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honra ferida 22.07.2024 | 13h13

Trabalhador negro vence ação ao ouvir que 'teria cara esfregada até parecer Michael Jackson'

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

Um lavador de carros de uma concessionária de veículos da Fiat, que foi chamado de “preto” por um colega, de forma pejorativa, será indenizado em R$ 4 mil. O autor da ofensa ainda disse que o trabalhador teria o rosto esfregado no chão até se parecer com o cantor Michael Jackson. O caso, porém, não foi considerado injúria racial.

 

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A decisão é da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT). Apesar dos desembargadores entenderem que o episódio não configurou crime de injúria racial, eles destacaram que a atitude feriu a honra do trabalhador.

 

O caso começou em uma conversa no trabalho sobre tons de pele. O lavador ouviu do colega que todos ali eram pretos, incluindo o próprio colega, que disse ter “orgulho disso”. Mesmo após falar que não gostava do termo e que “‘preto era palavra que não podia ser dita”, ele continuou sendo chamado assim. Em outra conversa, os ânimos se exaltaram. Neste momento, ouviu que teria a cara esfregada no chão até ficar branco como o Michael Jackson.

 

Na ação, o trabalhador pediu indenização por dano moral. Ele argumentou que foi vítima de injúria racial e que a empresa não tomou providências para evitar ou remediar o constrangimento. Ainda, disse que o comportamento do colega foi ofensivo e que a falta de uma resposta adequada da empresa agravou seu sofrimento.

 

A concessionária sustentou que os empregados estavam discutindo informalmente sobre tons de pele e que a expressão “preto” foi usada sem intenção ofensiva. Argumentou que, após a reclamação, aplicou uma advertência ao funcionário e que o ambiente de trabalho foi normalizado após um pedido de desculpas.

 

O caso foi ajuizado na Vara do Trabalho de Primavera do Leste. Conforme a decisão, embora não houvesse intenção inicial de ofensa, a brincadeira com conotação racial causou constrangimento.

 

“Fica claro assim, que, de início, não houve a intenção do preposto em ofender diretamente o autor. Porém, em se tratando de questões que abordam o tom de pele, a brincadeira que se seguiu trouxe incômodo e constrangimento pontuais, que considero justificáveis e que representam ofensa à sua personalidade”, explicou a juíza Tayanne Mantovaneli.

 

A concessionária de veículos recorreu ao TRT de Mato Grosso e pediu a exclusão da condenação por dano moral. Ao analisar o caso, todavia, a 2ª Turma manteve a decisão da magistrada.

 

Conforme voto da relatora, desembargadora Eleonora Lacerda, "uma vez demonstrada a atitude desrespeitosa praticada pelo preposto da ré, que constitui ato ilícito ou abusivo, do qual se depreende o abalo moral sofrido pelo autor, correta a sentença ao impor a reparação pecuniária correspondente".

 

A desembargadora explicou que, nesses casos, a responsabilidade da empresa é objetiva, ou seja, independe de culpa, e que a advertência verbal ao funcionário não afasta a responsabilidade.

 

“Desse modo, uma vez demonstrada a existência de circunstâncias que levem à lesão, a condenação do empregador à reparação do dano moral é medida que se impõe”, concluiu.

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Comentários

souza - 22/07/2024

A que ponto chegamos... Fico estarrecido com tanta falta de posição, de força desse homem que se disse ter sofrido injuria racial...penso aqui comigo...será que foi por isso mesmo? ou buscou auferir alguma vantagem...conversa sem nexo...o cara tem de ser firme...fala que não gosta e ponto final...não ficar buscando esse constrangimento para ele e para todos...quero ver esse rapaz buscar um emprego, fazer parte de a um grupo de amigos homens...eles ficarão com pé atrás ou seja serão tolhidos todos inclusive ele da espontaneidade de nossa alegria brasileira de brincar...na minha época não era tão cheia dessas conversas fiadas de homens fracos...olha nem lembro de uma conversinha dessas. Lamento pelo rapaz e pela decisão que tomou...ele mesmo colocou cercas ao seu redor...ele vai sentir isso quando souberem dessa situação, pois ninguém vai se por na frente de um cara que ao invés de resolver conversando vai às barras da justiça para buscar uma reparação...pode ter ganho a grana e seu ego saciado, mas ele também terá o preço dos que o ladeavam a não ser seus parentes irão se afastar, já ví histórias com esse mesmo enredo... Sinto por ele e pelo colega brincalhão...aliás não é mais seu colega...

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