21.09.2005 | 03h00
Hoje é o Dia do Radialista. Os ambientalistas de plantão também celebram com muita força o Dia da Árvore. Este dia é uma justa homenagem ao chamado pai do rádio brasileiro, Edgard Roquete Pinto, que enfrentou inúmeros obstáculos para colocar no ar a primeira emissora do Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 21 de setembro de 1936. Era uma espécie de clube, todos pagavam mensalidades para manter a emissora no ar. Em 1936, como já existiam outras emissoras, Roquete Pinto cedeu sua parte para o governo federal, que transformou a Rádio Sociedade em Rádio Ministério da Educação.
Roquete Pinto nasceu no Rio de Janeiro em plena semana de comemoração do Dia do Radialista, 25 de setembro de 1884, e morreu na mesma cidade em 18 de outubro de 1954, aos 70 anos. Além de ser pioneiro do rádio e da televisão, era médico, escritor, antropologista, músico e professor consagrado no magistério pela difusão dos conhecimentos científicos, foi membro da Academia Brasileira de Letras, além de ocupar outros cargos importantes. No rádio imortalizou a frase "Pela cultura dos que vivem em nossa terra, pelo progresso do Brasil". Prestamos hoje e sempre a nossa homenagem a todos os companheiros que militam e formam opinião através da latinha, isto é, o microfone.
Um dia desses assisti na TV Assembléia um videoclipe onde o produtor cultural deve ter passado pela Lei de Incentivo à Cultura para a produção do mesmo. Até aí nada contra. Agora, o produtor não deu importância para aqueles que militaram e conhecem a verdadeira história do rádio em Cuiabá e Mato Grosso. Preferiu consultar alguns gurus que vivem de plantão e não sabem metade da missa. Eles jamais militaram no rádio e na televisão e foi aí que o produtor, por não ter conhecimento dos valores de outrora da cuiabania, não citou nomes de renomados profissionais que fizeram escola no rádio.
Muitos carregaram parte de transmissores nas costas suaram camisas para montar equipamentos no morro da rua da Fé, no morro do Seminário e no morro do Pico do Amor. Lá estavam os transmissores do A Voz D"Oeste Difusora e Rádio Cultura sob o comando dos técnicos de som Deodato Monteiro; Nicolau Morozoff; Ody Pedroso e mais tarde Toninho Triunfo.
Aproveitamos o dia para relembrar os excluídos do vídeo: Alves de Oliveira; Adelino Praeiro; Ivo de Almeida; Jota Márcio; Roosevelt Campos; Joilson Costa e Silva; Mário Márcio Torres; Afrânio Borba; Douglas Luís; José Avelino H. Siqueira; Arnaldo Camarão; Éden Costa; Francisco Miranda; Emerson C. de Mattos; Dirceu Carlino; Elbson de Morais; Olinto G.Filho; Alves de Holanda; Almeida Guimarães; Agenor Maciel; Robson Machado; Wille Luís; Paulo Zaviasky; Evaldo Duarte de Barros; Edivaldo Ribeiro; José Augusto Toledo; Nhô Boró; Ademar Paulino; Vilson Silva; José Eduardo E. Santo; Shirley O. Campos; Vanessa; Mário Leite; Aldo Neri; Tio João João; Compadre Crispim; Roberto Brunini; Rabelo Leite; Dorileo Leal; Márcio de Arruda; Alinor Silva; Cipó e Luiz Carlos; Ademir Rodrigues; Rubens Neves; Gevê; Sérgio Neves; Jorcy José; Amadeu Melo; Sebastião Barbosires; Romeu Roberto; Jair Figueiredo; Antero de Barros; Lino Pinheiro; Laércio de Arruda; Macedo Filho; Edipson Morbeck ; Lídio e Edgar da RVO; Aurora Chaves de Vasconcelos; Wanir Delfino César; Juvenílio de Freitas foi o primeiro locutor de Cuiabá; Benedito Pompeu de Campo Filho; Nelson Luís; Nilson Ramos; Mortadela; Fauser Santos;Ademir Lobo; Amaury Destro; Pedro Silva e Newton Alfredo; Luís Atílio; Augusto Mário Vieira; Eduardo Saraiva; Roberto França. Roquete viveu 70 anos, Dirceu Carlino está com mais de 70 anos e o vovô do rádio cuiabano sempre formando opinião. O rádio brasileiro tem mais de 80 anos. A Rádio Tupy do Rio completa 70 anos neste setembro. O radialista, jornalista e poeta Colli Filho trabalhou na Tupy por 66 anos apresentando os programas Colli Disco, Salão Grená e noticiários da emissora, morreu em 2004. O locutor Heron Domingues foi o mais talentoso apresentador do Repórter Esso desde a II Guerra Mundial, na Rádio Nacional do Rio e depois na Rádio Globo. O último apresentador foi o locutor Roberto Figueiredo, que, ao fazer a última apresentação do noticiário no dia 31 de dezembro de 1969, emocionou-se e chorou e não conseguiu terminar o texto com a firmeza de sua bela voz.
Romeu Roberto é jornalista, radialista, historiador, produtor cultural, crítico musical e escreve hoje excepcionalmente neste espaço
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