41 anos no judiciário 01.06.2026 | 17h45

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Junior Silgueiro/TJMT
A desembargadora Maria Erotides Kneip, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), se aposenta da corte nesta terça-feira (02), após 41 anos atuando no Judiciário. A desembargadora completa 75 anos no dia 4 de junho, feriado de Corpus Christi. A aposentadoria nessa idade é obrigatória para todos os magistrados do país.
Em um evento de despedida, realizado na última sexta-feira (29), se emocionou ao relembrar sua chegada à recém-instalada Vara Criminal de Várzea Grande, ainda em 1985. A cerimônia reuniu magistrados, servidores e amigos para celebrar a trajetória da desembargadora.
“É uma alegria muito grande. É como passar um filme. Eu vi Várzea Grande nascer. Instalei a Vara Criminal, o Tribunal do Júri, atuei na Infância e Juventude, assumi a Justiça Eleitoral. Foi praticamente o começo da minha vida como magistrada”, recordou.
Questionada sobre o legado que gostaria de deixar, a magistrada disse que espera que os novos magistrados se inspirem nela para olhar as pessoas que estão atrás dos processos. “Eu procuro deixar um legado de uma Justiça que olha, por detrás de cada processo, um rosto humano. É muito fácil abstrair do processo apenas uma tese jurídica e esquecer que atrás dele existem vidas, famílias e valores. Eu gostaria de deixar esse olhar humano, tanto para os jurisdicionados quanto para os servidores que atuam na Justiça”, declarou.
Entre as homenagens, o juiz Gabriel da Silveira Matos disse que conheceu a magistrada, ainda quando ela atuava em Várzea Grande, em razão da sua reputação de tratar de forma humana e acolhedora os reeducandos. “Pude acompanhar o trabalho dela, um trabalho humano, sensacional. Ela deixa uma marca de 25 anos em Várzea Grande. Participou e plantou tudo o que acontece hoje na comarca”, afirmou.
“Conheço a trajetória brilhante da doutora Maria Erotides, da juíza e da desembargadora. Ela deixa um legado de história, brilho, humanidade e referência como mulher. Suas reflexões sempre foram marcadas pela sensibilidade, especialmente em temas tão importantes como o enfrentamento à violência contra a mulher. Vai deixar uma lacuna, mas uma lacuna iluminada pelo exemplo de mulher, mãe e profissional que foi. Nunca é uma partida; é um brilho que continua”, afirmou por sua vez o juiz José Antonio Bezerra Filho.
Já a servidora Irani Oliveita Rodrigues, que falou pelos servidores do Fórum de Várzea Grande, recordou o trabalho de Maria Erotides em prol das mulheres que sofriam violência doméstica e familiar. “Mais do que uma magistrada admirada, tivemos a honra de conviver com uma mulher humana, acolhedora e sensível às dores e necessidades do próximo. Trabalhar ao seu lado nos ensinou valores que levaremos para toda a vida: respeito, empatia, justiça e amor ao ser humano”, disse.
Ao fim da solenidade, Maria Erotides fez um discurso emocionado, agradecendo o carinho recebido daqueles com quem trabalhou ao longo da vida profissional.
“Eu vou me aposentar, mas o meu entusiasmo, a minha crença na Justiça e o meu amor por vocês não vão ser aposentados. Vocês continuam no meu coração e na minha alma. Eu continuo morando em Várzea Grande e quero continuar trabalhando no enfrentamento à violência contra a mulher. Guardo comigo lembranças maravilhosas e uma imensa gratidão por tudo o que vivi aqui”, encerrou.
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