'corrupção embaixo da nossa barba' 13.08.2026 | 12h59

redacao@gazetadigital.com.br
Allan Mesquita
O deputado estadual Valdir Barranco (PT) cobrou que os colegas de parlamento assinem o requerimento de instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que se propõe a investigar as denúncias de irregularidades no acordo de R$ 308 milhões firmado pelo governo do Estado, na época da gestão de Mauro Mendes (União), com a empresa de telefonia Oi. O deputado disse que os parlamentares não podem deixar que o Supremo Tribunal Federal (STF) "esfregue na cara da Assembleia" que a corrupção ocorreu embaixo da barba dos deputados.
“A Assembleia Legislativa está devendo. É vergonhoso para a Assembleia Legislativa. Eu tenho vergonha disso. Como que os nossos colegas deixam chegar a esse ponto? Tem que ter uma operação da Polícia Federal com decisão do Supremo num caso de corrupção escancarado?”, afirmou Barranco em conversa com a imprensa na quarta-feira (12).
Para Barranco, se a Assembleia Legislativa ficar inerte diante dos elementos apresentados a partir da investigação da Polícia Federal (PF), os deputados seriam humilhados pelo andamento do processo no STF.
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“Os nossos deputados que não assinaram ainda, espero que eles tenham consciência, que eles assinem, que investiguem e que não deixem apenas para o Supremo esfregar na nossa cara que a Assembleia Legislativa passou pano, que a Assembleia Legislativa aceitou a corrupção embaixo da nossa barba”, declarou.
Conforme o deputado, todos os deputados sabiam sobre as supostas irregularidades, mas ninguém nunca tomou nenhuma providência por temerem se indispor com o então governador Mauro Mendes e seu grupo político.
“Todo mundo aqui sabia e aí, porque tem que puxar o saco do governador, porque tem que estar de bem com o governador, nós vamos fechar os olhos para isso?”, questionou.
CPI da Oi movimenta o Legislativo Estadual
Após a grande repercussão da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (06), parlamentares voltaram a discutir a possibilidade de instalar uma CPI para investigar as supostas irregularidades no acordo que resultou no pagamento de R$ 308 do governo do estado para a companhia de telefonia Oi.
Mais cedo, o
informou que o pedido já conta com sete assinaturas para ser instalado. Conforme o regimento interno da Assembleia Legislativa o número mínimo é de oito assinaturas.
A investigação da PF foi de que existia uma suposta organização criminosa que praticava crimes contra o sistema financeiro nacional, peculato, lavam de dinheiro e insider trading, que é o uso de informações privilegiadas para obtenção de lucro no mercado de investimentos.
Tudo isso por meio de um pagamento de precatórios na ordem de R$ 308 milhões para a empresa de telefonia Oi S. A. Esses recursos acabaram sendo depositados em fundos de investimentos vinculados a diferentes núcleos da organização.
O primeiro fundo, chamado Royal Capital FIDC, cujos recursos passaram pela Zurich FIM até chegar na London FIP. Esta última comprou participações acionárias na empresa Parecis Bioenergia, que pertence a um fundo controlado pela família Mendes. Conforme a PF, isso teria permitido que os supostos recursos públicos desviados fossem incorporados ao patrimônio da família, fingindo uma transação acionária corriqueira.
O segundo fundo, chamado de Lotte Word FIDC, seria ligado a Fábio Garcia. A investigação identificou uma dinâmica similar: foram criadas diversas camadas de fundos que investiam um no outro sem razão aparente, senão tentar ocultar as transações. No final das contas, o dinheiro supostamente desviado dos cofres públicos era convertido em investimentos privados de baixa liquidez, que é quando o investidor não consegue sacar o dinheiro antes do prazo. Esses fundos seriam ligados às empresas Parecis Bioenergia e Hotéis Global S. A.
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