16.06.2005 | 03h00
Falar errado, falar certo. "Eis a questão", diria Shakespeare. Já especialistas em linguagem - não ortodoxos - têm opinião definida: o importante é se comunicar. Muito que bem! Sendo assim, aqui em Cuiabá, o povo pode não ser, vamos dizer, um vocabulário ambulante, mas ninguém se trumbica, não é verdade?
Conversando com uma amiga, a jornalista Silvana Ribas, demos boas gargalhadas lembrando de algumas expressões comuns no falar cuiabano, usadas principalmente pelos mais humildes, mas que não deixam de ser pinçadas vez por qualquer um de nós.
A empregada dela não estava trabalhando a contento. Então ela a demitiu. A moça tascou:
- Estou de aviso "brévio"?
O outro entrou em um mercado e pediu um "inhorgute" e o outro um "iorgute" e o terceiro um "ingute" mesmo. Tudo para tomar um danone e tomou. Na tabacaria:
- Me dá por favor um "oliúde"?
E na loja de cosméticos, a mulher pergunta quanto custa um "míssel", não aquele detonável. Trata-se apenas de um grampo de cabelo, usado por beldades, as misses. Ou então, ela pede um "invisíver", o que também significa grampo, já que muitas vezes ele se esconde entre os fios, tornando-se... invisível.
A vizinha conta para a outra que uma conhecida está com "neucemia" (câncer no sangue), enquanto pendura a "flaudinha" do bebê no varal.
E uma das vítimas da Feicovag se chama Adiuçu. Pra que complicar? Um entregador de pizza que conheci se chama Maiquel Jequisson. Tá errado?
Como se limpa o quintal? Com a "bassoura", é claro. Outra amiga jornalista, Rita Comini, me contou que uma conhecida dela foi a um velório em uma residência bem simples e, quando foi fumar, pediu um cinzeiro. E a viúva respondeu: "Não precisa se preocupar não, trisca no chão que depois nóis barre".
E se alguém fica com raiva, reage: "Agora injerizei". Se vive fora da perfeita razão, está "písica".
No ponto de ônibus, a mãe briga com a filha que não "deu cum mão", para o ônibus parar. Por conta da omissão, a mãe "zanga" com a filha: "Sua anta baleada!"
Se o lugar fica próximo, "dá de ir a pé". Se o salário é depositado sem atraso, está "em dias".
Esse papo me faz lembra ainda de um outro amigo, também jornalista, o Anderson Pinho. Nascido em Várzea Grande, é especialista no falar da sua cidade. Faz a gente chorar de rir contando os "causos". Chinelo de dedo - me revelou ele - é o "bambolê", mas que só roda na hora de acertar o "sesso" (bumbum) de menino "peralta". Bateu palma na porta de casa: "Arrodeia!!!", gritam lá do fundo. Para conservar refrigerantes bem gelados, basta guardá-los no "eusopor" ou no "insopor". E assim vai.
Um ribeirinho, chocado com o mundo moderno, comenta com outro sobre um terceiro que assumiu a homossexualidade: "Fulaninho é envorvido com dação".
Entendeu? Então tá "bão demaaaas"!
Keka Werneck é editora de Nacional e Internacional e escreve neste espaço às quintas-feiras
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