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'não sou Mãe Dináh' 31.08.2026 | 16h20

Mauro sobe o tom e diz que 'vai ser provado que é mentira' investigação do caso Oi

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Reprodução TV Vila Real

Reprodução TV Vila Real

O candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), elevou o tom ao ser questionado sobre os desdobramentos da investigação da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o destino de R$ 308 milhões em acordo firmado na sua gestão. Visivelmente irritado, Mendes acusou a imprensa de querer “forçar uma barra”, atacou o ex-governador e concorrente direto ao Senado, Pedro Taques (PSD), e usou ironias, disparando frases como “eu não sou Mãe Dináh para prever” sobre os rumos políticos de suas alianças.

 

“Eu estou dizendo a você que é mentira e vai ser provado que é mentira. Não foi parar dinheiro nenhum em conta ligada a ninguém da minha família. Não existe essa palavra... Isso é uma mentira do senhor Pedro Taques”, declarou o candidato ao iniciar discussão acalorada em sabatina no Jornal do Meio-Dia desta segunda-feira (31).

 

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A investigação apura a denúncia feita por Taques de que repasses milionários teriam beneficiado fundos e aliados do núcleo  da gestão. Mendes, que renunciou ao governo para disputar o Senado, argumentou que a PF atua baseada unicamente em intriga política e enfatizou que os órgãos estaduais já teriam validado os procedimentos.

 

“Na sua visão [de jornalista]... que está colocando superficialmente, pode parecer incorreto. Entretanto, o Ministério Público Estadual já analisou isso e disse que está errado o que o Pedro falou. O Ministério Público de Contas também analisou isso”, rebateu ao ser questionado sobre a rapidez do pagamento e a suposição de que teria havido desrespeito à fila de precatórios.

 

Ao longo da conversa, a tensão subiu conforme o ex-governador tentava controlar a condução da sabatina e rebater que o processo estivesse na fase de denúncia formal formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

“Não tem denúncia, gente. Pelo amor de Deus. Há uma investigação... Vocês estão querendo falar mais do que eu na entrevista. Você é o entrevistador, eu sou o entrevistado. Então você usa o meu minuto colocando a sua versão, a sua interpretação dos fatos que não condiz com a realidade”, esbravejou.

 

Ainda, interpelado se confiava mais nos órgãos estaduais em detrimento do STF e da PF, o ex-gestor elevou a voz para defender as instituições locais e atacar Taques por supostamente criar mentiras para impactar a disputa eleitoral.

 

“A causa de estranheza é vocês desacreditarem todas essas instituições de Estado que escreveram, fizeram parecer, assinaram embaixo e acreditaram na denúncia do Pedro Taques, que foi o pior governador da história de Mato Grosso e o mais mentiroso [...] Eu não tenho a menor dúvida de que o que o Estado fez está 100% correto e de que isso é mais uma tentativa de aplicar um golpe eleitoral”, declarou.

 

Após isso, a entrevista focou em outros temas, mas, ao retornar à questão inicial, o tom ríspido voltou a falar sobre as rusgas e articulações políticas envolvendo a chapa governista e desentendimentos públicos.

 

“E quais serão esses desdobramentos? O futuro vai dizer. Eu não sou Mãe Dináh para prever. Eu tenho as minhas impressões de que, quando você faz mudanças, elas podem trazer, sim, consequências. Qualquer escolha que você faz na vida pode trazer consequências”, concluiu o candidato.

 

Operação Heritage 

Deflagrada pela Polícia Federal no início de agosto, a Operação Heritage apura uma complexa engenharia financeira estruturada em múltiplas camadas de fundos de investimento para direcionar recursos públicos do acordo de R$ 308 milhões com a Oi para o patrimônio privado de agentes políticos.

 

Segundo as investigações, metade do montante transitou pela chamada “cascata Royal Capital FIDC”, migrando sucessivamente pelos fundos Zurich FIM e London FIP até culminar na aquisição de participações na empresa Parecis Bioenergia Ltda. Essa transação esteve diretamente vinculada ao fundo 5M Capital (gerido pela GS Heritage FIP), cujos cotistas são os filhos do ex-governador Mauro Mendes.

 

A outra metade dos recursos foi canalizada pela estrutura “Lotte World FIDC”, associada ao núcleo familiar do deputado federal Fábio Garcia (União) e do ex-secretário Mauro Carvalho Júnior, aportando em empreendimentos como a Parecis Bioenergia e a rede Hotéis Global S.A. Além das conexões entre os fundos familiares e empresas privadas, a investigação alcançou membros do Judiciário e pareceristas da PGE.

 

 

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