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Eleições 2026 - A | + A

representatividade é baixa 13.09.2026 | 11h29

Em 4 anos, número de eleitores com deficiência dobra em MT

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Secom TSE

Secom TSE

O número de eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida em Mato Grosso praticamente dobrou em quatro anos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o Estado passou de 13.113 eleitores nessa condição nas eleições de 2022 para 25.658 em 2026, um crescimento de aproximadamente 95%. Do total registrado neste ano, 17.432 eleitores estão sujeitos à obrigatoriedade do voto, enquanto outros 8.226 estão na faixa em que o voto é facultativo.

 

Conforme levantamento do , entre os tipos de deficiência declarados, a categoria “outros” concentra a maior parcela, com 12.214 eleitores, equivalente a 41,83% do total. Na sequência aparecem deficiência de locomoção, com 7.326 pessoas (25,09%); deficiência visual, com 5.595 (19,16%); e deficiência auditiva, com 3.215 (11,01%). Cerca de 850 eleitores, ou 2,91%, declararam dificuldade para o exercício do voto.

 

Apesar do salto expressivo no número de eleitores, a presença de pessoas com deficiência entre os candidatos ainda é pequena e cresce em ritmo bem mais lento. Em 2022, Mato Grosso registrou 489 candidaturas de pessoas que declararam algum tipo de deficiência. Em 2026, o número chegou a cerca de 500, avanço pouco expressivo diante do crescimento de 95% do eleitorado PCD no mesmo período.

 

Entre as candidaturas, a deficiência física aparece como a mais declarada, com 209 registros (39,81%). Na sequência estão deficiência visual, com 112 (21,33%); outros tipos, com 75 (14,29%); autismo, com 70 (13,33%); e deficiência auditiva, com 59 (11,24%).

 

Para o advogado e ativista social Marcione Mendes, cadeirante, a participação eleitoral é uma forma de exercer cidadania e contribuir para a escolha de representantes. Ele conta que começou a votar aos 18 anos e nunca deixou de participar das eleições, mesmo diante das dificuldades de acessibilidade que encontrou ao longo dos anos.

 

Marcione lembra que, nas primeiras eleições em que participou, chegou a enfrentar dificuldades para acessar a própria sala de votação. Ele cita uma escola localizada no CPA, onde votava na época, como exemplo de um local que não oferecia estrutura adequada para pessoas com deficiência.

 

“Eu nunca deixei de votar. Comecei com 18 anos. Mas, já tive sim, dificuldade de acessibilidade. Quando comecei a votar, não tinha acessibilidade para entrar na sala, a mesa era complicada de se chegar, não tinha muita privacidade e banheiro praticamente zero de acessibilidade”, relata.

 

Segundo o ativista, as barreiras não atingem apenas pessoas com deficiência física. Ele aponta que eleitores cegos e surdos podem enfrentar dificuldades ainda maiores quando não há comunicação adequada durante o processo de votação.

 

“Não só para mim, que sou pessoa com deficiência física, mas especialmente para os cegos e para as pessoas surdas, que a comunicação é tudo”, pontua.

 

Quanto à baixa representatividade, Marcione entende que uma das principais dificuldades começa dentro dos próprios partidos. Segundo ele, pessoas com deficiência ainda precisam conquistar espaço para serem ouvidas e efetivamente incluídas nos processos de decisão e formação das chapas eleitorais.

 

“Primeiramente, parte do espaço para ser conquistado dentro de um partido. Há uma resistência para abrir o espaço. Além de ter a oportunidade de ser candidato, a pessoa com deficiência tem a necessidade de ser ouvida, de demonstrar que existe”, defende.

 

Ele também critica a falta de incentivos específicos para ampliar a presença de pessoas com deficiência nas disputas eleitorais. Na avaliação dele, a ausência de estrutura e de condições para uma campanha torna ainda mais difícil transformar o crescimento do eleitorado PCD em representação política.

 

“As pessoas com deficiência necessitam mais ainda, porque as chances são praticamente zero. Agora as pessoas com deficiência têm praticamente zero incentivo em todos os sentidos”, afirma.

 

Para Marcione, a baixa presença de pessoas com deficiência nas urnas como candidatas contribui para manter as demandas desse público distantes dos espaços de poder.

 

“A gente sente muito decepcionado e realmente com o coração sangrando de não ter a possibilidade de estarmos inclusos nisso aí, para que as pessoas enxerguem a gente, tanto dentro do partido quanto em outro sentido, na sociedade, e possamos ser úteis em todos os sentidos”, desabafa.

 

Para as eleições deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) prorrogou até 14 de setembro o prazo para solicitação de transporte especial destinado a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

 

Os pedidos podem ser feitos por meio de formulário eletrônico e integram o programa “Seu Voto Importa”, instituído pela Resolução nº 23.753/2026 do TSE. A iniciativa busca organizar a logística de transporte para garantir que eleitores com dificuldades de locomoção consigam chegar aos locais de votação no dia 4 de outubro, data do primeiro turno.

 

Após o recebimento das solicitações, a Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do TRE-MT reúne as informações e encaminha os pedidos aos respectivos cartórios eleitorais, responsáveis pela análise das demandas. Algumas zonas eleitorais também já articulam acordos de cooperação com prefeituras, que poderão disponibilizar veículos para o serviço.

 

Entre os critérios considerados estão o grau de limitação funcional do eleitor, a existência ou não de transporte público acessível no trajeto e a distância entre a residência e o local de votação. Quando necessário, o transporte poderá contemplar o deslocamento de ida e volta entre a residência e a seção eleitoral e incluir um acompanhante, caso o apoio seja indispensável para o exercício do voto.

 

 

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