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24.05.2007 | 03h00

É possível assoviar e chupar cana?

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Como eu não posso pular, nem pedir ajuda aos colegas, nem aos universitários, vamos em frente.

Eu costumo dizer que conhecimento só não basta, ele é parte de um processo. Para que eu possa ser um indivíduo de sucesso (não necessariamente rico, tampouco famoso, apenas feliz na minha caminhada de vida), eu preciso muito mais que conhecimento. O conhecimento advém de dados que são transformados em informações e que, por sua vez, verificadas, analisadas, avaliadas, avalizadas ou não, interferem no nosso conhecimento, formando um novo.

Precisamos aprender a ligar esse novo conhecimento com outros que temos, ou seja, formar uma nova cultura. Precisamos aprender observar e utilizar, por exemplo, o nosso conhecimento de matemática para outras áreas de nossa vida. Veja a relação entre língua portuguesa e matemática: quanto é dois mais dois divido por dois? Espero que você não tenha respondido que é dois. Se respondeu, não tem problema, pois saiba que quase todo mundo a quem pergunto, é esta a resposta que tenho: dois. Na verdade a resposta é três. Devemos lembrar que a matemática possui uma regra sobre prioridade de operações, onde a divisão tem prioridade sobre a adição, de modo que devemos primeiro dividir o dois por dois (resultando em 1) e depois somar com outro dois, onde teremos o número três como resultado.

Ocorre que, quando escrevemos em "português", tendemos a primeiro somar e depois dividir (primeiro o dois mais dois, depois a divisão por dois). Mas quando escrevemos em "matematiquês", temos: 2+2/2. Agora ficou mais fácil de enxergar, não?

Quando conseguimos ligar, em nosso cérebro, várias culturas diferentes (matemática com português e história; finanças com qualidade de vida; trabalho com satisfação e aprendizagem, etc), podemos dizer que somos sábios. E sábio não é aquele velhinho que fica sentado dizendo coisas bonitas (e verdadeiras, também). O sábio é aquele que consegue interpretar uma informação, transformá-la em cultura, ligar suas várias culturas cerebrais e, aí sim, devolver a sua visão e sua interpretação de mundo para a sociedade. Sábio é quem devolve a sua opinião, não a do outro. Sábio não é papagaio, que ouve e repete. O sábio pensa para dizer e sabe ouvir. Como diz Augusto Cury, o sábio é o grande aluno da escola da vida.

O grande responsável por esse fenômeno é o nosso sistema de crenças. Na verdade, cada um de nós possui um sistema de crenças que é único. É como se fosse a nossa digital. Quanto mais nos abrimos para ouvir coisas novas e as analisamos com senso crítico, mais ativamos a nossa capacidade de interpretação e senso investigativo. É um grande exercício para a criatividade.

Para se ter uma idéia da riqueza de interpretação pessoal, em um dos cursos ministrados por mim, um participante, professor, deu uma grande contribuição. Disse ele que fez uma pergunta aos seus alunos: "É possível colocar o Brasil dentro de Cuiabá?" Uma de suas alunas (oitava série, se não me falha a memória), deu a seguinte resposta: "sim, professor, é possível, basta trocar de nome. O Brasil passa a se chamar Cuiabá e Cuiabá passa a se chamar Brasil". Eu fiquei encantado com a resposta. Ela foi perfeita, em relação à pergunta. Veja, se a pergunta fosse no sentido de ser possível colocar a quantidade de quilômetros quadrados do Brasil, dentro de um espaço de quilômetros quadrados que possui Cuiabá, a resposta, logicamente, seria "não". Mas como a pergunta não foi assim, a resposta pode ser considerada correta. Uma resposta extremamente criativa e que mostra uma criança com grande capacidade de percepção, atenção e de interpretação.

Precisamos enxergar as situações por vários ângulos, ou seja, trabalharmos a nossa habilidade de acharmos respostas novas para problemas antigos e respostas novas para problemas novos (ou até mesmo, utilizarmos respostas antigas para perguntas novas, desde que caiba, por que não?).

Diante de tudo isso, podemos responder a questão que deu título a este artigo: é possível sim, assobiar e chupar cana, só que não ao mesmo tempo.

Claudinet Antônio Coltri Júnior é professor universitário e consultor empresarial nas áreas de marketing e gestão de pessoas. E-mail: junior@coltri.com.br

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