cenário delicado 17.07.2026 | 18h25

laisa@gazetadigital.com.br
Montagem GD
A vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia (MDB), afirmou que recebe as falas do prefeito Abílio Brunini (PL), sobre sua intenção de se licenciar do cargo por 15 dias em setembro, com “respeito” e garantiu estar pronta para assumir o comando do Palácio Alencastro caso as obrigações institucionais exijam. Assim, ela tenta minimizar a polêmica de seu distanciamento político com o gestor por conta de divergências internas e partidárias.
No entanto, o anúncio da licença abre uma série de questionamentos, uma vez que a coronel Vânia é pré-candidata a deputada estadual pelo MDB nas eleições de outubro. Pela legislação eleitoral brasileira, um vice que assume a chefia do Executivo nos seis meses anteriores ao pleito torna-se automaticamente inelegível para outros cargos. Como a licença está prevista para o período eleitoral, o ato colocaria em xeque os planos políticos da representante.
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Em nota oficial enviada ao
, a vice-prefeita evitou confrontar o prefeito ou demonstrar recuo em suas ambições proporcionais, defendendo a tese de que suas funções na prefeitura e sua campanha são conciliáveis.
“Entendo que uma missão não impede a outra. Assim como tenho feito durante toda a pré-campanha, é perfeitamente possível conciliar minhas atividades políticas com as obrigações institucionais, e em estrita observância à legislação”, destacou Vânia.
Ela reforçou ainda que seu maior compromisso é com a população cuiabana.
“Se o município precisar de mim, estarei pronta para assumir as responsabilidades que a função de vice-prefeita exige, cumprindo meu dever com dedicação e espírito público. Quem exerce um mandato deve estar preparado para servir quando for chamado”, pontuou.
No dia anterior, em coletiva, Abílio Brunini havia assegurado que a linha de sucessão natural seria mantida, descartando repassar o cargo para a presidente da Câmara de Vereadores, Paula Calil (PL), aliada de primeira hora. O prefeito justificou que o afastamento temporário serviria para poupar a gestão de paralisações burocráticas enquanto ele cumpre agendas eleitorais e apoia a candidatura de sua esposa, Samantha Iris (PL), no interior do estado. A primeira-dama mira uma vaga na Assembleia Legislativa, assim como Vânia.
Embora o discurso público de ambos os lados adote um tom de paz institucional, existe a possibilidade de esta “conciliação” mencionada por Vânia encontrar barreiras na Lei das Inelegibilidades (LC 64/90). Se ela de fato assinar qualquer despacho como prefeita em exercício a poucos dias da eleição, sua candidatura à Assembleia Legislativa poderá ser contestada e barrada pela Justiça Eleitoral.
Caso o impedimento legal se confirme, restará a Abílio despachar de forma remota nas viagens ou, em última instância, abrir espaço para que a presidência da Câmara assuma interinamente as rédeas da capital, o que também poderá ser alvo de críticas em razão das tensões entre o Palácio Alencastro e a Casa de Leis.
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