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Cuiabá, Terça-feira 29/09/2026

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'VORCARO DE CUIABÁ' 29.09.2026 | 10h00

Defesa de Caçadini cita conversas ocultas de Zampieri e diz que coronel é injustiçado

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Helena Werneck - Especial para o GD

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Helena Werneck

Helena Werneck

Os advogados Sarah Quinetti e Silvio Eduardo Polidoro, que defendem o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, afirmaram nesta terça-feira (29) que vão demonstrar a inocência do cliente no júri do caso Roberto Zampieri. Os defensores também voltaram a mencionar as revelações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais em Mato Grosso, apontando que conversas encontradas no celular de Zampieri precisam ser analisadas no contexto do processo.

 

“A gente tem falado que é um Vorcaro de Cuiabá, o doutor Zampieri. E são conversas e falas que estão escondidas da sociedade, é uma manipulação. Então colocam o coronel na cena de um crime, como financiador de um crime que ele nunca foi”, afirmou a advogada Sarah Quinetti.

 

Sarah, que acompanha a defesa de Caçadini desde o início do processo, classificou como injusta a acusação contra o militar da reserva. Segundo ela, a defesa entende que informações presentes em conversas relacionadas ao caso não chegaram de maneira completa ao conhecimento da sociedade.

 

A advogada afirmou ainda que a realização do júri é de interesse da própria defesa.

 

“E nós acreditamos fielmente que esse júri, se ele acontecer, que nós, defesas, queremos, tem que ser feito, tem que se acabar, desculpa a palavra, com essa palhaçada que tem acontecido nesses tribunais aqui. O que nós queremos é mostrar para a sociedade toda a verdade.”

 

Sarah reiterou a tese de inocência de Caçadini e citou o período em que ele permanece preso.

 

“A verdade é que o coronel Caçadini não tem nada a ver, ele não participou. É um homem que está preso até hoje há quase três anos e colaborou com a Justiça, um homem de 70 anos, que serviu à Pátria durante 30 anos.”

 

A advogada também comentou problemas técnicos que, segundo ela, cercaram a preparação do julgamento e defendeu que eventuais instabilidades não deveriam impedir sua realização.

 

“Tudo acontece nesse júri. Só que todo tribunal tem o processo baixado. Então nós não precisaríamos desse sistema. Essa é a verdade. Nós temos cópia, o juiz tem cópia, os promotores têm cópia.”

 

Ela reforçou que a intenção dos defensores é realizar o julgamento.

 

“Nós queremos fazer o júri. Nós vamos fazer o júri.”

 

Defesa mantém tese de inocência

Na sequência, Silvio Eduardo Polidoro afirmou que a estratégia da defesa permanece a mesma adotada no primeiro júri, posteriormente cancelado.

 

“A linha de defesa é a mesma do primeiro júri, que infelizmente foi cancelado, que é demonstrar a inocência do coronel. E esse tempo, quanto mais passa, mais abismado a gente fica com esse processo. Quanto mais a gente olha ele, mais sujeira a gente vê que existe nesse Judiciário nosso. É com tristeza que a defesa entra nesse fórum hoje, de verdade”, declarou.

 

Questionado sobre possíveis reviravoltas no julgamento e sobre o que poderia ser apresentado de novo pela defesa, Polidoro disse esperar que elementos do processo tragam novos esclarecimentos.

 

“A única coisa que vocês podem esperar é a verdade. A verdade é incômoda, ela é teimosa, mas ela é insistente, sabe? Devagarzinho ela vai aparecendo. Então, cada dia mais, a verdade vai aparecer.”

 

O advogado também afirmou que a defesa deseja que o julgamento seja realizado e que o processo chegue ao fim.

“E hoje, se esse júri sair, porque a gente vê muita força contrária, muita força para que esse júri não aconteça, e isso não vem da defesa. A defesa quer que esse caso termine o quanto antes, e que a inocência do coronel seja comprovada o quanto antes, e que a liberdade dele seja restabelecida imediatamente.”

 

“Verdadeiros mandantes”

Perguntado se novos acusados poderiam surgir durante o julgamento, Polidoro explicou que não haveria possibilidade processual de uma nova acusação naquele momento, mas sustentou que outras responsabilidades ainda poderiam vir à tona.

 

“Novos acusados, não, porque essa oportunidade hoje não tem. Não tem como outra pessoa ser acusada hoje. Agora, os verdadeiros suspeitos, os verdadeiros autores, os verdadeiros mandantes, isso uma hora ou outra vai aparecer, e hoje o clima está ideal para isso.”

 

Ao ser questionado se a declaração tinha relação com as revelações envolvendo suspeitas de venda de decisões judiciais, o advogado afirmou que, na interpretação da defesa, o caso está ligado ao conteúdo encontrado nas investigações.

 

“O processo é todo atrelado ao esquema de venda de sentença. Juízes se passando por outros juízes, desembargadores com as mais nojentas e asquerosas conversas com advogados. É uma tristeza, de verdade. Mas esse processo está aberto. O que causa estranheza também é a mídia não acessar isso e não trazer isso para o povo, porque isso está acessível para todos vocês.”

 

O coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas integra o grupo de acusados no processo sobre a morte do advogado Roberto Zampieri. Caberá ao Tribunal do Júri analisar as acusações e as teses apresentadas pelas partes.

 

 

 

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