DAVAM APOIO AO CV 16.07.2026 | 07h10

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Divulgação
Mulheres ligadas a um projeto religioso investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso realizavam viagens frequentes ao Rio de Janeiro, frequentavam comunidades dominadas por uma facção criminosa e mantinham relacionamentos pessoais e íntimos com integrantes da organização, sendo parte dessas viagens custeada pelos próprios criminosos. As informações constam nas investigações que embasaram a Operação Fariseus, deflagrada na manhã desta quinta-feira (16).
A operação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), cumpriu um mandado de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão e medidas cautelares, como a quebra dos sigilos telefônico, bancário e telemático dos investigados. A Justiça também determinou a suspensão temporária do ingresso deles em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.
De acordo com a Polícia Civil, integrantes de uma mesma família são investigados por supostamente utilizar um projeto religioso para prestar apoio comunicacional, logístico e financeiro a uma facção criminosa com atuação em Mato Grosso e no Rio de Janeiro.
As investigações tiveram início após uma denúncia anônima apontar que o grupo utilizava a assistência religiosa para ingressar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e, supostamente, entregar celulares, carregadores e outros objetos ilícitos a lideranças criminosas. Embora essa suspeita ainda não tenha sido comprovada, a análise de aparelhos eletrônicos e de dados telemáticos revelou um conjunto de provas que, segundo a polícia, demonstra uma relação muito mais ampla entre os investigados e integrantes da organização criminosa.
Entre os elementos reunidos estão conversas telefônicas com presos, intermediação de recados entre internos e pessoas em liberdade, contatos frequentes com líderes da facção presos e foragidos e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foram as viagens ao Rio de Janeiro. Conforme a apuração, integrantes do grupo estiveram em comunidades controladas pela facção, onde foram fotografados ao lado de criminosos foragidos, lideranças da organização e homens armados com fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores. Também foram localizadas imagens de crianças portando armamentos personalizados e dos próprios investigados manuseando armas de fogo.
As investigações também identificaram videochamadas entre mulheres ligadas ao projeto religioso e chefes da facção que estavam foragidos da Justiça. Em uma das gravações, um líder criminoso participa da chamada enquanto um comparsa realiza disparos de fuzil em uma comunidade.
Segundo a Polícia Civil, o núcleo familiar também é suspeito de movimentar dinheiro em benefício da organização criminosa. A investigação aponta o recebimento de valores atribuídos a presos e lideranças da facção, com utilização de contas bancárias de familiares e terceiros para ocultar a origem dos recursos por meio de depósitos, transferências e fracionamento de valores.
Os investigadores ainda apuram indícios de lavagem de dinheiro, diante do suposto custeio de viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos para integrantes do grupo.
Outro diálogo interceptado revela que uma das investigadas teria solicitado a aplicação de um "salve" contra um homem acusado de furto. Também há conversas relacionadas à negociação de uma arma de fogo que estaria escondida em uma propriedade rural utilizada pela família.
A jovem presa preventivamente é apontada como responsável por utilizar a estrutura familiar e o projeto religioso para facilitar a comunicação e prestar suporte operacional à organização criminosa, extrapolando, segundo a Polícia Civil, a finalidade da assistência religiosa.
Os investigados respondem por organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro. O inquérito segue em andamento para individualizar a participação de cada envolvido e analisar o material apreendido durante a operação.
Batizada de Fariseus, a operação faz referência, segundo a Polícia Civil, ao suposto uso da atividade religiosa para promover aproximação, comunicação e apoio a integrantes de organização criminosa, em desvio da finalidade declarada.
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