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'Fui massacrado na cadeia' 03.08.2020 | 09h13

Ex-goleiro Bruno já sabia que iria perder tudo com o assassinato de Eliza Samudio

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Reprodução/Record TV

Reprodução/Record TV

"Na cadeia, eu ficava perguntando para Deus porque eu estava passando por aquilo.

 

"Pensei, pensei e entendi que Deus havia me avisado o que iria acontecer comigo.

 

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"Ele mandou uma pessoa para o hotel Windsor, na Barra da Tijuca.

 

"Eu dei um chá de cadeira de três horas nesta pessoa, com meu coração soberbo.

 

"Olha, Deus manda eu te falar que você vai perder tudo que você tem. É necessário que você passe por esse processo, mas Deus manda eu te falar também que vai estar contigo do início ao fim.

 

"E eu falava assim: 'Poxa, pastor, mas eu sou goleiro do Flamengo'. E ele disse: 'Mas você vai deixar de ser.

 

Você pode achar que eu sou maluco. Deus manda eu te dizer que é necessário você passar por isso. Aí eu disse pra ele: 'Mas eu vou pro Milan. Estou com pré-contrato assinado'.

 

"Ele disse: 'Você não vai'. Aí eu disse: 'Como não vou?'. Aí ele me falou: 'Vai acontecer isso e isso na tua vida.

"Vai aparecer uma pessoa que vai mudar tudo na tua vida."

 

Na sua primeira entrevista no Acre, na sexta-feira, Bruno tentou passar a melhor imagem possível.

 

Disse que os dez anos que passou preso pelo sequestro, assassinato e ocultação do corpo de Eliza Samúdio, foi uma 'prova divina'.

 

Foi ela quem 'mudou sua vida'.

 

"Não confesso o crime porque não tenho culpa nenhuma."

 

Revelou que entrou na justiça para fazer exame DNA e tentar provar que não é pai de Bruninho, filho que Eliza Samudio sempre alegou ser dele.

 

E que, por inúmeras vezes, Bruno se recusou a fazer exame de DNA.

 

Foram essas recusas que fizeram a justiça o declararem pai do menino.

 

"Até hoje não fizemos DNA da parte do Bruninho (filho que Eliza alegava ser de Bruno. Como ele se recusou a fazer o exame, a justiça reconheceu como sendo seu filho.)

"Já pedi o DNA do Bruninho. Quero esclarecer essa dúvida e tentar me reaproximar dele."

 

O menino tem muito medo de Bruno. E, inclusive, quer mudar até o seu nome, para ser homônimo do homem que mandou matar sua mãe.

 

Bruno acusou a mídia de perseguição.

 

Disse que foi humilhado por agentes penitênciários em Minas Gerais.

 

"Sofri muita humilhação na cadeia. Agentes penitenciários cuspiram no meu rosto, jogaram marmitex.

 

"Na cadeia ou você se apega ao caminho de Deus ou sai de lá um monstro.

 

E que nenhum companheiro do Flamengo campeão de 2009, no time que era o goleiro titular e grande destaque, foi visitá-lo na cadeia.

 

"No meu pior momento na cadeia, nenhum jogador do Flamengo, que foi campeão (brasileiro) comigo, foi me ver. Nenhum deles.

 

"Por incrível que pareça, o goleiro Fábio, do Cruzeiro, com quem eu não tinha o menor contato foi visitar."

 

Bruno se comportou na entrevista como alguém inocente.

 

Não mandou matar Eliza e nem nunca foi a favor de bater em mulher

 

Não é e nunca foi agressivo. A culpa é da imprensa.

 

"Nunca bati em mulher. Ganhei essa fama porque fui muito infeliz. Fui defender um amigo e eu falei algo que abriu o leque para várias formas de interpretações.

 

"A imprensa foi tão maliciosa que usou essa frase no dia internacional da mulher. Como se eu fosse um cara que apoiasse a violência contra a mulher, não sou. Aí fiquei com essa fama."

 

Na entrevista, no entanto, ele fez questão de não repetir a frase que lhe deu essa fama.

 

"Quem nunca brigou ou até saiu na mão com a mulher?", perguntou em 2010, diante de jornalistas incrédulos.

 

Ele foi à tevê local para fazer com que seja aceito pela sociedade acreana. E que jogue no Rio Branco, na Quarta Divisão do Brasileiro.

 

Ainda há muita resistência.

 

A diretoria sabe, tanto que antecipou o dia de sua chegada, para que a imprensa não registrasse.

 

Chegou na quinta, quando o anunciado era sexta-feira.

 

Cancelou sua apresentação.

 

As entrevistas estão proibidas.

 

O Rio Branco perdeu seu único patrocinador.

 

A treinadora do time feminino abandonou o clube por conta da chegada de Bruno.

 

E associações femininas, mesmo na pandemia, se organiza para fazer protestos.

 

Não aceitam a presença do condenado pela morte da modelo Eliza Samudio.

Já houve o primeiro, ontem.

 

Um pequeno grupo de mulheres levou cartazes em frente à sede do Rio Branco.

 

Por mais que coloque a culpa em uma 'provação divina', há uma certeza para a imprensa acreana.

 

A rejeição está apenas começando.

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Comentários

JOSÉ ESPÍNOLA DA COSTA - 06/08/2020

Tenho a impressão de que um dia a verdade será revelada no caso do ex-goleiro Bruno Fernandes. Existiu muita figura que se promoveu com esse caso. Na verdade Bruno foi condenado como autor intelectual do crime e não autor material do crime. Salvo engano, não houve nenhuma confissão dos autores material do crime ja condenados de que teria sido Bruno que os contratou. Não se pode condenar um homem pelo simples fato da existência do clamor popular da época. Isso é um absurdo.

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