garimpo de ouro 14.08.2026 | 13h20

pablo@gazetadigital.com.br
João Vieira
A Justiça Federal de Campinas determinou o envio de um desmembramento da Operação Hermes para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que aponta indícios de envolvimento do ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), em um esquema de comércio ilegal de mercúrio usado na garimpagem oculta de ouro. O uso da substância é proibido no Brasil.
Com a decisão, o político passa a ser investigado oficialmente no âmbito do processo que apura a atuação de uma suposta organização criminosa. A remessa ao STJ ocorreu porque os fatos sob apuração coincidem com o período em que Mendes chefiava o Executivo estadual, o que atrai a competência do foro por prerrogativa de função, e que teria cometido delitos na época.
“Há, portanto, indicativos importantes de que a Mineração Aricá é uma empresa que pertence também a Mauro Mendes, pessoa que detinha, na época dos fatos, a função de governador, e concomitantemente visitava o garimpo referido, demonstrando possível cometimento dos delitos no exercício do cargo eletivo”, diz trecho da decisão do juiz federal Anderson Vioto Silva.
Leia também - Com aval de Pivetta, Dilmar Dal Bosco segue como líder do governo na Assembleia
Conforme a decisão judicial, Mauro Mendes figura como sócio de uma das empresas investigadas pelo esquema, a mesma sociedade que já havia tornado seu filho, o empresário Luís Antônio Taveira Mendes, alvo da Polícia Federal. Na época, foi pedida sua prisão, mas negada pelo Judiciário.
‘Povo do governador’
O nome de Mauro Mendes já havia aparecido anteriormente nas apurações da Operação Hermes por meio de interceptações telefônicas e trocas de mensagens obtidas pela Polícia Federal. Em diálogos captados pelos investigadores, membros da suposta organização criminosa faziam menções explícitas ao "povo do governador" para se referirem a interlocutores ligados ao grupo e demonstrar trânsito político para viabilizar as operações ilícitas.
A informação consta no inquérito policial que embasou a decisão judicial que autorizou a 2ª fase da Operação Hermes da Polícia Federal. Em um dos trechos, Alberto Veggi dialogava com Arnoldo Veggi, sugerindo que os compradores poderiam ser do “povo do governador” ou de alguma cooperativa de garimpeiros da região.
“ALBERTO - Então, não sei quem é esse povo. Só se for o povo lá do, do, como que fala, do governador. Ou está usando para outra coisa, né, cara? Não é possível. Ou pode ser cooperativa, quando tem 20 garimpeiros”, diz trecho do áudio interceptado pela Polícia Federal.
Alberto e Arnoldo compõem o ‘Grupo Veggi’ responsável pela venda ilegal de mercúrio e pelos principais alvos da primeira fase da operação em dezembro passado. Em outro ponto, ele explica como negociava e vendia, de forma ilegal, para os clientes compradores de mercúrio nos garimpos. Ele ainda envia algumas mensagens para Arnoldo e explica como eles vendem sem Nota Fiscal.
No diálogo, os dois confessam que fizeram nota fiscal de compra de bola de ferro para a mineradora Aricá, mas que enviaram mercúrio. “Logo após, no mesmo trecho, Arnoldo informa que era o garimpo do governador”. A conversa deixava entender que tinha certa proximidade com o governador e que as empresas são de Mauro Mendes.
Segundo o inquérito, Rafael Martins Moreira dos Santos, conhecido como ‘Rafael Pequi’, era o intermediador da venda e compra de mercúrio com algumas empresas. O contato era Rafael Piqui, que, entre outros clientes, negociava e mantinha a mineradora como compradora assídua de mercúrio.
Na conversa citada, Rafael pede que faça a nota fiscal de bola de ferro, mas o produto real, que foi entregue, era mercúrio clandestino.
“RAFAEL - Aí ó, Dodô, é pra emitir nessa daí, cara. Você pode colocar bola nesse negócio aí e aí ele vai ficar com uma fechada. A 1300. A 1300 o quilo. Tá porra! É do Mauro, cara! Ele é amigo do meu pai, cara. Eu tô falando pra você, eu tô correndo dentro desse trem aí, cara. Nós vamos vender”.
A Operação Hermes, deflagrada pela PF e pelo Ibama, mira uma rede complexa responsável pela introdução e distribuição ilegal de mercúrio no país para abastecer garimpos na Bacia Amazônica e em Mato Grosso. A inclusão do ex-governador no inquérito ocorre após desdobramentos que começaram a atingir seu núcleo familiar em 2022 e 2023.
A revelação do envolvimento de Luís Antônio Taveira Mendes na apuração havia gerado forte reação do político. No período em que as investigações sobre o filho vieram à tona em 2023, Mauro Mendes moveu interpelações e processos judiciais contra veículos de comunicação e jornalistas localmente por noticiarem as apurações da PF e os pedidos cautelares formulados contra sua família.
Com o envio das peças ao STJ, caberá ao Ministério Público Federal avaliar o oferecimento de denúncia ou a solicitação de novas diligências para aprofundar a apuração sobre a conduta do candidato ao Senado.
Outro lado
O
procurou a assessoria do ex-governador Mauro Mendes, que, até a publicação, não retornou. A matéria será atualizada assim que ele se manifestar.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.