20.03.2015 | 00h00
Prezados leitores, vamos conhecer um pouco como ocorreu a formação dos grupos entre os indígenas da etnia Bakairi, bem como a presença de subgrupos que existiam antes do contato com os colonizadores não indígenas.Conhecer essa questão nos ajuda a entender melhor a respeito da organização social deste povo.
Conforme nos foi explicado pelas pessoas mais velhas da aldeia, os Bakairi pertencem ao tronco linguístico chamado Karib. A denominação Bakairi foi estabelecida pelos não índios após o contato. Eles se autodenominam Kura que significa gente, cujo berço de origem do povo está localizado na região denominada Salto Sawâpa. Atualmente esse local fica situado no município de Boa Esperança, estado de Mato Grosso.
Contam que o povo surgiu de um único clã chamado de Awytydo Idamudo, conforme é narrado no mito de origem do clã, cuja descendência está relacionado com a onça, considerado um animal sagrado para esses indígenas. Posteriormente o clã de origem foi dividido em três subgrupos: Parua, Âgudoalu e Iguety.
Com o passar do tempo dispersaram para outros locais: um grupo foi localizar na cabeceira do rio Arinos, outro subiu seguindo o rio Paranatinga e o último foi morar na região do Xingu.
Com a política do governo no início do século XX, sobretudo através do Serviço de Proteção ao Índio, foi estabelecida uma estratégia de agrupar todos os índios em um só local. Com isso, os Bakairi do Xingu e os demais subgrupos foram trazidos ao posto indígena Simões Lopes, atual posto indígena Pakuera, no município de Paranatinga, estado de Mato Grosso.
Hoje, os Bakairi com os seus subgrupos, vivem distribuídos em nove aldeias existentes na terra indígena Pakuera e em duas aldeias na terra indígena Santana, no município de Nobres, estado de Mato Grosso. A grande maioria ainda são falantes da língua indígena.
O Povo Bakairi e os seus subgrupos ainda preservam suas práticas culturais como as danças do kapa, iakuigady, âryko e iawaisary. Também realizam o ritual sadyry, que consiste em furar os lóbulos das orelhas dos meninos, bem como o ritual saunâdyly no caso das meninas, que ficam em reclusão após a primeira menstruação.
Esse processo de concentrar os diferentes subgrupos em um único local foi marcado por uma série de situações complicadas, qual seja, o longo dessa trajetória, morreram muitas pessoas desses subgrupos. Os velhos sofreram com saudade de suas casas, suas roças e seus artesanatos, os quais não puderam carregar devido à distância. Outro aspecto foi que devido ao contato com os não indígenas, ocorreu uma série de epidemias como, por exemplo, a tuberculose e a gripe, que dizimou inúmeros integrantes dos subgrupos, assim com a morte de vários anciãos, ocasionando a perda de tradições nos diferentes subgrupos, agravado com o casamento entre os subgrupos, assim como com outros povos e até mesmo com não índios que trabalhavam como funcionários do governo nos postos indígenas.
Elias Januário é educador, antropólogo e historiador. Escreve às sextas-feiras em A Gazeta. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br
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