‘REFÉM DE INTERESSES INDIVIDUAIS’ 16.07.2026 | 17h58

laisa@gazetadigital.com.br
Reprodução Emanoele Daiane/Prefeitura de Cuiabá
A rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pelos vereadores foi tratada pelo prefeito Abilio Brunini (PL) como uma retaliação política dos parlamentares à sua atitude perante a eleição da Mesa Diretora. Para ele, o projeto virou “refém” de interesses individuais dos vereadores que disputam o comando do parlamento.
“A Câmara Municipal está polarizada por causa dessa discussão da Mesa Diretora, vereadores que estão votando contra o bom senso, contra a realidade dos fatos, simplesmente por polarização política. [...] Um outro lá chateado porque teve uma decisão... Gente, erro deles”, afirmou nesta quarta-feira (16), após sessão na Câmara.
Leia também - Vereadores rejeitam LDO e Câmara não terá recesso até novo texto ser aprovado.
Apesar da dificuldade técnica de governar sem as diretrizes aprovadas, o prefeito minimizou os impactos de imagem sobre a sua gestão e transferiu a responsabilidade do desgaste diretamente para os legisladores.
“Da minha parte, cumpri meu dever. Meu dever não é aprovar, meu dever é enviar. Então enviei. Não aprovou, vida que segue. [...] Eu, como prefeito, não estou sendo prejudicado em nada. O meu mandato segue, eu continuo trabalhando. Quem fica prejudicada agora é a população, que fica sem a lei de diretrizes atualizada”, rebateu.
O que provocou esse desentendimento entre o prefeito e sua base de apoio foi a tentativa contínua de interferência do Executivo na eleição da Mesa Diretora, com a intenção de reeleger a vereadora Paula Calil (PL), tendo o vereador Dilemário Alencar como “Plano B”. Contudo, Dilemário acabou votando contra a aprovação da LDO, expondo a fragilidade dessa aliança momentos antes de voltar a se colocar como candidato na Mesa.
Ao ser questionado sobre o clima negativo com seu antigo líder de governo após o voto contrário, Abílio ironizou.
“Para mim não está clima ruim nenhum. Para ele, tem que ver se essa é a melhor estratégia para ele conseguir os votos necessários para ganhar a mesa diretora. Eu não sou vereador, eu não voto. Então é ele que tem que avaliar as decisões que ele toma”, alertou.
O prefeito insistiu em separar o que considera apoio de governabilidade das negociações por cargos na Mesa Diretora, criticando os parlamentares que misturam os dois cenários para pressioná-lo e criticá-lo.
“Eu pessoalmente acho que mesa era mesa e base era outra coisa. Eles estarem misturando isso durante algumas votações, eles votarem em bloco como se fosse uma oposição ou um grupo ligado ao grupo do Ilde, é uma decisão deles. A cada vez que eles votam contra a prefeitura ou contra a gestão em bloco, é uma decisão deles”, declarou, adotando uma postura de indiferença após acusações de manipulação de sua base.
O prefeito também foi interpelado sobre os desabafos de sua esposa e líder de governo na Câmara, Samantha Iris, que declarou estar “decepcionada com a vida” e pontuou que o “jogo é baixo” nos bastidores do parlamento, onde vereadores estariam tentando “colocar a faca no pescoço” do prefeito. Abílio confirmou que existem fortes pressões externas no processo, mas garantiu que não cederá a “chantagens políticas” para restabelecer a harmonia com o Legislativo.
Ao ser questionado se não seria seu papel como gestor negociar mais intensamente com os vereadores para evitar que o impasse prejudique Cuiabá, Abílio foi enfático ao rejeitar o que não são atribuições do Executivo.
“É dever meu mandar para a Câmara Municipal. É dever meu negociar com os vereadores para aprovar? Não é. É dever meu tentar ofertar o que eles querem para poder aprovar? Não é. É dever meu ceder à pressão política deles e apoiar o cara que eles querem empurrar para mim? Não é. O meu dever é mandar para a Câmara. O meu dever não é ceder à pressão deles pelos interesses pessoais deles para poder conseguir o voto”, concluiu.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.