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DOR E REVOLTA 12.04.2026 | 10h30

17 anos depois, caso Kaytto ainda marca Mato Grosso pela crueldade

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Reprodução

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Às vésperas de completar 17 anos do caso do menino Kaytto Guilherme Nascimento Pinto, de 9 anos, o relembra uma história marcada pela dor e pela interrupção precoce de uma rotina simples e familiar. O crime chocou Mato Grosso e ganhou repercussão nacional pela brutalidade e pelos desdobramentos judiciais, já que o autor estava em liberdade mesmo após histórico criminal semelhante.


Kaytto seguia um trajeto que fazia parte do seu dia a dia. Saía de casa sempre por volta das 11h, no Residencial Paiaguás, em Cuiabá, e caminhava cerca de 200 metros até o ponto de ônibus. De lá, pegava a linha 205, cruzava a região central e fazia integração até a avenida Fernando Corrêa.


O destino final era próximo ao trabalho do pai, onde os dois almoçavam juntos antes de o menino seguir para a escola, no bairro Jardim Petrópolis. Era um ritual diário, acompanhado de ligações para confirmar que tudo havia ocorrido bem.


Mas, naquele 13 de abril de 2009, Kaytto não apareceu.


O pai, ao perceber a ausência do filho no ponto combinado, entrou em desespero. As buscas começaram imediatamente, mas foram marcadas pela falta de pistas. Não havia registros de que o menino tivesse embarcado no ônibus, nem informações em hospitais. Era como se tivesse desaparecido no caminho que conhecia tão bem.


Dias depois, a confirmação mais dolorosa: Kaytto foi encontrado sem vida, vítima de um crime que abalou todo o estado. Kaytto foi abusado sexualmente e depois morto. 

 

Crime e prisão
As investigações levaram à prisão de Edson Alves Delfino, então com 29 anos. Ele trabalhava como servente de pedreiro em uma obra no condomínio onde o menino morava com a família. A prisão ocorreu 4 dias após o desaparecimento, quando ele tentava fugir de ônibus para Campo Grande (MS).


O corpo do garoto foi localizado somente após a detenção do suspeito, em uma área de mata no Centro Político Administrativo, a menos de 500 metros do Fórum e a cerca de 1,5 km da residência da vítima.

 

Chico Ferreira

Edson Alves Delfino

 

Edson já possuía um histórico criminal antes mesmo de assassinar o menino. Em 1999, ele havia sido condenado por crimes semelhantes em Primavera do Leste (231 km ao Sul), também contra crianças. Pelas ocorrências, as penas somaram mais de 46 anos de prisão. Ainda assim, cerca de 9 anos depois, ele já estava em liberdade condicional e vivendo na capital mato-grossense.


Pelo assassinato de Kaytto, Delfino foi condenado a 35 anos e 3 meses de prisão, por homicídio qualificado, atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver.

 

Mesmo encarcerado, o histórico de violência não cessou. Na Penitenciária Central do Estado, o condenado voltou a ser alvo de denúncia após ser acusado de cometer um novo crime contra um detento, de 26 anos.

 

Segundo o relato da vítima, ele teria sido rendido e ameaçado de morte antes de ser forçado a manter relação sexual. O caso resultou em nova condenação de 8 anos de prisão. Delfino negou a acusação, alegando que houve consentimento.

 

Com as condenações acumuladas, as penas atribuídas a Delfino ultrapassam 90 anos de prisão. No entanto, conforme a legislação penal brasileira, há limite para o tempo de cumprimento.


Mesmo assim, decisões recentes da Vara de Execuções Penais alteraram o cálculo da pena, especialmente após a unificação das condenações. Com isso, a previsão atual é que o condenado só possa ter acesso a benefícios como progressão de regime por volta de 2039.


Caso cumpra esse prazo, Delfino deixaria o sistema prisional com cerca de 59 anos.

 

Caso que marcou o estado
Passados quase 17 anos, o caso Kaytto permanece como um dos mais emblemáticos de Mato Grosso, tanto pela violência quanto pelas falhas que permitiram que o autor estivesse em liberdade na época do crime.

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