TIROS NO ESCRITÓRIO 30.09.2026 | 10h44

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Reprodução
Os advogados de Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins afirmaram, nesta quarta-feira (30), que pretendem apresentar no plenário novos elementos para contestar pontos da acusação no julgamento pela morte do advogado Roberto Zampieri. Antes do início dos interrogatórios dos réus, as defesas voltaram a questionar a investigação, mencionaram as suspeitas de venda de sentenças em Mato Grosso e sustentaram que há informações extraídas de aparelhos eletrônicos que, segundo elas, não teriam recebido a devida atenção durante as apurações.
Nilton Ribeiro, advogado de Antônio Gomes da Silva, afirmou que a defesa pretende explicar durante o julgamento o que teria motivado os acontecimentos que culminaram no assassinato de Zampieri. Antônio é apontado pela acusação como o executor material do crime, versão que vem sendo contestada por sua defesa.
“Hoje vai ser um dia diferente em Cuiabá, porque a verdade vai aflorar depois de vários anos de um caso emblemático, de um caso enigmático. A verdade vai sair hoje aqui. A bomba vai estourar e nós vamos mostrar por que isso aconteceu, como isso surgiu, de onde surgiu, de onde veio isso. Nós vamos deixar muito claro o que aconteceu”, declarou Nilton.
Questionado sobre as referências feitas durante o julgamento a um suposto esquema de venda de sentenças, o advogado afirmou que Antônio teria relatado à defesa informações relacionadas ao assunto e que estaria indignado com a situação.
“O Antônio estava indignado com essa situação, porque a prática em Mato Grosso estava lesando muita gente, muita família honrada, muito pai de família foi lesado por essa prática nefasta, muita gente. E isso foi um dos motivos de indignação de Antônio. Isso vai ser esclarecido hoje. Os senhores poderão ver com seus olhos por que isso aconteceu, de que forma isso aconteceu”, afirmou.
Nilton também questionou a classificação de Antônio como sicário e afirmou que o réu teria vindo de Minas Gerais para Cuiabá “atrás de justiça”.
“Vocês não conhecem o Antônio, vocês não fazem ideia. Vocês não fazem ideia de quem é Antônio. Antônio veio de Minas Gerais para Cuiabá atrás de justiça. Vocês vão entender isso”, disse.
Na sequência, acrescentou: “Ele é taxado como sicário, assassino, matador. Eu indaguei ao promotor ontem: me dê um outro assassinato, um outro homicídio, um outro ato sicário. E não me trouxeram um outro ato sicário. Sicário que vem para Cuiabá sem uma arma de fogo? Que sicário é esse? Que assassino chega em Cuiabá e não traz uma arma? Então, aguardem no plenário.”
Defesa de Hedilerson contesta origem da arma
O advogado Patrick Igor Lopes Alves, que atua na defesa de Hedilerson Fialho Martins, também contestou a versão apresentada pela acusação sobre a participação do cliente. Segundo ele, Hedilerson era professor de tiro e teria vindo a Cuiabá para participar de uma competição.
Patrick sustenta que Antônio já estaria com a caixa apontada na investigação antes dos acontecimentos e defende a tese de que a arma utilizada no crime teria sido retirada de Hedilerson sem autorização.
“O que a gente sabe é que custa pelo menos 20 vezes mais caro trazer essa arma para cá do que ele simplesmente usar uma arma clandestina. O que confirma, sim, a hipótese de que Antônio roubou a arma do próprio professor para cometer o crime. E hoje a gente tem essas provas e hoje a gente produziu”, afirmou.
Segundo o advogado, não haveria mensagens mostrando que Hedilerson tenha oferecido a arma a Antônio.
“Não existe deslocamento do Hedilerson para a região do escritório. Só do Antônio. Então, o contato, o Hedilerson é um professor de tiro que já deu aula para a Polícia Civil, para a Polícia Penal. Então, ele era muito bem conceituado. Ali, a traição da confiança do próprio professor, porque ele não é treinado em segurança, ele é instrutor. Então, a traição da confiança foi vista ali dentro. Então, isso está provado. E podem vasculhar todos os telefones. Não existe uma mensagem do Hedilerson oferecendo essa arma”, declarou.
Patrick também afirmou que a defesa encontrou elementos que comprovariam a justificativa apresentada pelo réu para estar em Cuiabá.
“O grupo político patrocinou a ida dele para um campeonato de tiro que a acusação tinha a versão dele. Ninguém foi lá conferir. É a gente que teve que ir lá e trazer a prova de que ele realmente veio a Cuiabá patrocinado para fazer uma prova de tiro. Está tudo no processo e a acusação resolveu escolher não ver”, afirmou.
O advogado ainda questionou a interpretação dada às comunicações extraídas durante a investigação. Segundo ele, a existência de mensagens e codinomes não seria suficiente para relacionar Hedilerson ao homicídio.
“O Ministério Público invoca número de mensagens, mas não conteúdo. Um delegado prende e o outro solta. E o outro solta dizendo que não leu o que os investigadores escreveram”, disse.
Em outro momento, Patrick afirmou que a investigação teria sofrido de uma “visão de túnel”.
“O que ninguém percebeu está nas extrações. E eu me pergunto: por que não leram? Por que não leram que existia um grupo político que há mais de um ano se comunicava com a mesma frequência? Os mesmos codinomes? Iam para Brasília? Iam para o Rio de Janeiro? Iam para a Praça da Liberdade? Todo feriado? Mas só se tornou suspeito depois que inicia uma investigação? E a polícia, sim. Ela se perdeu na visão de túnel. Ela se perdeu na visão de túnel. Infelizmente. E hoje a gente vai provar.”
Defesa diz ter encontrado outros elementos
Patrick também afirmou ter identificado, nas extrações analisadas pela defesa, referências a outros grupos e possíveis contratações para crimes. A declaração representa a versão da defesa e deverá ser apresentada e confrontada com as demais provas durante o julgamento.
“Eu li as extrações. Eu analisei as extrações pelas ferramentas que a polícia produziu. E posso dizer que o que encontrei é devastador. Há várias contratações de grupos especializados em cometer assassinatos por investigados que simplesmente desapareceram. E é que não estou dizendo que li um papel e acho que é. Estou dizendo que está escrito que é. E ninguém fez nada”, declarou.
Ao ser questionado se essas informações seriam apresentadas ainda nesta quarta-feira, Patrick garantiu que sim.
O julgamento prossegue com os interrogatórios dos réus e, posteriormente, com os debates entre acusação e defesa. As versões apresentadas pelos advogados são teses defensivas e serão submetidas à análise do Conselho de Sentença juntamente com as provas e os argumentos do Ministério Público.
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