DEU EM A GAZETA 19.01.2026 | 06h44

redacao@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
Vereador Daniel Souza Silva Monteiro (Republicanos), 30 anos, finalizou o seu primeiro ano de mandato em 2025 como estreante na Câmara Municipal de Cuiabá.
O mais jovem dentre os 27 parlamentares da Casa, Daniel Monteiro cita a importância do vice-governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), para sua carreira política e avalia tanto a expectativa ao ingressar na Câmara quanto a frustração com a atual relação entre Legislativo com o Executivo Municipais. O vereador, inclusive, tece críticas ao trabalho conduzido pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), mas salienta que sabe separar a relação pessoal com a do âmbito político.
Em 2025, o parlamentar atuou como presidente da Comissão de Educação, além de participar na relatoria de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Daniel Monteiro também detalha prioridades de mandato e quais as metas para esse novo ano na Câmara.
A Gazeta - Como é que o senhor avalia esse seu primeiro ano de atuação como vereador de Cuiabá?
Daniel Monteiro - Há surpresas positivas e negativas. Por um lado, eu vejo que há mais vereadores do que eu imaginava, com real compromisso com a cidade. Por outro, o que me surpreendeu muito negativamente é o nível das discussões que nós temos na Câmara. Eu imaginava que, diante dos altíssimos salários que nós temos, nós teríamos discussões mais profundas sobre o desenvolvimento da cidade. Entretanto, a gente acaba discutindo questões muito menores. Então, eu acho que a gente tem que se pautar um pouco mais nas questões macro, quais sejam a gestão pública, organograma, fluxograma, número de cargos, tamanho da folha de pagamento da prefeitura, que é isso que vai resolver os problemas.
A Gazeta - No início de 2025, um dos seus discursos de posse foi a união dos vereadores com a Prefeitura. Como é que foi essa relação do Legislativo e do Executivo Municipais?
Daniel Monteiro - Eu vejo com péssimos olhos a relação, do jeito que ela se dá. O prefeito indo para a Câmara para constranger o vereador, enquanto ele deveria estar administrando a cidade. Eu sei que a gente não vai reescrever a política, mas é importante dizer que a mesma dinâmica que acontecia com o prefeito Emanuel Pinheiro, que era de negociação de apoio político em troca de cargos, está acontecendo agora. E eu não gosto disso, tanto que eu não tenho nenhum cargo na prefeitura.
A Gazeta - Então, essa atuação em conjunto viu mais dificuldade e quebra de expectativa, pode dizer assim?
Daniel Monteiro - É, eu quebrei minha expectativa porque o prefeito Abilio se elegeu com a promessa de alterar a dinâmica de relacionamento entre as instituições e está reproduzindo aquilo que ele criticava.
A Gazeta - E como o senhor vê essa parceria entre a maioria dos parlamentares da Câmara?
Daniel Monteiro - Claro que cada um ali está pensando só na sua própria reeleição, infelizmente. Agora, eu consigo parcerias estratégicas a depender do projeto. Mas, quando o Executivo bate o pé e fala que é inegociável, infelizmente a gente perde a batalha. O Executivo realmente exerce uma influência muito grande ali na Câmara Municipal, maior do que deveria, na minha opinião.
A Gazeta - E qual que é a nota que o senhor dá para o líder do prefeito na Câmara?
Daniel Monteiro - O Dilemário? Cinco. Não tá indo nem tão bem, nem tão mal. Acho que ele poderia ir muito melhor se o prefeito deixasse ele trabalhar. Eu não preciso do líder do governo para nada porque eu não sou da base. Então, para mim, faz pouca diferença. Mas, pela insatisfação que a turma tem da base com ele, eu vou colocar um cinco.
A Gazeta - Em 2025, o senhor foi convidado pelo prefeito para comandar a Secretaria de Educação, uma das suas áreas de prioridade de mandato. Por que o senhor não aceitou?
Daniel Monteiro - Primeiro, porque eu me elegi pra ser vereador. E, no primeiro ano de mandato, eu abandonar a função seria demais. Segundo, o secretário Amauri é mais do que capaz e ele tinha acabado de chegar. E, terceiro, o Abilio é de um jeito e eu sou de outro. É difícil você trabalhar com um chefe que você não respeita. Não tô dizendo que eu não respeito ele como prefeito. Eu respeito porque ele foi eleito pelo povo, mas eu não respeito ele intelectualmente. Eu acho que ele não dá autonomia aos seus secretários e eu não sirvo pra trabalhar sem autonomia.
A Gazeta - E nessa sua relação com o prefeito, vocês tiveram alguns embates públicos. O prefeito até disse que o senhor tem uma boa oratória, mas que tem que melhorar muito. Como é a sua relação com ele hoje?
Daniel Monteiro - Eu quero agradecer o prefeito por elogiar minha oratória, minha eloquência. Fico muito feliz em saber que ele me acompanha, que ele me assiste. Sempre bom a gente ter fãs. Mas, o meu relacionamento com ele é de vereador para prefeito. Se ele estiver indo bem, eu vou aplaudir. Agora, quando ele estiver fazendo besteira, eu tenho que avisar. E ele tem que entender, que aquele que critica e que é capaz de dizer quando ele comete um equívoco, é o que vai fazer bem pra ele. Se cercar de puxa-saco é o pior cenário pra uma pessoa que lidera uma cidade como Cuiabá porque ele é incapaz de dizer quando você está errando. Infelizmente, o prefeito é incapaz de ouvir críticas, de mudar de ideia e é incapaz de ter humildade. E enquanto ele não desenvolver essas capacidades, Cuiabá vai sofrer bastante.
A Gazeta- O senhor descartou concorrer nas eleições desse ano, mas reiterou o seu apoio ao Pivetta. Queria que o senhor falasse, para além dessa questão partidária, como é a sua relação com o pré-candidato ao Governo.
Daniel Monteiro - Minha relação com o Pivetta é a melhor possível. O Pivetta foi o grande responsável pela minha entrada na vida pública aqui em Mato Grosso. Se não fosse o Otaviano, eu não teria voltado para Mato Grosso, eu não teria trabalhado com educação, não teria desenvolvido essas habilidades e não teria virado vereador. Então, além da gratidão, eu tenho uma admiração com ele, que é do que ele fez em Lucas do Rio Verde. Eu sou um político resultadista, acredito no pragmatismo político acima de qualquer ideologia, e o Otaviano é a síntese disso.
A Gazeta - O senhor também atuou como relator, tanto na CPI das Fraudes Fiscais, quanto na de Fios Abandonados. Como é que foi participar dessas comissões?
Daniel Monteiro - Eu quero dizer que isso é produtividade. Eu sou o único vereador, sendo no primeiro ano do meu primeiro mandato, que fui relator de duas CPIs no primeiro ano. Eu não sei se já teve vereador que fez isso. E a primeira relatoria a ser entregue na Câmara Municipal de 2025 foi o meu, que foi o da CPI dos fios e cabos, que resultou na nova lei. Antes a multa era de 4 a 5 mil reais, hoje é 100 mil reais. O outro relatório, na CPI das fraudes fiscais, eu demonstrei que houve descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal em mais de 300 milhões de reais. E toda CPI, quando você é relator está contrariando algum tipo de interesse. Na dos fios e cabos, eu estou contrariando o interesse de todas essas empresas de energia elétrica e na das fraudes fiscais, contrariei toda a antiga gestão do prefeito Emanuel Pinheiro, e inclusive eu indiciei ele na CPI, assim como tantos secretários da respectiva gestão.
Leia mais sobre Política de MT na edição de A Gazeta
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.