pm morto por investigador 13.05.2026 | 13h32

maria.klara@gazetadigital.com.br
TJMT
Atualizada às 17h51 - O delegado Guilherme Bertoli afirmou que o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves ligou para ele logo após o crime, dizendo: “Fiz uma merda, matei um noiado”.
No depoimento, Bertoli relatou que foi informado por funcionários da conveniência de que havia “papelotes” e “trouxinhas” semelhantes a entorpecentes próximos ao local da luta entre vítima e acusado. Segundo ele, testemunhas disseram que os objetos teriam caído do bolso de Thiago Ruiz, que aparentava estar alterado e ia diversas vezes ao banheiro.
A defesa utilizou o depoimento para sustentar a tese de que Mário acreditava estar diante de uma pessoa suspeita e não de um policial militar. Bertoli confirmou que o investigador teria desconfiado da identidade funcional apresentada por Thiago durante a abordagem.
“Ele ficou surpreso quando eu retornei informando que realmente era um policial militar”, afirmou o delegado.
O clima no plenário voltou a ficar tenso quando Dalledone mencionou um laudo toxicológico indicando presença de cocaína no sangue da vítima. O promotor Vinícius Gahyva Martins rebateu a fala e questionou a forma como a defesa apresentou a informação aos jurados.
Durante o embate, Dalledone afirmou que o laudo apontaria “cocaína no sangue, cocaína no chão”, enquanto o promotor interrompeu alegando que o documento ainda não havia sido formalmente juntado pela defesa nos autos.
A discussão gerou novo bate-boca entre acusação e defesa no plenário do júri.
Atualizada às 17h28 - A tensão entre acusação e defesa voltou a marcar o julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, durante depoimento do delegado Guilherme Bertoli, nesta quarta-feira (13), no Tribunal do Júri, em Cuiabá.
O clima esquentou após o promotor Vinícius Gahyva Martins mencionar, diante dos jurados, uma exceção de suspeição apresentada anteriormente pela defesa contra a magistrada que atuava no caso. A fala provocou reação imediata do advogado Cláudio Dalledone, que acusou o representante do Ministério Público de tentar “criminalizar o exercício da advocacia”.
“Respeite a advocacia. Seja elegante, por favor”, rebateu Dalledone durante o embate no plenário.
O promotor afirmou que apenas fazia referência a um documento que integra os autos do processo e sustentou que o tema poderia ser mencionado por possuir relação com o andamento do julgamento. Já a defesa argumentou que a citação tinha o objetivo de lançar “veneno ao conselho de sentença”.
Diante da discussão, o juiz presidente do júri reforçou a necessidade de respeito entre as partes e advertiu os envolvidos para que se atenham às regras do Código de Processo Penal durante os depoimentos.
“Tudo está gravado e registrado”, afirmou o magistrado ao tentar conter o bate-boca.
Atualizada às 15h40 - Esse segundo dia de julgamento segue sendo marcado por pausas após discursos acalorados por parte da promotoria e da defesa, como também aconteceu no primeiro dia, terça-feira (12).
A divergência ocorreu após a defesa afirmar que o laudo toxicológico teria chegado “fora do prazo” processual, mas ainda assim abrir mão da aplicação do artigo 479 do Código de Processo Penal para permitir que o documento fosse apresentado aos jurados.
Durante a discussão, Dalledone afirmou que não queria agir com “deslealdade” e defendeu que todas as provas fossem disponibilizadas ao Conselho de Sentença.
“Nós precisamos resolver o caso”, declarou o advogado no plenário.
O promotor Vinícius Gahyva Martins respondeu às colocações da defesa e houve interrupções mútuas durante o debate, o que levou o juiz-presidente do Tribunal do Júri a intervir e realizar uma pausa.
Antes disso, acontecia o depoimento do delegado Guilherme Facinelli, que afirmou que as imagens do caso mostram o policial militar Thiago de Souza Ruiz continuando a agredir e estrangular o investigador Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, mesmo após a retirada da arma envolvida na confusão.
A declaração foi dada durante questionamentos do advogado de defesa Renan Canto, que sustentou a tese de legítima defesa.
Segundo o delegado, pelas imagens que assistiu, Thiago permaneceu sobre Mário mesmo depois que um advogado retirou o revólver da vítima do local da briga.
“Pelo que eu assisti, sim”, respondeu Facinelli ao ser questionado se o PM continuou estrangulando o policial civil.
Outro ponto destacado pelo delegado foi a motivação dos disparos. Conforme o depoimento, os tiros ocorreram quando Thiago teria tentado recuperar a arma que havia sido retirada por Mário durante a confusão.
“Foi porque depois a vítima tentou tomar a arma dela do Mário”, afirmou.
Durante o depoimento, Facinelli também explicou que policiais têm o dever legal de agir diante de situações consideradas suspeitas ou de flagrante, embora a avaliação dependa do contexto analisado pelo agente no momento da ocorrência.
Atualizada às 15h00 - O assistente de acusação Rodrigo Pouso questionou, nesta quarta-feira (13), o delegado André Monteiro sobre os procedimentos adotados durante abordagens policiais e a reação armada envolvendo o policial militar Thiago de Souza Ruiz e o investigador Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, durante o Tribunal do Júri realizado em Cuiabá.
Durante o depoimento, o advogado perguntou se um policial poderia solicitar a funcional de outro agente durante uma abordagem. O delegado confirmou que sim e afirmou que também seria possível solicitar posteriormente a documentação da arma.
Rodrigo Pouso também abordou a dinâmica registrada pelas imagens da conveniência, destacando que o vídeo mostraria apenas a retirada de uma arma e o apontamento de outra, sem qualquer tentativa aparente de contato com superiores ou acionamento do Ciosp.
Nesse momento, o delegado Guilherme Facinelli está prestando depoimento.
Retorno da sessão - A defesa do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves questionou, durante o Tribunal do Júri nesta quarta-feira (13) após retorno da pausa do almoço, o desaparecimento de 52 segundos das imagens da conveniência onde o policial militar Thiago de Souza Ruiz foi morto, em abril de 2023, em Cuiabá.
O questionamento foi feito pelo advogado Renan Canto ao delegado André Monteiro, ouvido como testemunha no segundo dia de julgamento.
Durante o depoimento, o defensor perguntou ao delegado, que já atuou como corregedor no estado do Acre, sobre a importância das imagens completas para análise administrativa e criminal do caso.
Segundo André Monteiro, todo material audiovisual que contribua para o esclarecimento dos fatos deve ser analisado integralmente.
“Toda imagem que auxilia o esclarecimento dos fatos é importante”, afirmou.
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Na sequência, Renan Canto questionou o motivo de parte das gravações não constarem nos autos do processo. De acordo com a defesa, os 52 segundos ausentes teriam sido apresentados apenas em dezembro do ano passado, após uma reportagem publicada pelo portal UOL.
“O senhor sabe nos dizer por que 52 segundos de vídeo desapareceram do processo criminal?”, perguntou o advogado.
O delegado respondeu que não sabia informar como isso teria ocorrido.
Durante as perguntas, o defensor também mencionou que o acusado possui problemas na perna e questionou se as imagens seriam relevantes para análise da Corregedoria.
“Era importante para analisar se ele agiu ou não em legítima defesa”, afirmou o advogado durante a oitiva.
O julgamento segue no Fórum de Cuiabá com oitiva de testemunhas, debates entre defesa e acusação e, posteriormente, o interrogatório do réu.
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