Deu em A Gazeta 02.10.2019 | 08h10

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João Vieira
Em seu último depoimento à Justiça Federal, o ex-superintendente do BicBanco, Luis Carlos Cuzziol, afirmou que algumas empresas quitaram a dívida de R$ 70 milhões que o grupo liderado pelos ex-governadores Blairo Maggi e Silval Barbosa tinha com o BicBanco no final de 2014.
“Elas foram liquidadas por 3, 4 empresas, que assumiram todo o volume que tinha ali [para pagar]. Dividiram essas empresas, tanto é que chegou nessa forma de consolidar o pagamento. No final chegou a R$ 70 milhões de empréstimo que não foram pagos”, disse Cuzziol durante o seu depoimento em junho, após iniciar uma série de reinterrogatório após ter firmado acordo de delação premiada com o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Segundo o ex-funcionário do BicBanco, essa foi a forma encontrada para que a instituição financeira não saísse no prejuízo, já que existia um ‘esgotamento’ na relação entre o banco, Blairo, Silval e os demais secretários envolvidos no esquema descobertos pela Operação Ararath.
“O ex-governador [Blairo] não quitou, o outro [Silval] que assumiu não havia liquidado a dívida anterior, mas continuou fazendo as operações. Chegou um momento que eles não tinham condições de pagar, não tinha solução para elas”, disse ao afirmar que no final o ex-secretário Eder Moraes nem participava mais das negociações.
Segundo o delator, as empresas Trimec Construções e Terraplanagem Ltda, Todeschini Construções e Terraplanagem, Guaxe Encomind Engenharia, Santa Cruz Engenharia, foram as responsáveis para quitar os R$ 70 milhões, através de contratos com o BicBanco. “Também teve algumas empresas de PCHs, de energia, que entraram nesse grupo formado. A empresa Martelli também participou em uma esquema entre eles”, completou.
O delator ainda disse que no início dos empréstimos fraudulentos com empresas que tinham contratos com o governo do Estado, o dono do BicBanco, José Carlos Menezes, conhecido como ‘Binho’, solicitou como garantia, as assinaturas do ex-secretário Eder Moraes, e demais secretários e adjuntos das pastas envolvidas.
Porém, Blairo Maggi teria se recusado a assinar, mas, como tinha prestígio dentro do mercado por conta do seu sucesso empresarial, a garantia era a assinatura de Eder Moraes.
O delator afirma que cerca de 30 empresas participaram dos empréstimos fraudulentos por indicação de Eder Moraes, que o esquema teria movimentado cerca de R$ 300 milhões só de empréstimo, o que era quase a totalidade dos recursos do banco.
“O número de operações, uma liquidando a outra. Uma liquidando a outra. Ou fazia uma nova para liquidar a vencida. Então ela teve um giro grande. Mas o montante, eu estou falando isso porque a agência nossa, ela chegou ao máximo de ter de ativo R$ 400 milhões. R$ 400, R$ 500 milhões”, explicou em outro trecho do depoimento.
Delação
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF) homologou a delação premiada do ex-superintendente do BicBanco de Mato Grosso, Luis Carlos Cuzziol em abril deste ano. Os depoimentos realizados por Cuzziol teriam detalhes que faltavam para as autoridades policiais entenderem como funcionava o esquema de corrupção. E-mails, documentos, mensagens e contas bancárias foram revelados pelo ex-superintendente do BicBanco.
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