DESAGREGAÇÃO EM CASA 19.08.2026 | 13h00

yuri@gazetadigital.com.br
Marcus Vaillant
O candidato ao Senado por Mato Grosso, Antônio Galvan (Avante), afirmou que não vê a mesma ênfase na discussão pública quando mulheres matam homens, ao comentar o aumento dos casos de feminicídio no Estado. Para ele, o debate sobre violência deve considerar também as mortes de homens praticadas por mulheres. Também aponta que não há diferença entre 'feminicídio e homicídio' e diz que mulheres morrem por 'famílias desestruturadas'.
Para Galvan, 'não tem que ter lei para homem e/ou mulher'. "Quando se diferenciam as leis, ficam parecendo cotas". Disse. Ele ainda questionou os jornalistas. "Quem concorda com cotas aqui?". O candidato continuou, "seja a mulher matar o homem, porque também tem e tem muito desse crime, eu não vejo dar tanta ênfase nisso também, como o inverso”, afirmou.
Galvan defendeu que o poder público concentre esforços na prevenção da violência e na identificação dos problemas que antecedem os crimes. Segundo ele, situações de conflito dentro das famílias precisam ser acompanhadas antes que evoluam para agressões graves ou mortes.
“O que eu acho que é a causa? É essa desagregação dentro de casa. Você tem que buscar para saber o que está acontecendo com aquela família. Tem tanto psicólogo aí para você poder tratar desse assunto e ver qual é o problema”, disse.
Na avaliação do candidato, homicídios e feminicídios não costumam ocorrer de forma isolada, mas podem ser resultado de conflitos que se agravam ao longo do tempo.
“Porque ninguém chega de primeira vez e comete um homicídio ou um feminicídio”, declarou. Galvan também relacionou a desestruturação familiar às dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias. Segundo ele, problemas financeiros podem contribuir para o aumento dos conflitos dentro de casa.
“A família está desestruturada, não tem mais condições financeiras de poder manter os filhos, pagar as despesas de casa, e começa a virar uma guerra dentro de casa”, afirmou.
As declarações foram dadas durante uma entrevista em que o candidato também questionou a criação de leis específicas para mulheres e defendeu que o combate aos feminicídios priorize as causas da violência, e não apenas o endurecimento das penas.
Cenário
Conforme já divulgado, entre janeiro e agosto deste ano, 31 mulheres foram mortas em Mato Grosso. Em 76 dias, a Operação Mulher Segura já prendeu 1.097 homens acusados de violência contra mulheres em Mato Grosso desde o início das ações, em junho.
Do total, 967 prisões ocorreram em flagrante e mais de 130 foram cumpridas por meio de mandados de prisão preventiva. A operação segue até dezembro e tem intensificado as ações de combate à violência doméstica no Estado.
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