VALOR DE R$ 20 MIL 28.01.2026 | 09h23

yuri@gazetadigital.com.br
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Relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) evidencia que o vereador Chico 2000 teria usado o dinheiro desviado das emendas parlamentares para reformar uma pousada localiza entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
Conforme o relatório, no dia 4 de abril de 2025, o Instituto Brasil Central (Ibrace) recebeu uma quantia de R$ 600 mil de emenda impositiva para realizar a 6ª Corrida do Legislativo. Já no dia 9, o instituto recebeu mais R$ 400 mil.
Em conversas entre Chico 2000 e o empresário João Nery Chiroli, da Chiroli Esportes, causou estranheza dos investigadores o fato de que a Chiroli realizou um pix de R$ 20 mil para o trabalhador que estava prestando serviços na pousada de Chico.
Para os policiais, o pagamento sugere ser propina. Uma conversa entre o vereador e o trabalhador sugere cotação de materiais para a reforma. O pedreiro afirma que já tinha cotado e que precisava pagar R$ 20 mil para retirar os materiais.
O pedreiro questionou ainda se Chico poderia fazer o pagamento até quarta-feira, que é dia 9. O vereador responde que vai conseguir. Na tarde do dia 9, por volta das 15h59, o trabalhador avisa Chico, por meio de mensagem de áudio, dizendo que “acabou de cair o dinheiro aqui”.
No comprovante que a polícia teve acesso, o pagamento de R$ 20 mil cai na conta do trabalhador por volta das 16h25 do dia 9. Ele foi feito pela empresa Sem Limites Esporte e Eventos LTDA, a Chiroli Esportes. Foi constatado em seguida que o pagamento foi articulado entre Chico, Chiroli e uma pessoa identificada como ‘Binho”.
A pousada é a Estância Águas da Chapada, que está no nome de uma das filhas de Chico, mas que ele tem procuração para representá-la.
Além de Chico 2000 e do empresário João Nery Chiroli, outras 4 pessoas foram identificadas como alvo da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil para investigar um esquema de desvio de emendas parlamentares.
Constam ainda na lista de alvos o chefe de gabinete de Chico 2000, Rubens Vuolo Júnior, Joaci Conceição Silva, que é assessor do vereador Mário Nadaf, Alex Jony Silva e Magali Gayba Felismirni Chiroli. O vereador Chico 2000, Rubens e Joacyr foram afastados do cargo.
A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), reforçou que o parlamento municipal não é alvo da operação, mas que apenas cumpriu determinações legais. Destacou ainda que a Câmara segue colaborando com as autoridades "sempre que solicitada, com serenidade, transparência e respeito às decisões judiciais".
Desvio de emendas
Os elementos apurados apontaram que o grupo se associou com a finalidade de direcionar emendas parlamentares a um instituto e uma empresa, e o recurso era parcialmente “devolvido” ao vereador responsável pela destinação da emenda.
Também foram expedidas ordens de suspensão do exercício da função pública contra dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá e um vereador, para o qual houve a determinação de afastamento do mandato parlamentar.
Ainda dentro da operação, foram fixadas 3 medidas cautelares diversas da prisão contra seis investigados. As principais delas são as proibições de manterem contato entre si e com testemunhas; de acessarem todos os prédios e dependências da Câmara Municipal de Vereadores de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes de Cuiabá; e de deixarem a Comarca, além de ser ordenada a entrega dos passaportes pelos investigados.
Bens, valores e suspensão de atividades
Como parte da decisão judicial, o Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá também estão proibidos de contratar ou nomear quaisquer dos alvos investigados na operação.
Foi determinado ainda o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 (seiscentos e setenta e seis mil e quarenta e dois reais e trinta e dois centavos) das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
Dentre as ordens judiciais há também a determinação da suspensão das atividades do instituto investigado e de realização de auditorias pela Controladoria-Geral de Cuiabá em todos os Termos de Parceria firmados pelo órgão investigado com o Município.
O Município também fica proibido de realizar qualquer espécie de contratação ou pagamento de valores com relação às duas empresas investigadas.
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