa entre o candidato ao Senado José Medeiros (PL) e o prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União), irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, continuam repercutindo entre os candidatos que disputam uma das duas vagas de Mato Grosso ao Senado. Nesta quinta-feira (24), o também candidato Pedro Taques (PSB) usou o episódio para atacar a postura adotada por Medeiros e ironizou a diferença entre o discurso público do adversário e o conteúdo das gravações.
“O áudio do Medeiros escancara a mentira entre o que se fala e o que não se fala. E o que se faz? De dia é brabo, pede impeachment. Na calada da noite, na moita, corre para os braços do ministro com medo da Polícia Federal e jura que não bate no STF”, disparou Taques.
A crítica veio acompanhada de uma forte carga de ironia. Para Taques, os áudios expõem o que classificou como uma “palhaçada” no discurso de Medeiros, que, segundo ele, sustenta publicamente uma postura de enfrentamento ao STF, inclusive defendendo impeachment de ministros, mas adota outra postura quando conversa reservadamente com o irmão de um dos integrantes da Corte.
“Ninguém aguenta mais essa palhaçada. Medeiros é mais um candidato com rabo preso que deve favor a ministros do STF. A verdade é uma só. Candidatos como Medeiros nunca vão votar impeachment de ninguém”, afirmou.
Buscando “surfar na onda”, Taques aproveitou para apresentar propostas relacionadas ao funcionamento do Supremo. Segundo ele, caso eleito, pretende defender uma regra para obrigar o Senado a analisar pedidos de impeachment de ministros da Corte em até 30 dias, além de mandato de 12 anos para ministros do STF, idade mínima de 60 anos e o fim das decisões monocráticas.
“Eu não tenho rabo preso e tenho coragem de sobra. Vou criar a lei que obriga o Senado a votar impeachment de ministro do STF em até 30 dias. Vamos aprovar mandato de 12 anos para ministro do STF, idade mínima de 60 anos e fim das decisões monocráticas. Chega de covardia. Nós vamos fazer uma faxina histórica em Brasília”, declarou.
Áudio sobre o STF
A polêmica começou na segunda-feira (21), quando o Metrópoles divulgou um áudio enviado por Medeiros a Chico Mendes. Na gravação, o candidato afirma que orientou sua equipe de marketing a retirar referências ao STF dos textos utilizados em sua campanha.
“Eu não ataco o STF, viu, Chico? Meu marketing aqui tinha feito um negócio; eu falei: ‘quero que corte tudo’. Eu não leio um texto para gravação que tenha ou mencione o STF”, afirmou.
Na sequência, Medeiros fez uma ressalva em relação ao ministro Alexandre de Moraes.
“Se vocês pedirem para eu esculhambar com Alexandre de Moraes, podem me ligar até no meio da noite, que eu faço isso. Mas não me peça para falar de outros ministros e tal”, disse.
Medeiros confirmou que a gravação é autêntica.
No dia seguinte, outro trecho da conversa voltou a colocar Medeiros no centro da repercussão. Em uma gravação de aproximadamente 11 segundos, o candidato faz uma referência ao próprio eleitorado.
“Você sabe que o meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente, né? Esse eleitor, Chico”, afirmou.
As expressões fazem referência a episódios que ganharam repercussão entre grupos apoiadores de Jair Bolsonaro. A menção a pessoas que “oram para alienígena” remete a manifestações ocorridas após as eleições de 2022, enquanto a expressão sobre “beber detergente” é uma referência irônica a teorias envolvendo a ingestão de produtos de limpeza que circularam durante a pandemia.
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