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12.11.2004 | 03h00

A língua e suas sutilezas

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Na sexta-feira próxima passada, nós falamos sobre a importância da geração dos nossos filhos; da relação pai-filho-professor. Na oportunidade dissemos também que o ato de educar é precipuamente dos pais, mas que cabe ao professor além do ato de educar, ou seja, proporcionar didática e pedagogicamente a necessária escolarização, não só dando-lhes informação de conteúdos, mas sobretudo formação de ética, cidadania. Falei também da precariedade de alguns professores e escolas, constituindo-se em barreiras na formação do intelecto de nossos jovens, com uma educação eficaz e integral. As estatísticas não nos deixam dúvidas. Temos formado nas escolas da fundamental, passando pelo ensino médio, superior e pós-graduação, uma legião de semiletrados. Mas queremos nos ater, hoje, sobre o ensino da língua portuguesa.

Encontramos, no dia a dia, muitas coisas que nos fazem ter dúvidas, por exemplo, na língua portuguesa. O pior é que, em vez de consultarmos um livro de gramática, um dicionário, preferimos escrever errado. Muito embora que, com o surgimento do computador, enormes auxílios aos escrevinhadores desnutridos ou mal amados da nossa língua pátria. Citemos algumas anomalias no cotidiano nos meios estudantis, políticos e jornalístico.

O que acontece, por exemplo, com as expressões tampouco e tão pouco. Geralmente as pessoas trocam a segunda pela primeira. Observemos: Tampouco significa e nem ou e não. Ex.: Ele faltou à aula, tampouco [e nem] explicou o motivo. Tão pouco significa muito pouco. Ex.: Ela estudou tão pouco que não foi aprovada.

Outras observações do cotidiano, se refere à trema. Embora este acento gráfico tenha sido excluída na Reforma Ortográfica de abril de 1995, num acordo Brasil/Portugal, ainda não entrou em vigor. Portanto a trema ainda existe. Coloca-se trema no U átono, antecedido das letras G ou Q e seguidos de E ou I. Devemos escrever: Freqüente, conseqüente, cinqüenta [atenção cincoenta não existe]. Muitas pessoas têm o hábito de preencher o cheque, grafando: cincoenta.

O verbo haver, no sentido de existir, fica sempre na terceira pessoa do singular. Ex.: Houve um problema na reunião; houve vários problemas no time do Fluminense.

O verbo fazer, no sentido de tempo, é impessoal; só fica no singular. Nunca devemos escrever ou falar: fazem dez anos; mas sim, faz dez anos desse acontecimento. Ex.: Faz dez anos que sou articulista de A Gazeta, cinco anos meus artigos eram com minha foto e, faz [ou há] cinco anos não mais se coloca a foto.

Outro detalhe importante: há, significa tempo passado. Então para que dizer: Há cinco anos atrás. Grafando-se há, já dá sentido de tempo passado. Senão é o mesmo que dizer subir para cima ou descer para baixo.

A fim {separado} significa com a intenção de; indica finalidade. Ex.: Estou a fim de continuar escrevendo em A Gazeta, mesmo sem as fotos nos meus artigos e sem a colocação do meu e-mail no rodapé. Afim {junto} indica parentesco, afinidade. Ex.: O prefeito eleito, recentemente, premiou com os melhores cargos apenas seus parentes ou amigos com maiores afinidades.

Outro "calo" para quem escreve e lê é a questão do têm, no plural. Não são poucos os textos de jornais e revistas em que a gente lê têm, {no plural} sem o acento circunflexo. Observe a diferença: Ele tem. Eles têm.

"Quem ama, espera". Frase correta? Claro que não! Quem ama é uma oração subordinada substantiva subjetiva; portanto, quem ama é sujeito de espera. Não se pode separar sujeito do verbo por vírgula. O correto é: "Quem ama espera". Toda vírgula é pausa, mas nem toda pausa pede vírgula.

João da Costa Vital é contador, pedagogo e analista político com especialização em Gestão Pública e escreve em A Gazeta às sextas-feiras.

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