CUIABÁ MAIS LEVE 19.07.2026 | 15h21

laisa@gazetadigital.com.br
Reprodução Emanoele Daiane/Prefeitura de Cuiabá
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), justificou a demora no início do programa “Cuiabá Mais Leve”, focado no tratamento da obesidade na capital, responsabilizando a falta de um protocolo formal no Sistema Único de Saúde (SUS) para liberar a entrega do medicamento Mounjaro. A proposta esbarra em burocracias federais, já que o remédio, embora liberado pela Anvisa, ainda não faz parte da lista oficial do Ministério da Saúde para distribuição gratuita.
O chefe do Executivo municipal destacou a dificuldade que existe para adaptar tratamentos particulares à realidade e às regras do atendimento público.
“Só dor e sofrimento para mim. Para implementar o programa Mais Leve, eu preciso de um protocolo do SUS. Porque o que acontece? É diferente da iniciativa privada. Na iniciativa privada, você vai lá, marca a consulta, o médico já te passa o medicamento e, às vezes, você já sabe que o medicamento está aplicado ali mesmo. No SUS não é assim, tem que ter uma rede de apoio, tem que ter um protocolo de atendimento, tem que ter todas as medidas”, explicou o prefeito, em coletiva na última quinta-feira (16).
Abílio ponderou que a dificuldade não se restringe a Cuiabá, pontuando que os governos estadual e federal enfrentam o mesmo obstáculo regulatório. Para exemplificar, o prefeito citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao argumentar sobre a necessidade de inclusão do fármaco na rede pública nacional.
“Tem que estabelecer toda uma rede de protocolo. ‘Ah, mas Abílio, por que você não conseguiu?’ O Estado também não conseguiu. Você lembra que o Gilberto falou que ele queria colocar o Monjauro no SUS do Estado também? E não conseguiu. O governo federal também não conseguiu. O próprio Lula falou em outras entrevistas que queria que tivesse esse medicamento de perda de peso no SUS. E ainda não conseguiu”, pontuou.
O gestor reiterou que o atraso decorre de um cenário normativo de âmbito nacional, e não de uma falha exclusiva da prefeitura de Cuiabá.
“Então não é o prefeito Abílio que não conseguiu, o Estado não conseguiu, o governo federal não conseguiu, porque ainda não está estabelecida a rede, o protocolo e a rede. E, para eu ter isso, fornecendo esse serviço, eu não posso pegar um medicamento que não está no rol taxativo do Ministério da Saúde e só começar a distribuir. Eu não consigo fazer isso”, afirmou.
Apesar das barreiras, Brunini assegurou que as verbas destinadas ao projeto seguem guardadas e que o município atua na estruturação interna necessária para regularizar o fluxo de atendimento.
“Eu estou tentando organizar a nossa rede e o nosso protocolo de apoio para validar ele nas demais instâncias, para que a gente possa distribuir esse produto. A emenda da vereadora não perdeu, ela está com a gente, a gente vai deixar ela no recurso do orçamento. O único problema é esse”, concluiu o gestor.
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