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08.02.2005 | 03h00

Patricinha, eu?

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De acordo com o dicionário Houaiss, a expressão patricinha significa "jovem do sexo feminino que se veste com apuro, especialmente preocupada com a elegância e que geralmente freqüenta os lugares da moda". No meu entendimento são qualidades e virtudes que todas as pessoas deveriam ter, mas estão confundindo as coisas. Para o bom conhecimento do vernáculo (acho essa palavra horrível), faz parte o entendimento do significado das palavras.

Fui chamada de patricinha, vejam vocês, por não ser de origem pobre. Não acho que a situação econômica durante a infância seja fator determinante da qualidade ou do caráter do cidadão. Fui chamada de "ignorante e mente tacanha" por achar que o Fórum Social Mundial não passa de um agrupamento de pessoas que não têm a menor idéia do que querem e muito menos de como concretizar as burlescas propostas que saem entre uma celebração da vida comunitária e outra. Por quem? Por mais um daqueles comunistas de botequim, um recalcado social, só que este com uma peculiaridade, é sentimental, chora e se emociona por nada. Ilustre desconhecido. Mas isso não tem a mínima importância, o que importa é que o Fórum acabou.

E as propostas? De acordo com a declaração de um dos membros do grupo de metodologia do Conselho Internacional do FSM, Marti Oliveira: "O Fórum em si não tem propostas, mas facilita que as organizações façam as suas. É como criar um campo de futebol. Fazemos isso, mas os times têm que se organizar para jogar entre eles". Huuuummm.

Para mim, a melhor definição da finalidade do FSM foi dada por Ignácio Ramonet, um dos fundadores do Fórum. Prestem atenção: "A idéia é de recorrer a um punhado de idéias centrais e básicas que são indiscutivelmente comuns e consensuais à imensa maioria dos participantes do Fórum". Ai, Nelson Rodrigues aqui!

Depois de inúmeras discussões eles exigem a anulação da dívida pública dos países do Hemisfério Sul e que um deles sirva de sede para a Organização das Nações Unidas (ONU), que deverá ser transferida de Nova Iorque. Pretendem democratizar o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o futebol. Isso mesmo, o futebol! Ordenam o fim da ocupação do Iraque e que os EUA parem de ameaçar países como o Irã e a Venezuela. Declaram injusto o bloqueio a Cuba e pedem um julgamento justo para cinco cubanos presos nos Estados Unidos. Almejariam eles a mesma justiça que Fidel Castro usou quando executou, "democraticamente", alguns pretensos desertores?

A grande novidade deste ano foi a idéia de incentivar a formação de cooperativas de prostitutas, de modo a "tirar o cafetão (empresário do sexo) da jogada", segundo Gabriela da Silva, coordenadora da Rede Brasileira de Prostitutas que proferiu palestra. Para se chegar ao sistema de cooperativas, a proposta sugere "capacitações, levantamento de dados e divulgação na mídia alternativa". Capacitar prostitutas?

Das idéias e sugestões do FSM, a que mais eu gostei, pelo alto teor pitoresco, foi a "bioconstrução". É a proposta de construção de uma casa, digamos, natural ou ecológica. Essa casa, no lugar de telhas tem grama. É interessante, acreditem! Apesar de não ter ido ao FSM, vi uma reportagem a respeito. Não sei se no projeto a estrutura que sustenta esse telhado/mato, suportaria o peso de animais pastando. Seria interessante isso. Mas essa, por mais incrível que possa parecer, é uma das mais palpáveis propostas, pois foge do tradicional delírio coletivo.

Existem outras que a minha mente de patricinha burguesa não me permite entender, como a que pretende a "transmutação da consciência através da arte, explicando à população os novos paradigmas e a física quântica". Básico.

Bem, se ser "patricinha" é não participar dessa festa esdrúxula, ok. Mas eu sou normal!

Adriana Vandoni Curvo é professora de economia, consultora, especialista em Administração Pública pela FGV/RJ. E-mail: avandoni@uol.com.br

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