‘NINGUÉM TRAI QUEM não deu apoio' 25.08.2026 | 17h38

laisa@gazetadigital.com.br
Reprodução TV Vila Real
O ex-ministro da Agricultura e candidato à reeleição ao Senado, Carlos Fávaro (PSD), rebateu acusações de incoerência política e rótulos de “traidor” por sua aproximação da centro-esquerda após atuar junto ao eleitorado conservador em pleitos passados. Além de defender sua trajetória, o parlamentar explicou que sua postura sempre foi guiada pelo pragmatismo do PSD.
“Ninguém trai quem nunca foi apoiado. [...] Na primeira eleição, o ex-presidente Bolsonaro apoiou a ex-juíza Selma Arruda. Na segunda eleição, ele apoiou a coronel Fernanda. Portanto, não tem como me trair se ele nunca me apoiou. [...] Eu faço parte do PSD, um partido de centro, que busca dar governabilidade às políticas públicas. [...] Apoio ao governo quando precisou no Congresso, eu fiz e farei com qualquer que seja o próximo presidente do Brasil”, rechaçou o senador em sabatina no Jornal do Meio-Dia desta terça-feira (25).
Na sequência, ao tratar do desenvolvimento social e das causas da vulnerabilidade financeira em Mato Grosso, Fávaro relacionou o endividamento das famílias ao avanço do jogo do “tigrinho” e das apostas eletrônicas, defendendo restrições severas ao setor.
“As famílias estão endividadas muito por conta do ‘tigrinho’, das bets, e por isso eu apresentei um projeto de lei para proibir as bets no Brasil. [...] Como Ministro da Agricultura, trouxe uma Embrapa para a Baixada Cuiabana [...] para que ela possa desenvolver a piscicultura, a olericultura, para que a gente possa trazer aos supermercados, às feiras, produtos oriundos da nossa agricultura familiar”, argumentou ao propor soluções para os pequenos produtores locais.
Entrando no debate sobre os rumos da economia e do agronegócio, Fávaro comparou as ações do governo federal para a agropecuária de Mato Grosso e do país, sustentando que a gestão atual supera as administrações passadas em volume de investimento.
“Nos primeiros mandatos foi o presidente Lula que criou o Moderfrota, com juros de até 2,5% ao ano. [...] Mas, neste terceiro mandato, por exemplo, eu posso comparar com o mandato do Bolsonaro, com relação aos planos safras. Os quatro planos safras do governo Bolsonaro totalizaram R$ 700 bilhões para a agropecuária brasileira. Os quatro planos safras do presidente Lula neste terceiro mandato [...] totalizam R$ 2 trilhões”, afirmou.
Questionado sobre os vetos e restrições apontados por entidades como a Aprosoja e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em relação aos planos mais recentes, o ex-ministro atribuiu os entraves à estagnação de crédito gerada pela alta nas recuperações judiciais no setor e criticou a política monetária atual.
“A gente sabe que o setor passa por um momento de dificuldade, está muito restrito, a onda de recuperações judiciais. [...] É fato também que as taxas de juros no Brasil estão exacerbadas. [...] Inflação de 4%, 4,5% ao ano, não pode ter taxa básica de 14%. Isso dificulta o crescimento e acaba virando um país de rentistas”, pontuou, ressaltando o pacote de R$ 100 bilhões anunciado pelo governo para a renegociação de dívidas agrícolas.
Em relação às críticas da oposição sobre o envio de R$ 30 milhões em emendas parlamentares para o município de Jangada (80 km ao norte de Cuiabá), Fávaro rebateu as suspeitas de superfaturamento e alegou regularidade nas obras, citando auditorias dos órgãos de controle.
“Eu trouxe aqui [...] um relatório da CGU. Primeiro que não é estrada de terra, é asfaltamento. Ele asfaltou um bairro, Nova Jangada, todo, e várias travessias. [...] Esse relatório diz que a parte parlamentar não cometeu nenhum equívoco, a parte municipal não houve sobrepreço, nenhum indício de corrupção. [...] Só se tira desigualdade colocando mais em quem tem menos. E é esse o meu intuito como parlamentar”, defendeu-se, aproveitando a oportunidade para cobrar explicações do ex-governador Mauro Mendes (União) sobre investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Já ao abordar a disputa eleitoral e as alianças partidárias construídas para o pleito, o ex-ministro defendeu a consolidação de sua chapa e fez um balanço de sua atuação parlamentar.
“Nós fizemos um bom arco de aliança, um bom tempo de televisão [...]. Eu trouxe, nesse período de sete anos, como senador e ministro da Agricultura, quatro bilhões de reais para os 142 municípios de Mato Grosso. Eu mostrei que sou um senador municipalista de verdade, não olhei bandeira partidária”, concluiu Fávaro, pedindo o voto dos eleitores para seguir no Congresso Nacional.
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