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treta com mauro 19.06.2026 | 17h38

Diante de polêmica, Fagundes recua e nega paralisar obra do Parque Novo Mato Grosso

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Laisa Stofel

laisa@gazetadigital

João Vieira

João Vieira

Após polêmicas na última semana com o ex-governador Mauro Mendes (União), o senador e pré-candidato ao governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), negou a intenção de interromper as obras do Parque Novo Mato Grosso, mas defendeu o fim do uso de verbas do Fundo de Transporte e Habitação (Fethab) para essa finalidade. Segundo o parlamentar, o recurso pertence ao produtor rural e sua aplicação no complexo de lazer viola a constituição do fundo.

 

“O produtor rural, que está lá no Araguaia, no nortão de Mato Grosso, não foi consultado para construir parque. Isso aí teria que ser da fonte zero ou junto com a iniciativa privada”, explicou em entrevista ao Jornal do Meio-dia nesta sexta-feira (19).

 

Durante as discussões, Mauro Mendes pontuou que sua gestão entregou 40 mil residências por meio do Programa Minha Casa Minha Vida e que a edificação do parque seria mais uma alternativa de lazer para a população. Em resposta, o senador afirmou que, se o montante do parque fosse direcionado às moradias, o estado teria conseguido duplicar o resultado obtido, uma vez que os valores milionários eram originalmente destinados à habitação social.

 

“Hoje é o problema do Mato Grosso, está tendo uma concentração muito grande na mão de poucos, e a população sofrendo. O déficit habitacional hoje é muito grande, e o Fethab teria que ser para fazer a habitação. Foram feitas 40 mil moradias, poderiam ter sido feitas 100 mil, 80 mil. A minha linha sempre foi de que não podemos fazer com que o Mato Grosso e o Brasil sejam campeões de obras inacabadas”, explicou em devolução as falas do ex-gestor.

 

Leia também - TCE quer explicação da falta de licitação nas obras do BRT.

 

Ele relembrou que, durante seu mandato no Senado, propôs um Projeto de Lei para permitir o início de uma nova obra pública apenas após a finalização da anterior, de modo a frear o avanço de projetos inacabados.

 

“Hoje nós temos milhares de obras inacabadas do estado e dos municípios. Então, a primeira coisa que farei é chamar todos os prefeitos. Vamos fazer um grande mutirão, vamos concluir todas essas obras. Não vou deixar começar uma obra da mesma natureza em qualquer lugar. Se tem 10 creches inacabadas no Mato Grosso, vamos concluir todas”, disse, defendendo seu projeto de governo.

 

Quando questionado se finalizará o parque caso vença a eleição, Fagundes assegurou que sim, mas acrescentou que atrairia a iniciativa privada para gerir a operação. De acordo com ele, a entrega do espaço para instituições particulares já é um desenho em andamento, mesmo tendo sido edificado com dinheiro público e antes do início oficial das licitações.

 

“Estamos investigando isso, inclusive. Porque para quem entregar já tinha sido falado antes. No dia do lançamento do parque, eu estava lá, fui lá. ‘Olha, vai ser aqui dessa turma’. Foi definido assim. Inclusive foi feito para valorizar uma área de um mesmo empresário”, denunciou.

 

Além disso, o senador explicou que, apesar de reconhecer a importância do lazer oferecido pelo parque, há uma clara “inversão de prioridades” nas obras públicas. Ele defende também que a implantação do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) deveria ter sido priorizada para atender à demanda da população.

 

“Inclusive, quando esse governo começou. E aí eu tenho que falar com o atual governador, que é o Pivetta. Eles disseram que fariam a conclusão daquela hora do BRT, na época, em dois anos. Foi tá lá, gravado. Aí resolveram mudar. E aqui até hoje tem essa cicatriz entre Cuiabá e Várzea Grande, que não tem um meio de transporte. E já estão dizendo: ‘olha, os veículos, os ônibus vão ser entregues para esse ou para aquele’. Definindo antes da hora da licitação”, declarou em comparação com a entrega do parque.

 

Rodovia 

Já ao ser interpelado sobre os problemas na rodovia MT-170, que virou centro de debates após diversos trechos começarem a esfarelar, Fagundes garantiu que as queixas partiram integralmente de vereadores e prefeitos do estado, descontentes com a condução da gestão estadual.

 

“Como o próprio Tribunal de Contas está dizendo, está tendo uma avalanche de denúncias. Todas as regiões. O que adianta construir muito e desmanchar em um ano? E olha, da 140 já foi refeito ano passado. Ela foi refeita e já desmanchou de novo. Então, o que é isso? É padrão da construção. De que adianta falar? Aliás, o governador Pivetta disse que mil quilômetros estragados é ‘probleminha’. É o dinheiro público sendo desperdiçado. Não pode ser assim. Não pode ser rei”, protestou em conclusão.

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