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Cuiabá, Quinta-feira 16/07/2026

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DENTRO DA PCE 16.07.2026 | 06h54

Polícia Civil mira família suspeita de usar projeto religioso para dar apoio à facção

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Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Fariseus para investigar integrantes de uma mesma família suspeitos de utilizar um projeto religioso para prestar apoio logístico, financeiro e comunicacional a uma facção criminosa com atuação em Mato Grosso e no Rio de Janeiro.

 

Durante a operação, foi cumprido um mandado de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos telefônico, bancário e telemático dos investigados, bem como determinou a suspensão temporária do ingresso deles em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.

 

As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo de Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

 

Segundo a Polícia Civil, os investigados utilizavam uma suposta atividade missionária em unidades prisionais para manter contato com detentos, transmitir recados, intermediar comunicação entre lideranças criminosas e familiares, além de movimentar recursos financeiros supostamente ligados à organização criminosa.

 

Os investigados são apurados pelos crimes de organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro.

 

Investigação começou após denúncia

 

As investigações tiveram início a partir de uma denúncia anônima informando que integrantes da família estariam utilizando um projeto religioso para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e entregar celulares, carregadores e outros objetos ilícitos a presos custodiados no raio de segurança máxima.

 

Embora a suposta entrega de celulares ainda não tenha sido comprovada, a análise de dados telemáticos autorizada pela Justiça revelou fotografias, vídeos, conversas e registros financeiros que, segundo a Polícia Civil, indicam que a relação dos investigados com presos, foragidos e integrantes da facção ia além da assistência religiosa.

 

As diligências identificaram conversas frequentes com detentos, intermediação de mensagens entre internos e pessoas em liberdade e contatos diretos com lideranças da organização criminosa.

 

Lavagem de dinheiro

De acordo com a investigação, integrantes da família recebiam valores atribuídos a presos e chefes da facção, utilizando contas bancárias de parentes e terceiros para realizar transferências, depósitos em espécie e fracionamento de recursos, numa suposta tentativa de ocultar a origem do dinheiro.

 

A Polícia Civil também apura indícios de custeio de viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos em benefício dos investigados, fatos que podem configurar lavagem de dinheiro.

 

Viagens ao Rio de Janeiro

Outro ponto apurado pelos investigadores são as viagens frequentes realizadas por integrantes do grupo a uma comunidade do Rio de Janeiro dominada pela facção criminosa.

 

Segundo a polícia, durante essas visitas foram produzidos registros fotográficos e vídeos que mostram os investigados ao lado de lideranças criminosas, foragidos da Justiça e homens fortemente armados. Também foram encontradas imagens de crianças portando armas de fogo e dos próprios investigados manuseando armamentos.

 

As investigações apontam ainda que mulheres ligadas ao projeto religioso mantinham videochamadas com líderes foragidos da facção. Em uma das gravações analisadas, um criminoso participa de uma chamada de vídeo enquanto um comparsa realiza disparos de fuzil em uma comunidade.

 

"Salve" e arma escondida

As conversas interceptadas também revelaram, segundo a Polícia Civil, que uma das investigadas solicitou a aplicação de um "salve",  termo utilizado por facções criminosas para determinar punições disciplinares,  contra um homem acusado de furto.

 

Outro diálogo analisado faz referência à negociação de uma arma de fogo que estaria escondida em uma propriedade rural utilizada pela família.

 

Prisão preventiva

A jovem presa preventivamente é apontada pela investigação como responsável por utilizar a estrutura familiar e o projeto religioso para prestar suporte operacional e facilitar a comunicação entre integrantes da organização criminosa presos e foragidos.

 

Conforme a Polícia Civil, a atuação extrapolava a finalidade da assistência religiosa e favorecia a aproximação e o apoio a lideranças da facção.

 

As investigações continuam com a análise do material apreendido, rastreamento da movimentação financeira e individualização da conduta de cada investigado.

 

Nome da operação

O nome Fariseus faz referência, segundo a Polícia Civil, ao suposto desvirtuamento da atividade religiosa para facilitar a comunicação, aproximação e o suporte a integrantes de organização criminosa.

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