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Cuiabá, Quinta-feira 30/07/2026

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julgamento na sexta 30.07.2026 | 16h20

Defesa contesta perícia e insiste em transtornos mentais de réu para fugir de júri

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Helena Werneck/Reprodução/Montagem GD

Helena Werneck/Reprodução/Montagem GD

A defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, pretende sustentar que o réu pode ser inimputável em razão de transtornos mentais. O advogado Elson Marcelino da Silva Junior voltou a defender a realização de uma perícia oficial para avaliar se o acusado tinha capacidade de compreender o caráter dos próprios atos no momento do crime. O julgamento no Tribunal do Júri está marcado para esta sexta-feira (31), em Cuiabá.

 

Carlinhos será julgado pelas mortes da ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e do namorado dela, Willian César Moreno, de 30 anos. O casal foi assassinado a tiros em janeiro de 2023, na capital mato-grossense.

 

Segundo a acusação, os crimes foram cometidos por motivo torpe, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. No caso de Thays, a denúncia também aponta feminicídio em contexto de violência doméstica e de gênero.

 

Carlos Alberto Gomes Bezerra aguarda julgamento no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas. A defesa apresentou novo pedido para adiar a sessão, mas a magistrada indeferiu a solicitação e manteve a data do julgamento. A prisão preventiva do acusado também foi mantida.

 

Laudo 

No dia 17 de julho, a defesa apresentou um laudo psiquiátrico particular apontando que o empresário teria cinco transtornos mentais. Com base no documento, os advogados solicitaram a instauração de um incidente de insanidade mental, procedimento utilizado para verificar oficialmente as condições psíquicas do acusado.

 

O pedido foi negado pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. Segundo Elson, não foi realizada uma perícia oficial específica para avaliar se Carlinhos tinha plena consciência e capacidade de determinação no momento dos homicídios.

 

“Não houve esse laudo nesse sentido. Não foi feita esse tipo de avaliação e isso não foi oportunizado. É justamente o que a defesa questiona. E não sou apenas eu, porque a defesa anterior já vinha seguindo essa mesma linha”, declarou.

 

O advogado afirmou que o empresário continua recebendo acompanhamento médico dentro da unidade prisional e que existem documentos e avaliações particulares que justificariam uma análise mais aprofundada.

 

“Carlinhos faz acompanhamento médico até hoje na unidade prisional. Isso é prova documental. Sempre dizem que não há elementos, mas nós temos elementos robustos. Temos o médico da unidade prisional, o nosso perito e outros profissionais que já o avaliaram”, afirmou.

 

Durante a coletiva, Elson também rebateu declarações de que as enfermidades apresentadas pela defesa não teriam influência sobre a capacidade mental do réu. Para ele, essa conclusão precisa ser feita por profissionais especializados.

 

“Com a devida vênia, eu não sou psiquiatra, tampouco a promotora é. Ela é uma profissional do Direito. Se essa análise pudesse ser feita a olho nu por qualquer profissional que não fosse da psicologia, neurologia ou psiquiatria, não haveria necessidade desses especialistas”, disse.

 

A defesa também mencionou o interrogatório prestado por Carlinhos após o crime. Conforme o advogado, o empresário declarou que sofria de diabetes em estágio de neuropatia, condição que provocaria descompensação emocional, e afirmou estar arrependido.

 

“O termo de declaração informa que ele sofre de diabetes, está em estágio de neuropatia e que isso lhe causa descompensação emocional. Também consta que lhe faltou inteligência emocional e que ele está muito arrependido do que fez”, relatou.

 

Segundo Elson, a discussão sobre a saúde mental do empresário não surgiu apenas às vésperas do julgamento, mas já era mencionada desde os primeiros momentos da investigação.

 

“Isso existe desde o início. Não é algo trazido agora pela defesa. Desde o calor dos fatos, é o que foi dito, e aquilo que está registrado é corroborado por documentos”, afirmou.

 

A defesa não nega a ocorrência dos disparos, mas pretende discutir a responsabilidade penal de Carlinhos e as condições em que o crime teria sido cometido. A eventual inimputabilidade deverá ser analisada dentro do processo e dependerá de decisão judicial baseada em avaliação técnica.

 

De acordo com a Polícia Civil, Carlinhos perseguiu Thays e Willian após o casal deixar o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. Os dois foram mortos em frente à residência da mãe de Thays, no bairro Consil, em Cuiabá.

 

O empresário foi preso horas depois em uma propriedade rural da família, em Campo Verde. Atualmente, está custodiado na Penitenciária Major PM Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.

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