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31.03.2017 | 09h22

14 são presos envolvidos em 'esquema milionário' com prejuízo de 15 milhões

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Atualizada às 19h - Quatorze pessoas envolvidas em um esquema milionário de desvio de mercadorias foram presas na operação "Confidere", deflagrada nesta sexta-feira (31), pela Polícia Judiciária Civil de Sorriso (442 km ao Norte), para cumprimento de mandados de prisão preventiva, sequestro de mais de R$ 7 milhões em bens e 9 buscas e apreensões em três cidades do Nortão de Mato Grosso.

PJC/MT

Nove dos suspeitos foram presos em Sorriso, 3 em Sinop e 2 em Tangará da Serra. O delegado de Sorriso, Bruno Sérgio Magalhães Abreu, confirmou que cinco dos preso são gerentes da empresa vítima e tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos. Os demais foram autuados em flagrante por receptação qualificada.

Os cinco gerentes são: Fernando Rodrigues da Silva, apontado como o líder da quadrilha e gerente de vendas da empresa; Marcos Silva (gerente); Ricardo Alves de Oliveira Ferreira (gerente de expedição), Fábio dos Santos Alexandre (representante comercial da empresa, em Tangará da Serra) e Márcio Boria (gerente de expedição em Rondonópolis).

As buscas foram realizadas nas cidades de Sorriso, Sinop, Alta Floresta e Tangará da Serra, em empresas e residências dos suspeitos ligados ao esquema. Nos locais apreendidos folhas de cheques de bancos diversos e vários metais como tubos, bobinas entre outros.

A investigação iniciou em janeiro deste ano, depois de denúncia de uma empresa do ramo de fabricação e exportação de Aço Metal, sediada em Sinop (500 km ao Norte), por suspeita de que gerentes de alta confiança do estabelecimento estariam desviando materiais, por meio do cancelamento de notas fiscais.

A vítima é uma empresário renomado da cidade, que já ocupou cargo público no município, e que teve prejuízo que ultrapassa os R$ 15 milhões.

Em 2015, essa mesma empresa entrou com pedido de recuperação judicial por dívidas de R$ 38 milhões. Mas esse não seria o motivo da denúncia e, sim, o fato de inúmeras reposições do estoque sem aparentes explicações e também o cancelamento de notas fiscais emitidas pela própria empresa vítima, como se o material comercializado não tivesse saído do depósito.

Na investigação, presidida pelo delegado Bruno Sérgio Magalhães Abreu, foi detectado 1.200 notas fiscais emitidas e canceladas pelas empresa credora no período de 2 anos, totalizando mais de R$ 13,5 milhões em mercadorias supostamente devolvidas ou desistência de compras.

A Polícia Civil apurou o envolvimento de empresas de Sorriso, na receptação dos produtos comercializado fraudulentamente. "A vítima detectou uma nota cancelada em uma empresa de Sorriso, fizemos vigilância e comprovamos que o material foi entregue e a nota cancelada", explicou o delegado.

Conforme o delegado, recentemente foi descoberto um furto da empresa da vítima e na apuração chegou-se a empresa receptadora dos produtos em Sorriso. "A partir daí iniciamos uma investigação mais detalhada e foi descoberto que 5 gerentes vêm há anos roubando de forma gritante a empresa que trabalham", disse.

Os produtos desviados eram receptados por empresas da região, sendo 4 empresas de Sorriso, 3 de Lucas do Rio Verde, 1 de Alta Floresta, 1 pessoa física em Tangará da Serra, 1 em Barra do Bugres e suspeita de uma empresa em Tapurah, em concluío com os gerentes da Aço Metal

Os funcionários desde que passaram a operar o esquema acumularam patrimônios milionários, incompatíveis com os salários de R$ 4 mil, que cada um ganham. Eles responderão por crimes de organização criminosa, mediante a distribuição de tarefas, furto mediante fraude, abuso de confiança e concurso de pessoas.

"Estamos também investigando alguns crimes de lavagem de dinheiro praticados por um deles, tendo em vista que estão tentando ocultar bens em nome de terceiros. As empresas receptadoras vão responder por receptação qualificada e todas por crimes contra a ordem tributária, em razão dos produtos entrarem e sairem das empresas sem que o fisco fique sabendo. Será solicitada uma autoria em todas as empresas, por suspeita de irregularidades cometidas", finalizou o delegado Sergio Abreu.

Na investigação, a Polícia Civil representou pelo sequestro de mais de R$ 7 milhões em bens, referentes a carros de luxo, como BMW e fazendas, adquiridas ilicitamente pelos envolvidos.

Outro lado - O Grupo Contini - em respeito a seus clientes, colaboradores e toda sociedade - informa que em janeiro de 2017 denunciou às autoridades policiais a existência de desvio de produtos por parte de alguns colaboradores em suas lojas e fábricas de Sinop, Sorriso, Tangará da Serra e Rondonópolis, o que provocou a deflagração da operação da Polícia Cívil denominada "Confidere".

Inicialmente foi detectado o desvio de R$ 5,8 milhões, valores ainda em fase de apuração que podem ser majorados. Empresas em processos de recuperação normalmente optam por realizar uma grande reestruturação dos seus processos, durante este processo foram verificadas perdas e possível fraude dentro da produção.

Diante do fato a empresa prontamente informou a Polícia Civil, que culminou com a operação de hoje (31.03). Essa operação não tem relação com o processo de recuperação judicial das empresas e é resultado de melhorias nos controles de produção do grupo.

A empresa teve seu plano de recuperação judicial aprovado em novembro de 2016, que vem sendo cumprido regularmente. Foram quitadas as dívidas tributárias e trabalhistas. A partir de agora, parte destes ativos dos supostos criminosos foram bloqueados e deverão ser vendidos para ressarcimento.

A Contini, que é a denunciante desta ação, garante seu compromisso com os seus clientes e fornecedores, além das centenas de trabalhadores das cidades onde atua.

Antônio Contini
Sócio fundador e proprietário

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