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'DEFESA SELETIVA' 22.09.2026 | 18h37

Fávaro acusa candidata de retirar delegada para 'negociar' vaga de suplente

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João Vieira/ GD

João Vieira/ GD

Candidato à reeleição no Senado, Carlos Fávaro (PSD), denunciou à imprensa uma suposta negociação das duas vagas de suplência por parte dos adversários. Sem citar nome e após participar da sabatina no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Fávaro afirmou que, entre os postulantes do Senado, há candidatura que se apresenta como defensora das mulheres e dos servidores, mas, na primeira oportunidade, retirou uma suplente para abrir espaço às articulações aos cargos.

 

A indireta de Fávaro foi destinada a Janaina Riva (MDB), candidata que trocou sua suplência três vezes e acumulou críticas dos primeiros nomes. Na semana passada, foi acusada de violência política pela delegada Ana Cristina Feldner, que integrou uma das formações, ainda no início da campanha. 

A fala foi feita enquanto o senador defendia que a participação feminina na política precisa ir além do discurso. Para Fávaro, a composição das chapas também revela quais candidatos efetivamente dão espaço às mulheres.


“Eu defendo mulheres na política de verdade. Na prática, a gente tem que estar atento; é muito fácil fazer discurso na defesa da mulher [...] A minha chapa atual tinha mulher, a Margareth Buzetti, que desempenhou um papel no Senado graças à parceria [...] Incentivo mulheres a entrarem na política; olhem os outros candidatos. Tinha candidato que tinha uma mulher, servidora pública e delegada, e se declarava defensor de servidores e mulheres, mas a tirou para negociar vagas de suplentes. O eleitor tem que comparar”, disparou. 

 

Fávaro é o segundo candidato ao Senado a acusar a adversária de envolver a formação da chapa em uma negociação de suplência. Antes dele, José Medeiros (PL) afirmou que a vaga de suplente de Janaina Riva estaria “precificada” relacionada a uma eventual articulação para que ela deixasse o Senado futuramente. 

 

“Por exemplo, já se fala que a [suplência da] candidata Janaina está precificada, que pensa em ir para o governo e aí ficaria no seu lugar um suplente que foi indiciado pelo Alfredo Gaspar, vice do Flávio, como chefe de organização criminosa”, afirmou o candidato.

 

A fala vem após a quarta mudança na relação de suplentes de Janaina. Cada senador tem dois deles. Na prática, são essas pessoas que assumem em caso de afastamento temporário ou definitivo do parlamentar eleito. Atualmente, a chapa da candidata do MDB é composta pelos empresários Danilo Trento (1º suplente) e Rafael Torres (2º suplente).

Histórico dos suplentes 

Danilo Trento é investigado pela Polícia Federal (PF) no caso que apura supostos descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. Documentos analisados pela CPMI e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram R$ 55,7 milhões em transferências de uma conta ligada ao grupo J&F para empresas relacionadas ao empresário. Convocado pela CPMI, Trento não compareceu após obter habeas corpus no STF.

 

O empresário também ganhou notoriedade durante a CPI da Covid, em 2021, por sua ligação com a Precisa Medicamentos, que intermediou a negociação da Covaxin com o Ministério da Saúde. Ao fim dos trabalhos, foi incluído entre os indiciados por fraude em contrato, organização criminosa e improbidade administrativa. Ele negou participação nas negociações da vacina.

 

Já Rafael Yamada Torres é sócio-administrador da Coliseu Investimentos e Participações Ltda., empresa citada em levantamentos da Operação Heritage, da Polícia Federal, que apura suspeitas envolvendo um acordo de R$ 308,1 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a Oi.

 

A investigação apura possível utilização de empresas e fundos para movimentar recursos do acordo e suspeitas de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. O caso tramita no STF. Torres, porém, não é apontado como investigado pessoalmente nas informações citadas sobre a operação.

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