09.05.2008 | 03h00
Liberdade religiosa, além de direito constitucional inalienável (artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal), constitui marco civilizatório, estabelecido em milênios de história humana. A crise de valores contemporânea, no entanto, procura atribuir às religiões responsabilidade pelo desconcerto do mundo. Ocidente e Oriente cultuam tensões recíprocas, tendo como pano de fundo divergências ditas espirituais.
Na espiritualidade, porém, não há divergências. Nós, seres humanos, podemos divergir em relação ao que seja a verdade. Mas a verdade não tem controvérsias, nem é afetada por elas. A humanidade, sim, distanciou-se dela. Perdeu de vista sua própria dimensão divina, o Fio de Ariadne. Precisa recuperá-lo ou continuará presa à teia que ela mesma teceu.
É em meio a esse cenário que surge na Amazônia brasileira, há 47 anos, uma instituição religiosa, de fundamentação cristã-reencarnacionista, denominada Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, conhecida também pela sigla UDV.
Nasceu simples, cabocla, e hoje possui adeptos em todo o país, nos EUA e na Espanha. Ao todo, 140 núcleos. Brasileira de origem, universal em sua missão de promover o reencontro com o Sagrado, que se manifesta já no Sacramento de que faz uso, o chá Hoasca (Ayahuasca ou Vegetal).
Preparado com duas plantas da Amazônia - mariri e chacrona - é comungado ritualisticamente, para efeito de concentração mental. É inofensivo à saúde, como o demonstram a saúde física e mental dos que o utilizam há muitas décadas, além de pesquisas de conhecimento dos estados brasileiro e norte-americano.
Nos EUA, nossos adeptos conquistaram, em novembro de 2005, por unanimidade, na Suprema Corte, o direito constitucional de exercê-la. Fomos argüidos e investigados por sete anos, o que envolveu, além do conteúdo doutrinário, exame das propriedades do chá, já avaliadas por instituições acadêmicas de renome, como Escola Paulista de Medicina, Universidade da Finlândia, Universidade da Califórnia e Universidade do Novo México.
O governo brasileiro, por sua vez, constituiu, há dois anos, no âmbito do gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República o Grupo Multidisciplinar de Trabalho (GMT). Composto por autoridades científicas e instituições religiosas usuárias da Hoasca, concluiu pela legitimidade do seu uso ritualístico, autorizado anteriormente por duas resoluções do antigo Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), em 1986 e 1992.
O fundador da UDV, falecido em 1971, José Gabriel da Costa, criou-a com o objetivo de favorecer a construção da paz. Jesus é o referencial maior - e o Mestre Gabriel guia seguro a nos orientar.
Esses e outros esclarecimentos serão dados no Congresso Internacional da Hoasca, em Brasília, de hoje a 11 de maio, do qual participam também autoridades científicas e acadêmicas, do Brasil e do exterior, estudiosas dos trabalhos espirituais com a Hoasca, de milenar tradição entre os povos da Amazônia.
Ali, a UDV exporá seus fundamentos e objetivos e as razões que a fazem detentora do título de utilidade pública - em âmbito federal, estadual e municipal.
Raimundo Monteiro de Souza é mestre geral representante do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal
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