ASSASSINATO DE PM 14.05.2026 | 14h50

maria.klara@gazetadigital.com.br
Josi Dias
O advogado Claudio Dalledone e o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins voltaram a discutir durante o julgamento do policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz.
A discussão começou quando o promotor de Justiça fez menção ao caso em que o delegado Bruno França foi atingido por disparos de arma de fogo, nesta quinta-feira (14). O advogado de defesa interrompeu de pronto e questionou a postura do promotor, chamando ele de “fiscal da lei” de forma irônica.
“Eu sou o fiscal da lei e o senhor é o cavador de nulidades”, respondeu o promotor.
“E o senhor é um homem desrespeitoso, falta com a verdade. Um boquirroto. Lave a boca para falar de mim. Cavador de nulidades é o senhor, é vossa excelência”, disparou o advogado de defesa de imediato.
O promotor, com uma calma planejada, alertou o advogado que o seu comportamento poderia causar má impressão nos jurados que definirão se o réu é culpado ou inocente.
“Eu não estou aqui para ser avaliado por vossa excelência. Vossa excelência não está aqui para me avaliar. A sua validação para mim e nada é a mesma coisa”, afirmou Claudio Dalledone.
Simulação no tribunal
Antes da confusão, o advogado de defesa pediu que o seu cliente simulasse a briga no momento do crime. Mário Wilson se posicionou de quatro no chão para mostrar como foi a situação. O promotor agiu de forma irônica.
“Você é muito vulgar. Não respeita nada e nem ninguém”, disse o advogado.
“Quem está de quatro é o seu cliente”, respondeu o representante do MP.
O réu fala aos jurados
Após a pausa para o almoço, o policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves passou a prestar depoimento no júri popular, que já se encontra no terceiro dia, que apura a morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrida em abril de 2023, em uma conveniência na Praça do Choppão, em Cuiabá.
Durante o interrogatório, o réu afirmou que atirou contra a vítima porque, segundo ele, não teria tido outra alternativa durante a luta corporal travada dentro do estabelecimento.
A defesa sustenta a tese de legítima defesa e afirma que Mário teria se sentido ameaçado durante a confusão envolvendo a arma da vítima. O julgamento segue no Tribunal do Júri de Cuiabá.
Terceiro dia
Nesta quarta-feira (13), foram ouvidos o delegado da Polícia Civil José Ricardo Garcia Bruno, além de três testemunhas arroladas pela defesa: Guilherme Bertoldi, André Monteiro e Guilherme Facinelli, todos delegados de polícia.
Já na terça-feira (12), prestaram depoimento a ex-convivente da vítima, Walkíria Filipaldi Corrêa; o delegado plantonista da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) no dia da ocorrência, André Eduardo Ribeiro; além de Gilson Vasconcelos Tibaldi de Amorim Silva e Walfredo Raimundo Adorno Mourão Júnior, que estavam presentes no momento do crime.
O Ministério Público solicitou a oitiva de uma nova testemunha, que foi intimada e deve ser ouvida nesta quinta-feira. Também pode ser ouvido ainda hoje o réu, antes de o rito processual seguir para a fase de debates entre acusação e defesa.
A audiência é conduzida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, da 4ª Vara Criminal da Capital.
A acusação é feita pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, com assistência do advogado Rodrigo Pouso. A defesa do réu é representada pelos advogados Cláudio Dalledone e Renan Canto.
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