pedia intervenção militar 25.03.2026 | 17h07

ana.frutuoso@gazetadigital.com.br
Montagem
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a retirada da tornozeleira eletrônica de Vanderson Alves Nunes, conhecido por "Vandinho Patriota", investigado por participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A decisão foi tomada após homologação de um acordo entre o investigado e a Procuradoria-Geral da República (PGR), o que, na prática, encerra a necessidade de monitoramento eletrônico, mas impõe uma série de condições rigorosas. Entre elas, não usar redes sociais e participar de curso sobre democracia.
No acordo firmado com a PGR, Vanderson Alves Nunes admitiu a prática de associação criminosa ligada aos atos de 8 de janeiro de 2023. Essas infrações estão relacionadas à participação dele nos acampamentos e mobilizações que defendiam intervenção militar e contestavam o resultado das eleições de 2022. O "Patriota" ficou acampado em frente a quartel e cobrou intervenção militar contra o resultado das eleições nas quais Lula (PT) saiu vitorioso.
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Entre as principais restrições impostas, está a proibição de acesso a redes sociais abertas durante todo o período do acordo, além da obrigação de não se envolver em novas infrações ou em qualquer conduta relacionada aos fatos investigados. Ele também declarou não ter firmado acordos semelhantes recentemente e não responder a outros processos criminais em andamento, pontos que foram considerados para validação do acordo.
Apesar das limitações, a decisão gerou reação imediata entre apoiadores em Cuiabá, que organizaram um ato em apoio a Vanderson. Em vídeos divulgados nas redes sociais, nesta quarta-feira (25) ele aparece comemorando a retirada da tornozeleira, o que levanta questionamentos sobre eventual descumprimento das condições impostas, especialmente no que diz respeito à exposição em plataformas abertas.
"Depois de três anos pagando por um crime que eu não cometi, hoje vamos remover a tornozeleira eletrônica. Infelizmente o sistema não vai conseguir reparar os danos causados que ela nos causou: a depressão, a ansiedade e os dias sem dormir", disse Vandinho no vídeo.
Pelo acordo, Vanderson terá que cumprir 150 horas de prestação de serviços à comunidade, em instituições públicas ou assistenciais, com carga mensal mínima definida pela Justiça. Além disso, deverá participar obrigatoriamente de um curso com carga total de 12 horas sobre democracia, Estado de Direito e golpe de Estado, dividido em módulos. O cumprimento dessas medidas será acompanhado pelo Judiciário, que poderá exigir comprovações periódicas das atividades.
Nos locais, manifestantes defendiam intervenção militar e contestavam o resultado das urnas após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao firmar o acordo, o próprio investigado reconheceu sua participação nessas mobilizações.
'Fecho' de sem-teto
Recentemente, ele protagonizou um episódio polêmico durante um “adesivaço” em Cuiabá, quando discutiu com um homem em situação de rua. Na ocasião, ao ser questionado, afirmou não ter sido condenado por falta de provas, enquanto o interlocutor rebateu mencionando o uso da tornozeleira eletrônica.
“Você tá respondendo em liberdade amigo. Eu moro na rua, mas não sou tornozelado. Estou tomando minha cerveja, não estou fazendo nada”, respondeu o homem.
Mesmo com a retirada da tornozeleira, o acordo firmado deixa claro que o descumprimento de qualquer uma das condições pode levar à revogação dos benefícios e à retomada de medidas cautelares mais severas. O caso seguirá sob monitoramento da Justiça até o fim do prazo estabelecido.
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