'mulher não sabe votar' 30.06.2026 | 17h13

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A ex-senadora Margareth Buzetti (PP) manifestou sua indignação com os recentes episódios de violência política de gênero protagonizados por figuras da direita. Em entrevista, a parlamentar criticou a postura de bolsonaristas, alertando para o impacto eleitoral dessas condutas e cobrando um posicionamento público imediato do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
“Ontem aconteceram duas violências em discursos. Uma do Oswaldo Eustáquio, que é um cara que falou da Damares coisas impublicáveis. Ele foi extremamente grosseiro e machista, horroroso. E outro foi o Paulo Figueiredo, quando fala que as mulheres não sabem votar, que as mulheres vão ‘arrancar os pentelhos da calcinha’ quando as feministas ouvirem o que ele está falando”, afirmou em coletiva nesta terça-feira (30).
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Questionada se esse tipo de conduta enfraquece o discurso e a coesão da direita, inclusive no plano estadual, Buzetti afirmou que não costuma se chocar com muitas coisas na política, mas que aquilo a impactou.
“Olha, não tem como dizer que não. Claro que enfraquece, lógico que enfraquece. Eu lamento muito. Eu acho que o Flávio vai ter que se esforçar muito, vai ter que trabalhar muito para combater isso. Porque é um fato, não adianta”, declarou.
A crise também atinge os bastidores e o núcleo da família Bolsonaro. Ao comentar os recentes desabafos públicos feitos pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), a empresária revelou que o descontentamento já havia sido externado de forma reservada.
“Olha, tudo o que ela falou no vídeo dela, ela conversou com a gente no jantar que ela teve uma semana antes. Tanto que a gente amanheceu com o vídeo e olhou e disse: 'Nossa, tudo o que ela falou para nós, ela publicou'. Então, assim, eu não gosto de fato de a gente lavar roupa suja pela imprensa. Eu acho que a gente tem que se acertar fora”, alegou.
Entretanto, a senadora saiu em defesa da ex-primeira-dama ao criticar seus enteados, principalmente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que foi cassado e mora nos Estados Unidos.
“Mas eu acho que ela fez um desabafo, penso que ela fez um desabafo. Principalmente contra o Eduardo, que é moleque ao quadrado. É um idiota que fica falando o que quer. Acho que pode dizer o que quer, o que pensa. Não é assim. Eu penso muita coisa que eu não falo”, disparou.
Apesar de poupar Flávio Bolsonaro do rótulo de radical, apontando que ele se diferencia positivamente dos irmãos, Buzetti alertou que o senador não pode se esquivar do debate sobre o machismo de seus aliados.
“Não tem dúvida de que o discurso deles prejudica ele. Eu sempre falei, o melhor deles é o Flávio, o melhor deles é o Flávio, agora os outros... O discurso dos outros não dá, como mulher eu não aceito”, declarou.
Para ela, a sobrevivência política do parlamentar diante do eleitorado feminino dependerá de um rompimento público com as ofensas proferidas contra as mulheres de seu próprio grupo político.
“Ele tem que se posicionar. Eu não vi se posicionando em respeito ao ataque da Damaris ontem, ao que o Paulo Figueiredo falou. O Flávio tem que se posicionar com isso, contra isso, porque senão quem cala consente. Ele está sendo omisso e está concordando, então ele tem que vir a público e falar sobre isso”, concluiu Buzetti.
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