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TIKTOKIZAÇÃO DA POLÍTICA 27.09.2026 | 08h00

Vídeos curtos e ganchos polêmicos dominam campanhas eleitorais em 2026

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Montagem/GD

Montagem/GD

Mesmo que você não siga os políticos que concorrem a cargos públicos na eleição deste ano, deve ter visto algum dos vídeos impulsionados pelas campanhas nas redes sociais. Especialmente os curtos, que transmitem uma ideia em poucos segundos e geram engajamento a partir da divergência ou convergência dos posicionamentos ideológicos dos candidatos e dos internautas.


Para Antônio Guimarães, fundador da agência Real Oficial, especializada em produção de conteúdo para redes sociais com inteligência artificial, esse é um fenômeno que vem sendo observado em todo o mundo e não apenas no campo da política: a universalização da linguagem do TikTok.


“Não só no Mato Grosso, mas no mundo inteiro, e isso também era inevitável. Até porque a atenção das pessoas já mudou de local. Hoje em dia, a maior parte do consumo de vídeos é vertical, vídeos curtos com ganchos rápidos nos primeiros segundos de vídeo”, explica.


Um dos candidatos que criou arquivos voltados para esse tipo de engajamento foi o deputado federal José Medeiros (PL), que disputa uma cadeira no Senado. Em um deles, faz referência à crise do Supremo Tribunal Federal (STF) sem críticas diretas e sem citar os envolvidos. “E a reflexão do dia é: quem quer dá um jeito. O Alexandre queria 130 milhões e a mulher dele deu um jeito”.

 

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A candidata a governadora Natasha Slhessarenko (PSD) protagonizou uma peça dizendo que os seus oponentes são “farinha do mesmo saco”, alerta o eleitor a “tomar cuidado” para não ser enganado pelos outros candidatos. “No fim, farinhas do mesmo saco e a mesma receita vão dar errado de novo. Se você quer mudar o resultado, ver o bolo crescer e sua família feliz, só tem uma opção e precisa ser diferente”, conclui.


O candidato à reeleição ao governo do Estado, Otaviano Pivetta (Republicanos), também usa dessa estratégia para chegar ao eleitor na internet. Um dos vídeos publicados mostra momentos de descontração do político durante as atividades de campanha.


Ao som de lambadão, ritmo típico da Baixada Cuiabana, ele aparece nas imagens tentando andar de bicicleta com jovens, usando o celular durante compromissos oficiais e até se alongando ainda com o terno que veste no exercício do governo.


Para o especialista da Real Oficial, quem quer ser visto nos dias de hoje precisa adotar essa linguagem típica das redes sociais. Além disso, as campanhas precisam levar em conta que os algoritmos preferem conteúdos que gerem debates em detrimento daqueles conteúdos pacíficos.


“O conteúdo polêmico sempre vai estar por cima ali, até porque a rede social quer cada vez mais usuários viciados nos próprios vídeos, quer mais pessoas assistindo aos vídeos todos os dias. Então ela vai preferir conteúdos que gerem engajamento, seja ele negativo ou positivo”, explica.


Outro aspecto novo é que os vídeos surgem enquanto o usuário está rolando a tela à procura de conteúdos relacionados aos seus temas de interesse, como humor ou futebol, por exemplo. Dessa forma, o público alcançado não é necessariamente aquele que pretende votar no candidato.


“Quando um candidato escolhe usar esse tipo de estratégia, ele não vai estar falando simplesmente com quem já quer falar com ele. Ele deixa de falar só para as pessoas convertidas e passa a falar para pessoas que ainda não conhecem ou pessoas que ainda não seguem. E aí novamente o critério muda, porque não basta só esse conteúdo agradar a própria base que já o conhece”, argumenta Antonio.


“Esse conteúdo também precisa prender um desconhecido em três segundos, que é o tempo do gancho ali, o tempo entre você ver um vídeo e scrollar para o próximo. Isso muitas vezes favorece quem é claro, direto, tem uma personalidade forte ou é diferente e acaba punindo o discurso mais moderado”, acrescenta.

 

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Mas existem fatores de risco, como o uso descontextualizado dos cortes e o cancelamento, termo que se refere a um tipo de boicote a pessoas, empresas ou instituições devido a posicionamentos ou declarações questionáveis.


Além disso, a viralização, que se tornou objeto de desejo de qualquer pessoa ou marca (incluindo campanhas eleitorais) que produza conteúdo para as redes, pode surgir de forma negativa.


Antônio Guimarães destacou que, ao contrário dos meios de comunicação analógicos, o conteúdo que é compartilhado nas redes sociais é entregue aos usuários das redes por meio do algoritmo. Na prática, uma inteligência artificial decide que conteúdo vai ser entregue para quem, a partir dos seus hábitos de consumo, isto é, o que é compartilhado, curtido ou comentado.


“Isso torna mais democrático esse debate político. Por outro lado, é um discurso que é menos previsível e pode premiar aquela emoção em detrimento de uma profundidade no conteúdo ou no debate. O discurso vai se adaptar a isso: gancho forte, uma frase de efeito, um título que vai gerar curiosidade”, detalha.


“O problema começa quando essas técnicas viram uma tentativa de enganar a pessoa. O problema começa quando o título diz uma coisa e o corte entrega outra coisa. Por isso, a regra que a gente gosta de falar é a seguinte: se você viu um corte, procure o conteúdo inteiro a respeito para você poder entender qual foi o contexto de tudo isso”, conclui.

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