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Opinião - A | + A

05.03.2011 | 03h00

Carnaval dos anos 60 e 70 - 2

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Os foliões que tinham mais bala na agulha concentravam-se no Bar Internacional, degustando um bom tira-gosto. A galera era formada por advogados, juízes, desembargadores, médicos, jornalistas, radialistas, historiadores, escritores e empresários bebiam: u[isque, hi fi, cuba libre, Pernout , moscatel San Rafael, martini. Gin Tônico ou cerveja, a moda era beber uma boa Teotónia, cerveja que saiu do mercado no inicio dos anos 60. Os garçons também serviam Brahma e Antártica rigorosamente bem gelada para o "Esquadrão do Copo".

O grande folião e sempre alegre Ramis Bucair, com o espírito do grande Generally Bunda de Fierro Simão Bolívar, que desmontou todas republiquetas da América do Sul, contratava os corneteiros Januário, Cerilo e outros do exército ou da Polícia Militar, quando de 10 em 10 minutos os corneteiros tocavam entrudo. A cada execução era aquela salva de palmas dos foliões.

Os corneteiros também tocavam nas ruas e avenidas de Cuiabá, na carroceria de uma camionete importada que foi batizada pelo Ramis de "Cremilda". Que tempo bom era uma boa farra, naquele tempo existia o respeito pelo próximo. Descendo a Getúlio Vargas a farra era maior no Bar do Bugre, Bar Pinheiro, Bar do Calil, Bar do Beto, Galo de Ouro, Bar do Grande Hotel, Bar Tip Top, Bar São Jorge, Petisqueira São Pedro, Bar do Michael, Bar do Chula, Bar do Antônio Maria - estes dois localizados próximos ao Americano Bar -, Rua do Meio, onde a turma de menor poder aquisitivo tomava o gostoso "rabo de galo" ou um bom traçado pra não pegar um resfriado, como já dizia o saudoso amigo compositor e cantor do Rio de Janeiro João Nogueira, em sua música "Baile do Elite".

A Rádio a Voz do Oeste promovia o concurso de Marchas e Sambas com cantores e compositores de Cuiabá. As músicas do maestro Waldemar Silva, Gentil Bussiky, Benjamim Ribeiro, Adolfo do Baú, Jacildo de Jesus e outras músicas eram defendidas no palco da RVO, por Rogério Castro, Gentil etc. Hélio Goiaba cantava em mesa de bares apenas um refrão. Quer tocar toca, não quer não toca. Não estou pra lero-lero e nem tão pouco de potoca. Quem terminou a letra foi o guitarrista Jacildo. Com dois mais dois quatro, três mais três seis, Arroz de festa quer pular mais uma vez. Arroz de festa era o apelido dado para aqueles que gostavam de festas, mas eram verdadeiros penetras. O tipo mais famoso de Cuiabá, poeta e cantor do povo Zé Bolo Flor cantava nos bares: A carestia está um horror, pra presidente nos queremos Bolo Flor. Falta transporte falta café, para o governo nós queremos Guaporé. Vai ver que é, vai ver que é, para prefeito nos queremos Peteté.

As marchinhas eram cantadas no Feminino, Dom Bosco, Grêmio, Náutico, Saionara, Centro Operário, Lira, no Curral de Bode no Mixto, Operário e na zona do Tabaris, Boite Alvorada, no Ribeirão da Ponte, na casa da Carminha, no Cabeça de Boi, Chão de Estrelas, Vale das Bonecas de Nelson Ponce e demais casas. Nos anos 70 surgiram as escolas de samba, Pedroca, Deixa Cair, Pega no Meu, Mocidade Universitária, fundada pelo saudoso amigo João Batista Jaudy. Em 1972 na UFMT, conversando com o poeta Silva Freire, ele, disse-me as escolas de samba vão acabar com os blocos carnavalescos e com o carnaval de rua, a previsão do poeta estava correta. Hoje Cuiabá não tem mais de rua e nem carnaval nos clubes. Como o meu tempo de carnaval já passou, vou "comer muita água" em uma chácara. Vá você também e um bom carnaval para todos!

Romeu Roberto Memeu é jornalista, comunicador e historiador em Cuiabá. E-mail: rrmemeu@terra.com.br

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