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Cuiabá, Quarta-feira 04/02/2026

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PEGOU MAL 04.02.2026 | 09h29

Licença de Abilio para campanha da Samantha gera críticas na Câmara; ‘afronto’

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

A possibilidade do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), se licenciar do cargo a partir de 16 de agosto, início oficial da campanha eleitoral, para acompanhar a candidatura da esposa, Samantha Iris (PL), a deputada estadual, tem provocado forte reações na Câmara Municipal.

Abilio confirmou que o afastamento temporário é uma alternativa concreta, argumentando que não pretende conciliar a chefia do Executivo municipal com agendas eleitorais pelo interior do Estado. Segundo ele, a medida evitaria conflitos entre a função pública e a participação direta no processo eleitoral. Caso a licença se concretize, a gestão da Prefeitura de Cuiabá ficaria sob responsabilidade da vice-prefeita Vânia Rosa (MDB).

 

Para o vereador Rafael Ranalli (PL), a eventual decisão pode ser vista como correta, desde que haja clareza e responsabilidade institucional. “É o momento de cuidar de Cuiabá, mas ele tem que decidir entre conduzir a cidade e a correria de uma campanha de 45 dias. Acho mais louvável ele sair do que ficar na prefeitura pedindo voto no cargo”, afirmou.

 

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Ranalli ponderou, no entanto, que o prefeito teria recuado do intento diante do cenário político envolvendo a vice-prefeita, que deixou o Novo para filiar ao MDB. “Se fosse para escolher, que ele continuasse como prefeito. As ações dele benéficas à cidade reverberam na campanha da Samantha”, completou.

 

Já o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) adotou tom crítico à possibilidade de afastamento. Para ele, a licença para fins eleitorais não se justifica diante dos desafios enfrentados pela capital.

 

“Quem é eleito para comandar uma cidade complexa como Cuiabá não tem direito de se licenciar para pedir voto. Temos buracos, escolas sucateadas, UPAs com problemas. Nessa circunstância, sair para pedir voto é quebrar a promessa feita ao eleitor”, disse.

 

A própria Samantha Iris (PL) comentou o debate e ressaltou a imprevisibilidade do cenário político. “A política muda muito. Ano passado era um momento, hoje é outro, e na eleição será outro. As pessoas vão criticar se ele ficar ou se ele sair. Em qualquer comportamento dele existirão críticas”, avaliou.

 

Outra crítica veio da vereadora Maysa Leão (Republicanos), que classificou a possibilidade como inadequada e uma afronta a sociedade. “É uma afronta. A esposa é capaz de fazer campanha, é uma mulher forte. Quando ele diz com tranquilidade que se afasta para um projeto eleitoreiro, não entende que é prefeito. Ele não desce do palanque, não assume a cadeira e não se porta como alguém que precisa governar”, disparou.

 

Em coletiva, Abilio afirmou que já comunicou a esposa sobre a possibilidade de licença e reforçou que não teme transferir temporariamente a gestão à vice-prefeita. “Eu confio que a Vânia pode fazer essa condução com tranquilidade, como fez no período em que estive fora do país”, declarou, descartando qualquer outra alternativa de comando da Prefeitura durante eventual afastamento.

 

Samantha Iris ganhou projeção política em 2024, ao ser eleita vereadora de Cuiabá com 7.460 votos, tornando-se a mais votada do pleito. O desempenho expressivo colocou seu nome no centro das articulações políticas do Estado, chegando a ser defendida por lideranças da direita como possível integrante de chapa majoritária em 2026.

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